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Mauricio Stycer

Apoio da cúpula da CNN a Coppola explica saída de Botelho do Grande Debate

Augusto de Arruda Botelho, Monalisa Perrone e Caio Coppolla no Grande Debate, da CNN Brasil  - Reprodução / Internet
Augusto de Arruda Botelho, Monalisa Perrone e Caio Coppolla no Grande Debate, da CNN Brasil Imagem: Reprodução / Internet
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

09/07/2020 22h08Atualizada em 09/07/2020 23h20

Para entender a saída de Augusto de Arruda Botelho do quadro "O Grande Debate" é preciso voltar ao programa de terça-feira (07), no qual ele acusou o seu oponente, Caio Coppola, de divulgar fake news sobre a pandemia de coronavírus.

Na quarta (08), Coppola usou o tempo inicial que dispunha para responder à acusação do advogado criminalista. Falou por sete minutos em defesa da sua honra, criticando Botelho. Em seguida, sucintamente, seu oponente reconheceu que errou. "O que você faz é falácia argumentativa, não é fake news", disse Botelho.

O debate, então, ocorreu em torno do tema proposto (a volta dos campeonatos de futebol) até que, na sua fala final, Coppola retornou ao assunto citado no início, dando a entender que contava com o apoio da direção da CNN.

"Ofensas pessoais são inadmissíveis num ambiente de excelência, especialmente alegações de práticas que configuram ilícitos", disse. E completou: "Em conversa com a vice-presidência da CNN, que atestou que eu estava coberto de razão, me foi informado que por uma questão editorial a empresa não poderia fazer uma nota interferindo no conteúdo do debate."

Coppola estava se referindo ao vice-presidente de conteúdo da CNN Brasil, Américo Martins. Este colunista apurou que, ainda na noite de quarta, diante de vários executivos do canal, Botelho cobrou um posicionamento de Martins, que negou ter dado aval a Coppola.

A fala de Coppola não foi questionada no ar pela apresentadora Monalisa Perrone, confirmando a impressão de que o comentarista contava com o respaldo da cúpula do canal. Nem houve qualquer desmentido da CNN nesta quinta-feira. Coppola continuou escalado para "O Grande Debate". Botelho pediu para sair.

Procurado, o vice-presidente da CNN disse, por meio da sua assessoria, que o assunto foi resolvido internamente. "Os representantes da área de conteúdo não interferem em análises realizadas por seus comentaristas. A iniciativa de Caio Coppola foi discutida após o término do programa e devidamente esclarecida internamente".

A CNN não respondeu ao ponto levantado pela coluna. Coppola apresentou ao espectador não uma análise, mas um bastidor interno, e não foi corrigido ou desmentido publicamente.

Após a publicação deste texto, a CNN enviou uma nova nota, negando que Botelho tenha cobrado um posicionamento do canal. Procurado pela coluna, o advogado não quis comentar os motivos da sua saída do quadro.

A nota da CNN diz: "A saída de Augusto Botelho de 'O Grande Debate' não está ligada ao fato relatado na matéria. Ele não cobrou nenhuma posição da direção pois sempre esteve consciente da dinâmica do formato e que a direção não toma partido de nenhum dos lados. O objetivo maior é promover um amplo debate de ideias para que o público possa refletir. Augusto decidiu que não quer voltar a debater com Coppolla. A CNN antecipou seu período de 10 dias de folga (de segunda para hoje). Quando retornar, será definido como atuará."

Reafirmo as informações apuradas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL