PUBLICIDADE
Topo

Luca Scarpelli conta como um olhar trans pode revolucionar Queer Eye Brasil

Luca Scarpelli, um dos cinco fabulosos do 'Queer Eye Brasil', da Netflix
Luca Scarpelli, um dos cinco fabulosos do 'Queer Eye Brasil', da Netflix
Ellora Haonne/Divulgação

Renata Nogueira

De Splash, em São Paulo

31/03/2021 04h00

O "Queer Eye Brasil" é real e estamos morrendo de curiosidade para ver nossos "Fab 5" em ação na Netflix —só que as gravações ainda não rolaram por conta da pandemia. Enquanto aguardamos o reality show, conversamos com Luca Scarpelli, o fabuloso da área de cultura, sobre o que esperar da versão BR.

Continua depois da publicidade

Se você está por dentro das redes sociais, provavelmente já conhece o rosto do nosso Karamo brasileiro. O Luca Scarpelli está no YouTube há quatro anos com o canal Transdiário, onde ele conta sobre a experiência como um homem trans e tira dúvidas. Os vídeos somam mais de 10 milhões de visualizações.

Quando eu me entendi trans [em 2016] era tudo mato.
Luca Scarpelli
Ellora Haonne/Divulgação - Ellora Haonne/Divulgação
Imagem: Ellora Haonne/Divulgação

Luca também é publicitário, mas foi a sua atuação em frente às câmeras no YouTube que chamou a atenção da Netflix na hora de montar o grupo dos cinco fabulosos brasileiros, que conta ainda com o médico Fred Nicácio, o arquiteto Guto Requena, o stylist Rica Benozzati e o cabeleireiro Yohan Nicolas.

Qualquer passo que a comunidade trans dá para frente é como se toda a humanidade desse um passo para frente também. Não é só sobre transição. É sobre inclusão.
Continua depois da publicidade
É um programa que deixa um legado muito bacana. Mas vejo a gente adaptando. O olhar que eu trago é mais de empatia e transformação de vida, o que tem a ver com a minha trajetória.
Luca Scarpelli

Apesar de admirar o trabalho de Karamo Brown, o especialista de cultura da versão americana, o brasileiro quer trilhar outro caminho. Luca será o primeiro homem transgênero e bissexual entre todos os apresentadores que já passaram pelas outras versões de "Queer Eye", o que traz novas possibilidades.

Para mim é uma honra. Eu não sou um cara gay cis. Sou um trans, bissexual, e atualmente estou namorando uma mulher. É legal porque traz um olhar diferente para as mesmas questões.

Luca ainda faz questão de lembrar de Jonathan Van Ness, o especialista em beleza da versão americana, que se identifica como não-binário. Para ele, todo mundo sai ganhando com a inclusão de perfis mais diversos no entretenimento.

Continua depois da publicidade
Getty Images - Getty Images
Jonathan Van Ness, um dos Fab 5 do 'Queer Eye' americano
Imagem: Getty Images

"A partir do momento em que converso com naturalidade sobre identidade e expressão de gênero, em um outro grau, estou falando que um menino pode gostar de rosa, pode brincar com uma Barbie e isso não quer dizer que ele seja gay ou trans. Ele só quer brincar com uma boneca. É um olhar mais humano."

Luca ainda avalia os últimos quatro anos de sua vida e a experiência de transição que aconteceu não só com ele, como com o entorno familiar e os amigos. Em um vídeo, ele conta como foi recebido com carinho e respeito pela avó, que entendeu sua mudança e respeitou a forma como ele hoje se identifica.

Quando você convive com uma pessoa trans, você também transiciona. Você muda sua perspectiva de uma série de coisas, revê padrões. Porque você ama aquela pessoa e não quer feri-la.
Continua depois da publicidade

"Queer Eye" é essencialmente um reality de transformação de vida. Com experiências que não se limitam a identidade de gênero. Luca vê a possibilidade de ajudar todo tipo de personagem, já que antes de sua transição ele sentiu na pele as dores de não se encaixar onde realmente pertencia.

Acredito que muitas pessoas passam por transições e não necessariamente têm a ver com identidade de gênero. Tem a ver com outras questões. Tudo se relaciona.

Hoje contratado da Netflix, Luca sente orgulho de estar no mesmo patamar de outros talentos diversos que o inspiraram em sua trajetória, como a cartunista Laerte, Lachlan Watson, atore não-binário de "Sabrina", e Laverne Cox, de "OITNB", além de todo o elenco de "Pose", uma de suas séries favoritas.

Luca ainda indicou o que a gente pode assistir enquanto espera por "Queer Eye Brasil":

  • "Pose"
  • "Disclosure: Ser Trans em Hollywood"
  • "Laerte-se"
  • "Alice Júnior"
  • "O Mundo Sombrio de Sabrina"