PUBLICIDADE
Topo

Página Cinco

Quais livros levar para a casa do Big Brother Brasil?

Leitora no BBB - Reprodução
Leitora no BBB Imagem: Reprodução
Página Cinco

Rodrigo Casarin é jornalista e especialista em Jornalismo Literário. Escrevendo sobre livros, já colaborou com veículos como Valor Econômico, Aventuras na História, Carta Capital, Revista Continente, Suplemento Literário Pernambuco, Jornal Rascunho e Cândido. Integrou o júri do Oceanos ? Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa em 2018, 2019 e 2020 e o júri do Prêmio Jabuti em 2019, na categoria Biografia, Documentário e Reportagem. Vive em São Paulo, em meio às estantes com as obras que já leu e às pilhas com os livros dos quais ainda não passou da página 5.

Colunista do UOL

25/01/2021 09h40

Se eu toparia participar de uma edição do Big Brother Brasil? É claro que sim. Passar uns dias num canto diferente, não ter nem como me preocupar com uma porrada de problemas, ficar sem saber dos vexames do São Paulo, não gastar dinheiro com comida e cerveja durante um tempo e ainda, quem sabe, sair da bagaça milionário ou como subcelebridade pronta para faturar com participações em eventos de gosto duvidoso. Não me parece o pior dos mundos, apesar da gente estranha que passaria semanas berrando na minha orelha.

Levaria livros para dentro da casa. De pronto, o óbvio seria aproveitar a reclusão para tentar me entender com certas obras. Como a quantidade de títulos que cada pretendente a rico pode carregar é limitada, daria preferência aos tijolos. "Vermelho e o Negro", do Stendhal, disputaria um espaço na mala com "Detetives Selvagens", do Roberto Bolaño. Alguma edição reunindo os sete volumes de "Em Busca do Tempo Perdido", do Proust, poderia ser uma boa. Talvez tentasse enganar a produção fingindo que o box com a obra completa da Henriqueta Lisboa que a Peirópolis acabou de lançar se resume a um único livro, não três.

Para encher o bolso com dinheiro, não a cabeça com ideias, talvez fosse melhor adotar outra estratégia. Escolher livros que sirvam de ponte com quem está do lado de fora, que comunique algo a diferentes públicos. Alguma autoajuda cheia de dicas estapafúrdias para crescimento pessoal e financeiro poderia me deixar encaminhado para a futura carreira de coach. Uma edição bonitona da "Bíblia" me aproximaria de quem desconhece a laicidade (a política está aí para provar que esse povo é maioria). Um livro como "Ayrton Senna: Guerreiro de Aquário", do Edvaldo Pereira Lima, me colocaria numa situação privilegiada: estar associado a um cara tido como herói nacional e ainda acenar aos descolados que acreditam em signos; encher a boca para falar de horóscopo me parece estar na moda.

Poderia pensar em livros para engrenar papos com o povo da casa. Algum romance mequetrefe, uma biografia de personagem interessante, tantos bons autores que merecem atenção... Só não sei se desejaria muita conversa com a galera. Talvez fosse melhor ficar quieto no meu canto até ser colocado pra fora. Daí não teria nem projeção para coach, é verdade, mas paciência. Pensando aqui, poderia me transformar no próprio Bartleby. "Rodrigo, hora da prova do líder", diria o mala de sapatênis, ao que eu responderia: preferiria não fazer.

Bem... E teria também a alternativa do tiozão cult do churrasco. Não, não é uma grande sacada levar "1984", do George Orwell, para dentro da casa do Big Brother.

Você pode me acompanhar também pelas redes sociais: Twitter, Facebook, Instagram, YouTube e Spotify.