PUBLICIDADE
Topo

É fácil chorar com 'A Caminho da Lua', um acerto da Netflix contra a Disney

Fei Fei e sua família na animação 'A Caminho da Lua', da Netflix
Fei Fei e sua família na animação 'A Caminho da Lua', da Netflix
Divulgação

Ana Carolina Silva

De Splash, em São Paulo

23/10/2020 04h00

"A Caminho da Lua", animação lançada hoje pela Netflix, mostra bem o quanto a empresa quer bater de frente com a concorrente Disney —cujo streaming chega ao Brasil em 17 de novembro. Splash viu o filme e desvendou o ingrediente secreto que pode conquistar os "Disneymaníacos".

Tome cuidado: é bem fácil se emocionar com essa história.

Vai ter muito marmanjo chorando com Fei Fei (voz de Cathy Ang), uma garotinha chinesa que sofre uma grande perda na infância e encara o luto. Vinte minutos depois de clicar no play, talvez você já sinta vontade de abraçar um travesseiro.

Continua depois da publicidade

O diretor Glen Keane nos disse:

Crianças não são imunes à tristeza e à dor. Nós tratamos isso como "assunto de adultos", mas crianças precisam lidar com a morte de um pai, um divórcio ou o mundo virando de cabeça para baixo nessa pandemia.

O luto virou um assunto ainda mais importante para o filme depois que a roteirista Audrey Wells morreu em 2018 (ela lutava contra um câncer).

Nós fizemos você chorar, mas também nos fizemos chorar. Sabemos que são só desenhos, imagens digitais e animação computadorizada, mas eu preciso te dizer... Eles são reais. Os personagens que eu animo parecem ser meus filhos que não vieram ao mundo: são muito reais.

- Glen

Continua depois da publicidade
coelho e fei fei - divulgação/Netflix - divulgação/Netflix
Cena de "A Caminho da Lua", filme da Netflix
Imagem: divulgação/Netflix

E ele sabe contar histórias como poucos.

Glen é visto como lenda viva por seu trabalho em vários clássicos da Disney: "A Pequena Sereia" (1989), "A Bela e a Fera" (1991), "Aladdin" (1992) e "Tarzan" (1999).

Um currículo impressionante, mas, agora, o animador criou magia a serviço da Netflix.

O rótulo de "lenda da Disney" (que ele já recebeu em forma de prêmio) é para poucos, mas deve dificultar a missão de criar uma história em outro estúdio. Glen obviamente respeita muito a magia Disney, mas queria uma fórmula nova.

Continua depois da publicidade
fei fei a caminho da lua - divulgação/Netflix - divulgação/Netflix
Cena de "A Caminho da Lua", filme da Netflix
Imagem: divulgação/Netflix

Eu me perguntei como poderia fazer algo que não fosse exatamente Disney. Pensei: algo está faltando. Na internet, achei um desenho que alguém tinha feito da Ariel (de "A Pequena Sereia") e parecia com o meu, só que melhor! A autora era Brittany Myers. Eu queria aprender, então nós a contratamos.

Essa foi a ilustração de Ariel que o inspirou:

Aliás, é curioso que a sereia da Disney tenha passado sua jornada procurando a própria voz para dizer o que sentia: "A Caminho da Lua" é sobre se abrir, verbalizar as emoções e usar a melodia para seguir em frente.

Meus mentores ensinaram: 'Glen, não anime o que os personagens fazem, anime o que estão sentindo'. Fei Fei combina a inteligência para construir um foguete com a fé que a faz ver o que mais ninguém vê e acreditar que uma deusa vive no lado mais escuro da lua. E nós falamos do luto através da música.

Continua depois da publicidade
a caminho da lua família - divulgação/Netflix - divulgação/Netflix
Cena de "A Caminho da Lua", filme da Netflix
Imagem: divulgação/Netflix

E que músicas!

Diferentemente do romantismo presente em "A Bela e a Fera", por exemplo, "A Caminho da Lua" tem uma pegada mais pop, hip-hop e até k-pop. A figura da deusa da lua, chamada Chang'e (voz de Phillipa Soo), parece uma versão oriental e cartunesca de Katy Perry: colorida, viva e diva.

a caminho da lua chang'e - divulgação/Netflix - divulgação/Netflix
Cena de "A Caminho da Lua", filme da Netflix
Imagem: divulgação/Netflix