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'Incêndio na Cinemateca é decorrente do descaso', diz presidente da Spcine

De Splash, em São Paulo

30/07/2021 09h47Atualizada em 30/07/2021 17h45

A diretora-presidente da Spcine, empresa da prefeitura da cidade de São Paulo que fomenta o cinema, Viviane Ferreira, afirma que o incêndio no galpão da Cinemateca Brasileira foi fruto do "descaso do governo federal".

Viviane disse ao UOL News que chegou a falar com a administração federal para pensar soluções para a instituição, como a arrecadação de R$ 530 mil. O recurso não foi entregue à Cinemateca por falta de clareza do governo, segundo ela.

A Spcine se colocou disponível para pensar junto com o governo federal alternativas para a Cinemateca a não ficar desamparada. A prefeitura de São Paulo, como tem ali a propriedade do prédio tombado, cedido para a união, parte do acervo municipal também está nas dependências da Cinemateca. Inúmeras ações, desde uma vaquinha com parlamentares para levantamento de 530 mil reais para garantir um suporte, e não conseguimos transferir o recurso porque o governo federal não indicava uma organização que pudesse se responsabilizar pela gestão. Está em caixa até hoje na SPCine. Viviane Ferreira

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O MPF (Ministério Público Federal) já havia alertado o governo federal de um risco de incêndio nas dependências da Cinemateca em julho.

A audiência realizada na Primeira Vara Federal faz parte de uma ação do MPF contra a união por abandono da Cinemateca, que foi despachada em julho do ano passado. No processo, o MPF pedia que a união viabilizasse a gestão e a preservação da instituição, destinando ao órgão o orçamento de R$ 12,2 milhões, que já era previsto para 2020.

A diretora da Spcine vê descaso da gestão com o setor cultural. A Cinemateca é subordinada à Secretaria Especial da Cultura, chefiada por Mario frias.

O incêndio é decorrente de um descaso, de uma falta de política no âmbito federal. Estamos vivendo um momento difícil em que o governo federal trava uma guerra e uma batalha contra a cultura nacional e acaba atingindo a memória nacional. O incêndio na Cinemateca significa transformar em cinza parte da memória do nosso país, do povo. Transformar em cinza muito trabalho, o início do desenvolvimento do audiovisual nacional, é grave, é um crime. Importante que a sociedade entenda como crime a responsabilidade do governo federal nesse âmbito.

Incêndio na Cinemateca Brasileira

Segundo ela, a prefeitura de São Paulo procurou o governo para ter uma municipalização da gestão, quando alguns procedimentos podem ser realizados no nível da administração local.

Viviane disse que não houve resposta ao pedido.

Teve uma conversa com o governo federal, foi proposto a municipalização da gestão compartilhada, não obteve o retorno satisfatório. Em junho desse ano procurou para uma outra conversa, tivemos uma reunião para apresentar a proposta e não tivemos um retorno satisfatória ate agora. Uma inércia criminosa do governo federal e todos os entes ficam amarrados neste descaso.

Comandada por Mario Frias, a Secretaria Especial de Cultura responde pela administração da Cinemateca Brasileira. Ele e André Porciuncula, que também faz parte da secretaria, chegaram ontem em Roma, Itália, para participação em uma conferência dos ministros da cultura do G20.

Através das redes sociais, ele lamentou o incêndio e sugestionou que ele possa ser criminoso.

"A Polícia Federal está a caminho. Fará perícia para descobrirmos se foi um incêndio criminoso ou não", disse o ator, em publicação no Twitter, sem apresentar qualquer prova para justificar a suspeita.

A possibilidade do incêndio foi apontada em comunicado divulgado por servidores em abril. Os profissionais destacavam que o local não contava com a supervisão de um corpo técnico e pediam por uma ação emergencial do governo para preservar o acervo.