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Festival de Berlim começa com formato expresso e digital

01/03/2021 18h58

Berlim, 1 Mar 2021 (AFP) - A 71ª edição do Festival de Berlim estreou em formato virtual nesta segunda-feira (1º), com uma programação concentrada em cinco dias, à espera de poder realizar uma segunda parte com tapete vermelho e aberta ao público em junho.

O brasileiro "A última floresta", de Luiz Bolognesi, integra a mostra Panorama, do prestigioso festival.

Com roteiro co-assinado por Bolognesi e o líder yanomami Davi Kopenawa Yanomami, o longa relata o dia-a-dia de um grupo de indígenas yanomami, etnia que vive há séculos entre o norte do Brasil e o sul da Venezuela.

O filme libanês "Memory Box", da dupla de diretores e artistas Joana Hadjithomas e Jalil Joreige, abriu a série de exibições reservadas a profissionais e imprensa.

No total, 15 longas-metragens concorrem ao Urso de Ouro, que será anunciado na sexta-feira. Entre eles, há apenas um em espanhol: "Una película de policiais", do mexicano Alonso Ruizpalacios.

"Memory box", primeiro filme libanês selecionado em competição em 40 anos, mergulha na memória de uma família da diáspora de Montreal daquele país.

O filme de Hadjithomas e Joreige - que em 2017 receberam o prêmio de arte Marcel Duchamp - poderia não ter saído, já que as filmagens terminaram pouco antes da explosão em 4 de agosto de 2020 no porto de Beirute, que deixou mais de 200 mortos e 6.500 feridos e destruiu bairros inteiros da capital libanesa.

Seu apartamento, a sede da produtora e boa parte de suas obras também foram afetados pela explosão.

O casal explicou por videoconferência à AFP que fez o filme sobre memória e esquecimento em parte "com a ideia de transmitir o passado" de seu país à filha, instalada em Londres.

"No Líbano, temos a sensação de não compartilhar uma história comum", segundo Hadjithomas.

De sua casa em Paris, a diretora também admitiu que fazer filmes durante a pandemia gera "grande frustração". Mas "de alguma forma, a covid-19 ajudou o filme. Conseguimos trabalhar mais, ver as coisas em perspectiva e às vezes mudá-las".

- Um robô no jogo do amor -Também foi exibido o novo trabalho da alemã Maria Schrader (diretora da série "Unorthodox"), sobre um robô que quer vencer os humanos no jogo do amor.

"I'm Your Man" (Ich bin dein Mensch - Eu sou seu homem) é estrelado por Dan Stevens, estrela de Downton Abbey, no papel do robô.

Stevens, britânico, fala bem alemão para representar o robô Tom, um Romeu projetado para conquistar o coração de Alma, uma pesquisadora de antiguidades (Maren Eggert).

Schrader afirmou em uma entrevista coletiva que queria evitar os aspectos "perigosos" dessas histórias de Frankenstein.

"O que Tom quer saber é como fazer Alma feliz", acrescentou.

Tom não é apenas um amante melhor do que os outros, mas Alma sente que ele "pode ser uma pessoa melhor: mais civilizado, livre de agressões e ambições altruístas", afirmou Schrader.

- Volta do mexicano Ruizpalacios -O primeiro grande festival do ano na Europa foi reduzido de dez para cinco dias, mas pretende-se realizar uma segunda parte aberta em junho em Berlim, principalmente com exibições ao ar livre e a cerimônia de entrega de prêmios.

Com "Una película de policías", da Netflix, Ruizpalacios volta à principal categoria do Berlinale, três anos depois de "Museo", com o qual ganhou o prêmio de melhor roteiro.

Destacam-se também os longas-metragens "Petite Maman", da francesa Céline Sciamma ("Retrato de uma Jovem em Chamas"), e a estreia na direção do ator hispânico-alemão Daniel Brühl ("Adeus, Lenin!").

O romeno Radu Jude volta à competição com "Bad Luck Banging or Looney Porn" sobre uma professora filmada em uma "sextape", que viraliza na internet.

Pela primeira vez, o Festival de Berlim concederá um prêmio de interpretação "sem gênero", em vez dos prêmios de melhor ator e atriz, o primeiro a existir entre as principais competições internacionais.

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