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Mauricio Stycer

Pipoca ou camarote? Precisamos falar sobre a "fazendização" do BBB

BBB 21: Arthur Picoli não reconhece Projota: "Desculpe perguntar: Te conheço de algum lugar?" - Reprodução/Globoplay
BBB 21: Arthur Picoli não reconhece Projota: "Desculpe perguntar: Te conheço de algum lugar?" Imagem: Reprodução/Globoplay
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

25/01/2021 23h53

Em 2020, a Globo quebrou uma regra que parecia imutável no "Big Brother Brasil": o convite a pessoas conhecidas. Utilizado em outros países, como a Inglaterra, a estratégia de escalar um elenco com celebridades parecia que nunca ocorreria no Brasil. Mas rolou - e foi um sucesso enorme.

Ainda assim, a Globo foi cautelosa na escolha dos nove "famosos" que, em 2020, formaram o grupo batizado de Camarote. O título se explica pelo fato de essas pessoas entrarem no programa com o privilégio de serem conhecidas, ainda que não muito.

É difícil determinar o grau de fama de uma pessoa, mas eu diria que os nove escolhidos eram conhecidos em determinados nichos, mas nenhum era universalmente famoso - alguns dos "famosos" eram até desconhecidos por grande parte do público.

Entre os convidados, havia um ator (Babu Santana), um surfista (Lucas Chumbo), um ginasta (Petrix), duas cantoras (Manu Gavassi e Gabi Martins) e quatro influenciadores digitais (Bianca Andrade, Rafa Kalimann, Mari Gonzalez e Pyong).

Já na edição 2021, que começou nesta segunda-feira (25), a direção decidiu apostar em figuras um pouco mais conhecidas e com fama além das redes sociais, onde, inclusive, já têm milhões de seguidores antes de entrarem no BBB.

Figuras um pouco mais conhecidas, mas nem tanto. Na dúvida sobre quem era quem na estreia, a melhor pergunta foi: "Pipoca ou Camarote?" Ou como disse Arthur Picoli para Projota: "Desculpe perguntar: Te conheço de algum lugar?" Um claro sinal de que os famosos talvez sejam menos famosos do que pensam.

Neste grupo que, em tese, sai com vantagem, estão dois cantores/atores (Fiuk e Lucas Penteado), uma atriz (Carla Diaz), quatro cantores (Projota, Karol Conká, Pocah e Rodolffo) e três celebridades das redes sociais: (Camilla de Lucas, Viih Tube e Nego Di - este também humorista).

Carla Diaz, no momento, aparece em duas reprises da Globo, "Laços de Família" e "A Força do Querer". E Fiuk é um dos protagonistas desta última. Projota é figurinha fácil no "Faustão", "Altas Horas" e no próprio "BBB", cantando em shows do programa.

Karol Conká, igualmente, já passou por todos os programas da Globo, incluindo o sofá de Fátima Bernardes, "Mister Brau" e até o "Tá no Ar", além de cantar a música de abertura de "Malhação - Viva a Diferença", atualmente em exibição.

Lucas Penteado está no elenco desta mesma "Malhação". Pocah também já cantou no "Faustão" e no "Altas Horas".

O que isso quer dizer? Em primeiro lugar, indica que o "BBB" se tornou, de fato, uma boa opção de trabalho para artistas conhecidos, como ocorre com "A Fazenda", da Record. Ainda mais durante a pandemia, com dificuldades de fazer shows e apresentações, muitos devem ter recebido o convite da Globo com enorme satisfação (e não apenas pelo cachê que receberão, mas também pensando nos benefícios que tamanha exposição trará em matéria de negócios e publicidade).

Em segundo lugar, ao abraçar participantes famosos, o programa da Globo perde a característica que o diferenciava do concorrente da Record, cujo elenco é formado por subcelebridades.

Como apontaram vários espectadores no Twitter, "precisamos falar sobrer a fazendização do Big Brother Brasil".

A julgar pelos números de audiência do ano passado, e dos investimentos em publicidade já garantidos este ano, a aposta é que dará muito certo, garantindo uma sobrevida à atração que está no ar desde 2002.