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Leonardo Rodrigues

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Anitta deu vitrola e vinil a grupo de influencers; mas que disco é esse?

Anitta mostra bastidores de Girl From Rio em novo vídeo (Créditos: Divulgação) - TodaTeen
Anitta mostra bastidores de Girl From Rio em novo vídeo (Créditos: Divulgação) Imagem: TodaTeen
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Leonardo Rodrigues

Leonardo Rodrigues é jornalista do UOL, com passagem pela Folha de S.Paulo. Também é colecionador de LPs e luta para que, um dia, toca-disco deixe de ser confundido com vitrola.

Colunista do UOL

05/05/2021 04h00

Em meio a um Vinicius de Moraes desconstruído e aos 'corpos reais' exibidos no clipe de "Girl from Rio", lançado na semana passada, uma informação passou praticamente despercebida na campanha de lançamento da nova música de Anitta.

A não ser para esta coluna e seu datilógrafo louco por LPs.

A cantora e a Warner distribuíram a um grupo seleto de jornalistas e influencers um kit de divulgação caprichado trazendo, entre outros mimos, uma vitrolinha-maleta e um disco contendo um trecho da música.

não, este colunista não recebeu o press kit. Felizmente, ele ainda não foi acometido pelo mal da influência.

É possível gostar ou não do que Anitta faz, mas precisamos admitir: ela acertou mais uma vez ao tirar do bolso de sua calça jogger esportiva outra bela sacada de marketing.

O 'jabá' —como é conhecido os 'presentinhos' a jornalistas— em questão é fofo, tem design e cruza perfeitamente com a estética mezzo-retrô do videoclipe.

Mas estamos aqui para falar de um tópico específico: o disquinho que acompanha o 'recebido'. Ele não é um LP. Nem um EP ou um single. Trata-se de um flexi-disc.

Mas que raios é isso?

Resumindo: flexi-disc é um disquinho plástico dobrável e tão flexível quanto o nome indica. Possui sete polegadas e uma espessura não muito distante da de uma folha de papel.

Diante dessa limitação, há espaço para música —cerca de três minutos— em apenas um de seus lados.

Mas os flexi não são novidade. Existem comercialmente desde os anos 1960 e foram relativamente populares no par de décadas seguintes, principalmente entre crianças e adolescentes nos EUA e Europa.

Antes da portabilidade proporcionada pelos CDs, eles eram vendidos na maioria das vezes encartados em revistas e livros, com áudios "complementares" a conteúdos impressos.

Ele podia conter uma canção, um texto falado ou um jingle. Um produto barato e promocional pela própria natureza —chegou a acompanhar publicações de música a computação e até promoções do McDonald's.

Mas e o som deste objeto que mais parece um cartão postal? Presta?

Não dá para dizer isso. Em função da gramatura diminuta, a qualidade é nitidamente inferior à de vinis tradicionais, com suas dinâmicas e profundidades sonora.

Os flexi-discs estão mais para um brinquedinho curioso e colecionável. E é isto que provavelmente acontecerá com o de "Girl from Rio", com sua tiragem limitadíssima: virar objeto da sanha de colecionadores.

Ainda: o novo disquinho de Anitta ostenta, impressa em sua superfície, a capa do single da faixa, um dos memes mais reproduzidos dos últimos tempos. Alegria da juventude.

Ou seja, como podemos ver acima, além de flexi, ele também é um "picture disc" —aqueles vinis descolados com artes e logos de artistas 'plotados' entre os sulcos.

Bem, se você tiver a sorte (ou azar) de manusear um flexi-disc, aqui vai duas dicas relevantes

  1. Na hora de colocá-lo para tocar no seu toca-disco --ou vitrola--, posicione por baixo outro disco para servir de 'cama'.
  2. Inclua sobre o selo --a parte central do disco-- uma moeda ou qualquer outro peso equivalente.

Isso melhorará o som e dará sustentação e estabilidade ao conjunto prato/disco, impedindo que a agulha salte para onde não deve e estrague sua diversão. Muitos flexi-discs, aliás, já contam com espaço delimitado para os pesinhos.

Flex-disc do Soundgarden - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Você é maluco o suficiente para colecionar flexi-discs ou simplesmente ficou interessado em ter um deles, já que ainda são fabricados por selos e bandas lá fora? Então pode começar sua aventura clicando aqui, aqui e também aqui.

E o mais importante de tudo: continue tocando seu disco, seu CD, sua fita K7 e o streaming que roda no seu celular e mentalmente dentro do seu cérebro.

E até o próximo post.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL