PUBLICIDADE
Topo

Mauricio Stycer

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Sem ambição, "Vem Pra Cá" repete programas matinais e não traz nada de novo

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

22/03/2021 11h39Atualizada em 22/03/2021 16h13

Moda, culinária, saúde, jardinagem e fofoca. Esses são os pilares do programa que o SBT estreou na manhã desta segunda-feira (22), com Patrícia Abravanel e Gabriel Cartolano no comando. A atração não mostrou nada, absolutamente nada de novo. Mas claramente não tinha esta intenção.

"Vem Pra Cá" nasce com a ambição de ocupar 90 minutos da grade matinal da emissora com amenidades e atrair publicidade (na estreia, exibiu comerciais de produtos de limpeza, higiene pessoal, remédio e refrigerante) sem gastar muito. Cumpriu o objetivo.

Um cenário bonito e amplo, erguido numa área externa do SBT, ofereceu espaço para que os especialistas se mantivessem distantes uns dos outros.

Ao vivo, a estreia mostrou os apresentadores um pouco afoitos, num tom de animação exagerado, competindo para ver quem interrompia mais os convidados. Algo que pode ser corrigido sem maior dificuldade.

O problema para o qual não parece haver solução é a falta de ambição de fazer algo mais contemporâneo e provocador. Mesmo tratando de temas da atualidade, o programa optou sempre pela abordagem mais convencional.

Tanto a ex-Miss Brasil Monalysa Alcântara, dando uma dica sobre como gastar pouco para se vestir, quanto a pediatra Kelly Oliveira, falando sobre a importância de afastar as crianças do computador, reproduziram banalidades. As duas tiveram pouco tempo para expor seus pontos de vista e funcionaram basicamente como "escadas" da apresentadora principal.

Mas foi no "giro de notícias", com "os fatos mais importantes do dia", que o "Vem Pra Cá" deixou claro o seu medo de falar da realidade. Rapidamente, uma jornalista informou que chegou ao Brasil um novo lote de vacinas (notícia de ontem), avisou que hoje começa o outono e é o Dia da Água e relatou que cresce no Brasil o download de aplicativos de saúde.

Todas estas notícias poderiam gerar conversas dentro do estúdio. Poderiam ser desdobradas, analisadas, comentadas ou explicadas. Mas não parece ser o que o novo programa quer.

O mesmo vale para o "giro de fofocas", lido com tanta pressa e afobação, que soou quase incompreensível. Por que não conversar um pouco, comentar, trocar ideias sobre o que foi anunciado?

É só uma estreia e tudo pode mudar amanhã. Ainda mais na emissora de Silvio Santos. Mas, por enquanto, "Vem Pra Cá" não trouxe nada diferente ou melhor do que já vemos na Globo, na Record, na Band e na Gazeta.

Audiência da estreia

Dados prévios de audiência indicam que o programa teve média, em São Paulo, de 3,4 pontos. No horário, entre 9h30 e 11h, a Globo liderou com 8,1 pontos, seguida da Record, com 5,3. No Painel Nacional de Televisão, que reúne dados de 15 grandes centros urbanos, "Vem Pra Cá" marcou média de 2,8 pontos. A Globo liderou com 7,4, seguida da Record, com 4,9.

Esses números podem sofrer alteração amanhã, quando o Kantar Ibope divulgar as médias consolidadas.

Siga a coluna no Facebook, Twitter e Instagram.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL