PUBLICIDADE
Topo

Rodela sonhava com contrato fixo e recebeu ajuda de Ratinho na pandemia

O humorista Rodela
O humorista Rodela
Reprodução/Instagram

Marcela Ribeiro

De Splash, no Rio

03/12/2020 12h54

Luiz Carlos Ribeiro, o humorista Rodela, que morreu ontem por complicações da covid-19, aos 66 anos, passou por altos e baixos nos últimos anos. Antes da pandemia, ele trabalhava nas ruas do Centro de São Paulo vendendo DVDs por R$ 10 cada e se apresentava próximo ao Mosteiro de São Bento.

Continua depois da publicidade

Ele, que fez sucesso em "A Praça é Nossa" e no "Show do Tom", participava do quadro de DNA do "Programa do Ratinho" e recebia cachê. Mas, por conta da pandemia, estava afastado, já que era do grupo de risco. O apresentador ajudou o humorista financeiramente e até lhe pagou uma cirurgia nos olhos.

"É comum o Ratinho ajudar os membros de sua equipe com pagamentos de dívidas e saúde", contou Eduardo Mascarenhas, o manipulador do boneco Xaropinho.

O artista disse que presenciou o apresentador entrar em contato com a família de Rodela perguntando se precisavam de algo.

Murilo Bordoni, produtor e diretor de palco do "Ratinho" falou com Splash que o apresentador se preocupava com o humorista.

"O Ratinho o ajudou durante todos esses meses, pagando um salário mensal. Toda vez que o dinheiro caía na conta, ele me ligava chorando, agradecendo".

Continua depois da publicidade

Eduardo conta que Rodela batalhava para ter um contrato fixo na TV, e estava feliz por ter se aposentado recentemente.

"Ele se apresentava nas ruas para complementar a renda, mas também porque gostava. Recebia cachês do programa, e o Ratinho sempre ajudava com recursos extras".

Só queria um contrato porque a gente na rua sofre muito, principalmente quando chove.

Rodela, em entrevista ao "Repórter em Ação", da Record, em 2016

A ideia de Rodela, segundo Murilo, era se afastar das ruas "porque tinha conseguido se aposentar".

"Ele estava muito feliz que iria cuidar melhor de casa e só ia para a TV na hora em que precisasse gravar. Ele estava meio cansado de fazer shows na rua".

Continua depois da publicidade

Em entrevista ao "Repórter em Ação", da Record, em 2016, Rodela contou que, por estar sem trabalho fixo, ganhava a vida vendendo seu DVD e tirando fotos com o público.

"Tem dias que a gente vem para rua e não dá. Antigamente eu vendia até 60 DVDs. Hoje vendi 15 até agora", contou à reportagem.

O humorista falou na ocasião que estava com dívidas acumuladas.

A mulher do humorista afirmou à reportagem do programa da Record que ele estava com depressão. Apesar de não ser contratado fixo no SBT, Rodela chamava Ratinho de "meu patrão".

"Bom é estar na televisão, a gente está no camarim. O salário é bom, trocava de carro de três em três meses", disse.

Continua depois da publicidade

Banguela de propósito

A primeira vez do humorista na TV foi no "Show de Calouros", apresentado por Silvio Santos. A decisão de ficar sem dentes foi proposital para fazer inúmeras caretas.

"Arranquei tudo bom para ficar feio, se eu continuasse com os dentes, eu não ia fazer sucesso".

Drama familiar

Nascido no Rio, ele se mudou para Paulista, em Pernambuco, aos 5 anos e teve uma infância sofrida. Perdeu um irmão em um acidente com um jegue, após uma queda de cabeça.

"Foi a maior perda que a gente teve na família. Minhas irmãs estão todas no Recife, faz 10 anos que não vejo".