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Nem as lives musicais escapam da polarização política e da polêmica

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

20/04/2020 09h45

As apresentações musicais ao vivo durante a quarentena mostraram que é possível produzir bom entretenimento fora do modelo tradicional de fazer televisão. Não à toa, Globo e Record já entraram no ramo, se associando a Roberto Carlos e Fernando & Sorocaba, respectivamente.

Mas, num pais tão polarizado como está o Brasil, não surpreende que até mesmo estas lives musicais tenham dividido o público em torcidas ruidosas.

A recente live de Gusttavo Lima talvez seja o melhor exemplo. O cantor sertanejo atraiu milhões de espectadores durante um longo show em sua casa na semana passada. Além de cantar os seus sucessos, a apresentação foi marcante por outros motivos.

O cantor bebeu muito, até fez gargarejo com cerveja, e fez muita publicidade de bebida alcoólica. O Conar, Conselho de Auto-regulamentação publicitária, abriu uma representação ética contra o cantor e a marca que o patrocinou:

"A denúncia cita a falta de mecanismo de restrição de acesso ao conteúdo das lives a menores de idade e a repetida apresentação de ingestão de cerveja, em potencial estímulo ao consumo irresponsável do produto", diz o texto da ação.

O cantor também foi criticado por comentários machistas e por ter lambido o nariz de um músico durante a live. E respondeu: "Acho que uma Live engessada e politicamente correta não tem graça" O bom são as brincadeiras, a vontade, levar alegria alto astral para as pessoas que estão agoniadas nesse momento. Não farei Live pra ser censurado".

O presidente Jair Bolsonaro e seu filho Eduardo saíram em defesa de Gustavo Lima: "Minha solidariedade ao cantor @gusttavo_lima, que vem sendo injusta e covardemente atacado após a grande live que fez dentro de sua própria casa. Ele e outros artistas sertanejos e de demais gêneros, têm sido grandes heróis nessa luta contra a COVID19 e merecem aplausos!", escreveu o presidente.

Outro programa musical que dividiu opiniões foi o "One World: Together At Home", um festival online organizado pela OMS com curadoria de Lady Gaga. A parte final do show foi ao ar, nos EUA, simultaneamente em três grandes redes de TV.

Muita gente aqui no Brasil achou que as lives dos sertanejos foram mais divertidas que o show comandado por Lady Gaga. Verdade. O evento americano foi muito mais sóbrio, possivelmente porque a pandemia de coronavírus é uma realidade muito mais dolorosa e trágica hoje nos EUA do que no Brasil.

Achei muito bonito o evento e fiquei me perguntando se algum dia Globo, SBT e Record seriam capazes de se unir para exibir um evento semelhante com músicos brasileiros... Acho que tô sonhando...

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL