PUBLICIDADE
Topo

Mauricio Stycer

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

União de Penha e Leila contra Belizário oferece rara alegria em Amor de Mãe

Penha (Clarissa Pinheiro) e Leila (Arieta Corrêa)  festejam o triunfo após a morte de Belizário (Tuca Andrada), em Amor de Mãe - Reprodução
Penha (Clarissa Pinheiro) e Leila (Arieta Corrêa) festejam o triunfo após a morte de Belizário (Tuca Andrada), em Amor de Mãe Imagem: Reprodução
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

02/04/2021 15h39

Em 28 de fevereiro de 2020, há mais de um ano, Manuela Dias deixou claro o carinho que tinha pela personagem Penha (Clarissa Pinheiro). Num diálogo com Magno (Juliano Cazarré), coube a ela explicar por que em "Amor de Mãe" não há vilões:

"Não dá para julgar a vida dos outros. Eu me apaixonei pelo Belizário, você quase matou um cara, a Leila te denunciou pra polícia. Se for pensar bem, né, todo mundo tem o seu telhado de vidro", disse Penha.

Espantado, Magno disse: "Não é possível. A Leila não tem nem como saber da minha briga com Genilson". E Penha revelou: "Sabia, sim, porque fui eu que contei".

Ex-mulher do policial Wesley (Dan Ferreira), Penha enveredou para lado do crime ao se apaixonar justamente pelo homem que matou seu marido, o policial corrupto Belizário (Tuca Andrada).

Ainda na primeira fase, durante uma prisão de Belizário, Penha assumiu a gerência dos negócios ilícitos do amante no bairro Passeio. E Leila (Arieta Corrêa), expulsa da casa de Lurdes (Regina Casé), foi morar com a amiga. Há uma passagem de tempo, o policial sai da prisão e, ao voltar para casa, se sente atraído justamente por Leila.

Um ano depois, em março de 2021, quando "Amor de Mãe" retorna com 23 episódios inéditos, houve outra passagem de tempo e Penha está presa. Belizário, dividindo a casa com Leila, não dá o menor sinal de preocupação com a mulher na cadeia e ainda tenta ficar com a amiga dela.

Eis, então, que Leila rouba dinheiro do ex-policial e ajuda a financiar a fuga de Penha da cadeia. No capítulo de quinta-feira (01), finalmente, Belizário revê a mulher. Ele chega em casa e encontra Penha e Leila.

Penha serve um jantar envenenado para Belizário e, assim que ele começa a sentir os efeitos, ela diz: "Fiz essa comida pensando muito na nossa história, em tudo que você fez pra mim, pros outros. Sabe em quem eu pensei muito quando fiz esse picadinho? No Wesley."

Belizário - Reprodução - Reprodução
Belizário (Tuca Andrade) morre após ser envenenado por Leila (Arieta Corrêa) e Penha (Clarissa Pinheiro)
Imagem: Reprodução

Leila, então, começa a descrever para Belizário como ele reagirá ao envenenamento. Esbanjando sadismo, ela diz: "Ih, já está dando peso na nuca. Estica as pernas que vai começar a ficar formigando. É desagradável. A boca vai ficar seca e talvez você espume um pouco. Ó, tá com sede. É normal. Relaxa."

Sem Belizário (um dos melhores papéis de Tuca Andrada em novelas), Penha assume o comando da associação criminosa no Passeio. O principal cliente, Álvaro (Irandhir Santos), aceita a situação, assim como todos os subordinados do ex-policial.

Bebendo champanhe, ao som de "Folhas Secas", de Nelson Cavaquinho, Penha e Leila festejam a vitória e, num plano rápido, se beijam na boca.

Foi uma boa surpresa de "Amor de Mãe" nesta segunda fase. Ainda que temperada com violência, a morte cruel de Belizário teve um efeito catártico após 16 capítulos de muito sofrimento para o espectador. E a união de Penha e Leila coroa a trajetória de duas personagens complexas da novela. Mesmo não sendo protagonistas, as duas boas atrizes mereceram histórias interessantes e ótimas cenas na trama.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL