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Juliana Caldas lamenta abordagem dada à PcD em filme estrelado por Hassum

Atriz Juliana Caldas - Reprodução: Instagram
Atriz Juliana Caldas Imagem: Reprodução: Instagram

Colaboração para Splash, no Rio de Janeiro

01/12/2021 14h41

A atriz Juliana Caldas, que se destacou na novela "O Outro Lado do Paraíso", de 2017, lamentou a forma como a Pessoa com Deficiência (PcD) é abordada no filme "Amor Sem Medida", novo filme de Leandro Hassum disponível na Netflix. Em um vídeo publicado em seu Instagram, a artista chora ao falar sobre a situação.

"Estou aqui gravando esse vídeo para falar sobre um filme. Na verdade, para dar a minha opinião sobre um filme que está na Netflix, um filme brasileiro que aborda o tema nanismo. Nossa, bacana! Só que não... Bom, enfim, o filme é do Leandro Hassum, chama 'Amor sem Medida' e... Bom, vamos lá. Se a gente parar para pensar... A gente fala tanto hoje em dia da representatividade, da importância da representatividade no mundo, na diversidade, etc. Só que vou dar a minha opinião, estou aqui dando minha opinião tanto como pessoa Juliana e como artista Juliana", começa.

Então, a atriz diz que não sentiu-se representada pelo personagem do filme. "Primeiro porque a pessoa que faz o personagem que tem nanismo... O ator não tem nanismo, que é o próprio Leandro Hassum. Eles fizeram computação gráfica, diminuíram (o Hassum) em computação gráfica, essas coisas, para mostrar que ele tem baixa estatura. E, depois disso, a maior parte do filme tem piadas totalmente capacitistas, totalmente preconceituosas e que, cara... Não dá para aceitar hoje em dia. Se fossem piadas racistas, homofóbicas, gordofóbicas, eu acredito que talvez esse assunto estaria sendo levado mais à sério", denuncia.

Em outro momento do desabafo, Juliana aponta um dos momentos que menos gostou no filme. "Uma das abordagens do filme é comparar o órgão sexual masculino do cara com o tamanho dele. É um absurdo, a gente tenta lutar por respeito, pelo nosso espaço... Por exemplo, um espaço que poderia ter tido um ator realmente com nanismo no filme não teve. A gente tendo respeito... Agora, dia 3, é o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, e aí você tem que se deparar com um filme em que a maior parte é de piadas ridículas. Até quando? Foi assim que parei de assistir o filme, não dá. Eu acho que, enfim, você pode realmente achar que é mimimi, que é essas coisas... Enfim, você pode achar o que quiser. Mas não dá para passar batido a falta de respeito com o próximo. Ainda mais no momento no mundo de hoje, sabe? E todas as outras pautas a gente vê que são levadas a sério. E aí quando você põe a pauta de nanismo, a maioria das vezes não é levada a sério", destaca.

A atriz, aos prantos, finaliza o vídeo ressaltando que o seu papel em "O Outro Lado do Paraíso" aborda o assunto nanismo de uma forma completamente diferente. "Eu não tenho nem o que dizer mais. Fiquem à vontade de achar que estou exagerando, até mesmo porque pode achar: 'ah, é hipocrisia da sua parte'. Como eu disse, né? Fiz um trabalho que abordava o nanismo de uma forma também... Porém não era humor, era drama. Acredito que fez muito mais as pessoas pensarem do que rirem, como esse filme. Porque ele tenta fazer rir, mas não ri em nenhum momento. É cansativo ter que explicar o óbvio, o simples, explicar que a partir do momento que uma piada ou frase fere o outro não é legal. Espero que, no mínimo, as pessoas parem para pensar um pouco, parem para respeitar o próximo, e entender realmente o que é empatia... E exercer a empatia, porque não é só saber o seu significado. Espero que as pessoas, realmente, além de entender, coloquem em prática a empatia", pontua.