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"Brütal Legend" ousa ao sacrificar a interatividade em prol do enredo

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Do UOL, em São Paulo

23/10/2009 17h01

"Brütal Legend" é aquele tipo de jogo que nasce cercado de problemas e chega às lojas quase por sorte. O título, que serve como veículo para o astro Jack Black declarar seu amor ao heavy metal, nasceu como um jogo de estratégia em tempo real, virou uma aventura aberta repleta de nomes famosos do gênero musical e quase foi perdido no limbo depois que sua distribuidora original, a Sierra, foi extinta e a Activision, que absorveu o espólio da Sierra, não acreditou no potencial comercial do título e desistiu de lançá-lo.

Foi um caminho árduo, mas a equipe do lendário designer Tim Schafer, co-criador e roteirista de clássicos como "The Secret of Monkey Island", "Full Throttle" e "Grim Fandango", conseguiu finalmente entregar seu projeto mais ambicioso, com ajuda de última hora da Electronic Arts.

Agora, com o jogo em mãos, é fácil compreender o receio da Activision em apostar em Schafer: "Brütal Legend" ousa ao sacrificar a interatividade em prol do enredo, ambientação e outros elementos que o transformam em uma espécie de Ópera Rock digital interativa.

Difícil definição

Para os fãs de Schafer, nada disso é surpresa. O designer há muito privilegia diálogos e situações inusitadas em seus jogos, tanto que muitos de seus trabalhos mais famosos foram adventures gráficos - provavelmente o gênero mais dependente de roteiro que existe, afinal, mesmo RPGs podem ser salvos por seus sistemas de combate, gerenciamento de personagens e outras características mecânicas. Nada pode salvar um adventure de uma história ruim.

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Ainda no adventure, a habilidade nunca foi essencial. O que pesa ali é a atenção do jogador ao que acontece ao seu redor para interagir com personagens e objetos de cena. Meros meios para um fim, o de contar uma história memorável e deixar que o jogador tenha a ilusão de que foi o responsável por tudo aquilo, quando nada mais era do que mais uma peça nas engrenagens. "Brütal Legend" parte do mesmo princípio, só que se mostra muito mais ativo ao empregar várias mecânicas diferentes no desenrolar de sua narrativa.

Definir "Brütal Legend" é complicado. Apesar de ser primariamente um game de pancadaria, o título não se contenta em simplesmente mostrar uma cena em que o herói escapa de um monstro pilotando um carro, por exemplo: a mecânica muda e faz questão que você pilote o carro, como em um jogo de corrida. Se o mocinho toca a guitarra, a ação se transforma em uma espécie de "Guitar Hero" para principiantes, e por aí vai. Com o dedo do jogador em cada aspecto da história, há menos distanciamento, menos momentos em que o usuário solta o controle para ver o que está acontecendo e, consequentemente, uma maior aproximação com o que acontece na tela.

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No entanto, tal escolha é uma faca de dois gumes, já que pode decepcionar vários consumidores, principalmente aqueles que fazem questão de pular diálogos e ir direto aos segmentos interativos. Schafer e sua equipe não parecem nutrir amor por nenhum tipo de mecânica em especial e todas parecem simples e superficiais demais para aqueles que não entrarem no clima da aventura.

Mundo do Metal

O próprio tema de "Brütal Legend" não é para qualquer um. Além de possuir um genuíno amor por rock'n roll, é preciso gostar da figura de Jack Black. O ator de filmes como "King Kong" e "Nacho Libre" não é apenas o dublador da aventura e muitos de seus cacoetes, bordões e gostos aparecem em todos os cantos do game.

De certa forma, "Brütal Legend" mostra uma admiração tão verdadeira e empolgada, ingênua até, pelo rock que remete ao que foi visto em outros longas estrelados por Black, como "Escola de Rock" e "Uma Dupla Infernal", este que serviu como veículo para sua banda, Tenacious D.

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Black interpreta Eddie Briggs, o melhor roadie do planeta. O sujeito tem a função de montar o show e fazer com que a banda brilhe da melhor maneira possível, mas ele anda frustrado com os rumos da música. O heavy metal parece estar morto nas mãos de bandas como a Kabbage Boy, que usa DJs e outras tendências modernas, e não há muita esperança no horizonte. As coisas só mudam depois que um acidente ocorre e Eddie é transportado para um mundo de fantasia que parece ter sido criado a partir de capas de discos de bandas como Iced Earth, Manowar ou Iron Maiden - chamado Mundo do Metal - e se envolve em uma revolução para salvar metaleiros, tietes e outras figuras do mundo da música das garras de demônios e monstros.

A missão se desenrola em um cenário grande e aberto, mais ou menos no estilo "Grand Theft Auto". Eddie dirige seu possante chamado The Deuce e pode selecionar missões da história ou outras secundárias. Além das partes de pilotagem, há trechos de pancadaria em que ele deve picotar inimigos com seu machado ou evocar poderes com a guitarra (onde entra um minigame que lembra jogos musicais, de pressionar notas nos tempos corretos). Por fim, há também segmentos de estratégia que imitam concertos, em que se deve criar torres para angariar fãs e juntar metaleiros para deter inimigos que avançam - tal aspecto da mecânica também se repete no modo multiplayer do título, tanto em partidas locais quanto online.

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Nomes de peso

Em um primeiro momento, os gráficos de "Brütal Legend" não impressionam com seus modelos simples e cenários pouco variados. A falta de efeitos, no entanto, é compensada por uma animação rica de personagens, com ótimas expressões faciais e movimentação inteligente. A atuação, neste caso específico, conta bastante.

Assim, a dublagem complementa de maneira espetacular os protagonistas. Além de Black, há participações de figuras lendárias da música como Ozzy Osbourne, Rob Halford, Lita Ford e Lemmy Kilmister, além do ator Tim Curry, que foi contratado como vilão do game para evocar qualidades de alguns de seus trabalhos mais célebres, como Senhor das Trevas em "A Lenda" ou o palhaço Pennywise em "It".

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A trilha sonora, claro, não poderia deixar de fora grandes hinos do heavy metal e é complementada por faixas originais, em um total que chega a quase 100 canções. Há desde clássicos de bandas consagradas como Kiss, Black Sabbath, Motörhead, Slayer e Judas Priest a grupos mais recentes como DragonForce, Mastodon e Dethklok.

Nota: 9 (Excelente)

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