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Ilha no norte do Pará abriga praias desertas e um lago encantado

Daniel Ribeiro

Do UOL, em Maracanã (PA)

29/05/2014 08h00

Quando pensamos na região norte logo nos vêm à cabeça imagens de floresta e rios. Graças a isso, as praias do norte ainda não foram tomadas pelos turistas e preservam muitos de seus encantos naturais, desfrutados pelos nativos e estrangeiros, que exploram a região muito melhor que os demais brasileiros. Maiandeua é uma ilha no norte do Pará com praias paradisíacas, rios e um lago onde, segundo a lenda, mora uma princesa. A ilha dessa princesa guarda muitas surpresas aos turistas dispostos a caminhar, já que carros não são permitidos ali.

Partindo de Belém, o turista deve tomar um ônibus ou van até Marudá (PA) e, de lá, um barco que levará 40 minutos até Algodoal, a maior vila da ilha. Maiandeua é uma Área de Preservação Ambiental do Governo Federal (APA) e, por isso, os únicos meios de se locomover na região são a pé ou de carroça. Os cavalos podem ser a primeira visão que o turista terá ao desembarcar ali, além de uma longa praia com poucas casas.

Todos os passos na vila de Algodoal são em areia. Não há asfalto e é comum ver cachorros dormindo no meio da rua, menos no horário de pico, depois do pôr do sol. Como é muito caro construir na ilha, as pousadas apresentam uma estrutura bastante semelhante e simples.

Porto de Algodoal, na ilha de Maiandeua, no fim da tarde - Daniel Ribeiro/UOL - Daniel Ribeiro/UOL
Porto de Algodoal, na ilha de Maiandeua, no fim da tarde
Imagem: Daniel Ribeiro/UOL

Na frente da vila de Algodoal fica a praia da Caixa D'água. Pouco depois do pôr do sol, barracas de bebidas e lanches são montadas na areia e os bares e pousadas de frente para o mar começam a tocar música em alto (muito alto) e bom som. Pelo menos durante a alta temporada, o reggae domina a região e não se ouve muito brega ou technomelody, ritmos populares no norte. O carimbó é popular, mas é preciso procurar. Os nativos saberão indicar onde o turista pode ouvir música local a cada dia.

A maior e mais preservada beleza da ilha é a praia da Princesa, que é deserta. O trecho anterior é conhecido como praia da Princesinha, onde os turistas passam o dia. Apesar de desabitada, ela é contornada por bares. Para chegar ali, o turista caminha de Algodoal até o fim da vila e, se a maré estiver alta, paga a um canoeiro para atravessar um canal.

Quando a maré está baixa dá para atravessá-lo com a água na altura do joelho. Outra maneira é ir de carroça, mas é caro e pouco confortável. Do canal o visitante ainda caminhará por mais 15 minutos até chegar aos bares, quando terá a árdua tarefa de escolher um deles para passar a tarde alternando mergulhos, drinques e petiscos.

Dali em diante começa a praia da Princesa, vazia e tranquila. A faixa de areia é larga e, quando a maré baixa, piscinas naturais se formam ao longo de seus 14 quilômetros. Nas áreas mais isoladas ainda há ocorrência de desova de tartarugas e os peixes são abundantes no mar. É comum mergulhar ao lado de cardumes.

Saindo da praia da Princesa por uma trilha de dois quilômetros de areia fofa e dunas, o turista chega ao Lago da Princesa, de água escura e propícia para banho, também conhecido como lago de Coca-Cola. Uma lenda local conta que, nas noites de lua cheia, uma princesa aparece sobre as águas vestida de branco e aquele que ousar olhar em seus olhos é seduzido e levado para o fundo do lago. Ele fica entre dunas de areia, com vegetação em volta, e a temperatura agradável da água, assim como a paisagem exótica, atraem muitos banhistas que preferem a água doce. Na margem do lago, durante a alta temporada, há dois bares que servem refeições, mas na praia há mais variedade.

Piscinas naturais são opção para quem prefere ficar sossegado sem precisar desviar das ondas na Praia da Princesa em Maiandeua  - Daniel Ribeiro/UOL - Daniel Ribeiro/UOL
Piscinas naturais se formam na Praia da Princesa quando a maré baixa
Imagem: Daniel Ribeiro/UOL

Há opções boas e muito baratas para comer na ilha. Os restaurantes e mesmo as refeições são simples, mas muito saborosas. Os peixes mais populares são a pescada e o gó, mais salgado, além de camarão e siri. Os pratos típicos do norte, como vatapá, tacacá e maniçoba são muito oferecidos. Leve dinheiro em espécie, apenas alguns bares e restaurantes aceitam cartões de débito e crédito.

Do outro lado da ilha fica a vila de Fortalezinha, com estrutura turística precária - apenas duas pousadas e praias de mangue. Só os turistas mais aventureiros se arriscam a chegar ali por uma trilha de 11 quilômetros pelo meio da ilha.

Como chegar
Apesar de pertencer à cidade de Maracanã (PA), o melhor acesso para Algodoal é a partir de Marudá (PA), a 182 km de Belém. Do terminal rodoviário de Belém saem ônibus regulares e vans, que custam mais caro, mas são mais rápidas, pois param em menos cidades. Do porto de Marudá saem barcos até às 17h. Chegando em Algodoal, o turista pode seguir de carroça ou a pé.