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Após polêmica do "Jesus gay", Natal do Porta será "Teocracia em Vertigem"

Fabio Porchat, roteirista de "Teocracia em Vertigem",  acompanha as filmagens do Especial de Natal de 2020 do Porta dos Fundos -  Daniel Chiacos
Fabio Porchat, roteirista de "Teocracia em Vertigem", acompanha as filmagens do Especial de Natal de 2020 do Porta dos Fundos Imagem: Daniel Chiacos
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

23/09/2020 09h07

Um ano depois de provocar a ira de grupos religiosos e conservadores com o especial "A Primeira Tentação de Cristo", protagonizado por um Jesus Cristo gay, o Porta dos Fundos mostra que não perdeu a disposição nem a coragem.

O novo especial de Natal do grupo, que estreia na primeira semana de dezembro, vai se chamar "Teocracia em Vertigem" (em inglês, "The Edge of Theocracy"). Trata-se de uma paródia do premiado documentário "Democracia em Vertigem", que concorreu ao Oscar no início deste ano. De Petra Costa, o filme trata do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Com 25 depoimentos, incluindo participações dos apóstolos, de Pôncio Pilatos e de testemunhas anônimas da história, o documentário do Porta dos Fundos ambiciona contar "a verdadeira história por trás do golpe que levou à crucificação de Jesus Cristo".

Fábio Porchat, autor do roteiro, informa que há muitas analogias com a situação atual do país e do mundo. "Cristo mereceu. Quem mandou defender bandido, defender prostituta", diz um depoimento de "Teocracia em Vertigem". Em outra passagem, Pilatos fala do seu projeto de erguer um muro em Jericó para evitar a entrada de imigrantes.

Porchat viverá Jesus em "Teocracia em Vertigem". O personagem não fala, apenas canta. Petra Costa topou fazer uma participação especial no documentário.

A ideia do especial foi de Gabriel Esteves, um dos roteiristas do Porta. O projeto nasceu da impossibilidade de gravar normalmente, por causa da pandemia, com a presença de dezenas de pessoas juntas. O formato de documentário permitiu a gravação de depoimentos individuais, de forma caseira, e será recheado com imagens de outros especiais.

Desde 2013, o Porta produz especiais de Natal iconoclastas e debochados e os divulga no You Tube. Em 2018, com "Se Beber, Não Ceie", o grupo estabeleceu uma parceria com a Netflix. O programa ganhou o Emmy Internacional.

Em 2019, foi a vez de "A Primeira Tentação de Cristo", que teve um outro tipo de repercussão. O especial chegou a ser censurado pela Justiça e motivou um grupo de extremistas a jogar uma bomba na sede da produtora.

Entre as maiores polêmicas está o Jesus Cristo gay, interpretado por Gregório Duvivier, que se relaciona com o jovem Orlando (Fábio Porchat). Além disso, Deus (Antonio Tabet) vive um triângulo amoroso com José (Rafael Portugal) e Maria (Evelyn Castro).

A parceria foi desfeita este ano - a Netflix, como revelou esta coluna, nem inscreveu o especial no Emmy Internacional. E o Porta dos Fundos acabou decidindo voltar a produzir o especial por conta própria e exibi-lo no seu canal no You Tube, que conta com 16,5 milhões de assinantes.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL