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Emmy critica Trump, rejeita o racismo e festeja o papel da TV na pandemia

"É claro que não temos público. Isso aqui não é um comício do Trump", disse o apresentador Jimmy Kimmel na abertura do Emmy 2020 - Mike Blake
"É claro que não temos público. Isso aqui não é um comício do Trump", disse o apresentador Jimmy Kimmel na abertura do Emmy 2020 Imagem: Mike Blake
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

21/09/2020 01h13

Num raro momento sério do seu número de abertura no Emmy 2020, Jimmy Kimmel disse: "Nos bons e nos maus momentos, em todos os dias da sua vida pesada, a televisão está lá para você. O mundo pode ser terrível, mas a TV nunca foi tão boa".

A cerimônia anual é sempre uma celebração da própria indústria, mas esse ano, por causa da pandemia de coronavírus, foi especial. Num recado a quem não usa máscaras e não acredita na importância do isolamento social, a entrega do prêmio foi inteiramente virtual.

Referindo-se diretamente a Donald Trump, Kimmel disse: "É claro que não temos público. Isso aqui não é um comício MAGA (as iniciais de 'Make America Great Again', o slogan do presidente americano)".

Todos os candidatos foram conectados ao vivo pela internet, a partir de onde estavam (na sala ou no escritório de casa, em hotéis etc). Alguns dos vencedores receberam os troféus; outros não. Muitos fizeram seus discursos de agradecimento sentados no sofá, cercados de parentes.

Na sala da casa de Zendaya (melhor atriz por "Euphoria"), uma amiga estava sem sapatos. Tocou um telefone bem na hora em que equipe de "Succession" agradecia o prêmio de melhor série dramática do ano. Informalidade total. O microfone de Kimmel emudeceu antes que ele pudesse anunciar o tributo aos artistas mortos em 2020.

Houve inúmeras homenagens a trabalhadores de setores essenciais, carteiros, faxineiros, enfermeiros, médicos, que não deixaram de prestar os seus serviços durante a pandemia. Vários foram escalados para anunciar prêmios em algumas categorias.

Outro tema dominante da noite foi a celebração da maior representatividade racial na indústria de televisão e as muitas críticas ao persistente racismo e à violência policial contra negros nos Estados Unidos. O slogan "Vidas negras importam" foi mencionado várias vezes durante a cerimônia.

A vitória de "Watchman" coroou o tom antirracista da noite. Além de melhor minissérie, o programa da HBO deu a Regina King o prêmio de melhor atriz, a Yahya Abdul-Mateen II o de melhor ator coadjuvante e Damon Lindelof e Cord Jefferson ganharam por melhor roteiro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL