PUBLICIDADE
Topo

Roupas da farda do meu avô no exército hoje fazem parte da minha história

Marcos de Lima - Arquivo Pessoal
Marcos de Lima
Imagem: Arquivo Pessoal

Marilia Marasciulo

Colaboração para Nossa

29/03/2021 04h00

Marcos de Lima

Marcos de Lima

Profissão

Designer e ilustrador

Minha roupa com história

Jaqueta militar que meu avô usava no quartel

Meu avô foi militar de 1959 a 1989, ano em que foi reformado. Na infância e adolescência, de tempos em tempos a minha avó organizava armários antigos e era muito legal, porque a gente parava pra ver fotos, ouvir histórias e ver as roupas antigas que ela guardava. De vez em quando ela pegava algumas para voltar a usar, outras voltavam para o armário para ficar de lembrança.

Em 2008, final da adolescência, abrimos mais uma vez os armários e dei de cara com várias roupas da farda do meu avô da época do exército. Naquela época nem lembro se estava muito na moda roupa militar, mas eu fiquei maluco pelas jaquetas e pelas calças, porque ninguém teria nada igual a elas. Pedi para a minha avó e ganhei três padrões de jaqueta, uma que era para ocasiões especiais, com um tecido mas fino, e duas de algodão, acho que o tecido é brim. Uma delas acho que ele nem tinha usado, mas a outra tinha o sobrenome dele, Tavares, e a divisa dele, de terceiro sargento. Essa virou a minha favorita.

O designer Marcos de Lima - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
O designer Marcos de Lima
Imagem: Arquivo Pessoal

Segundo o meu avô, era a farda que ele usava para sair do quartel e voltar para casa, para usar na rua. Adoro essa jaqueta e foi uma peça de roupa que usei exaustivamente durante a adolescência. Usava com o uniforme da escola, para ir para a igreja, em aniversários, passeios.

Jaqueta traz o sobrenome Tavares - Marcos Bacon - Marcos Bacon
Jaqueta traz o sobrenome Tavares
Imagem: Marcos Bacon

O verde dela é um pouco mais saturado que a maioria das jaquetas militares que vejo por aí, o que acho bem legal também. Também gosto que ela não é muito quente, então posso usar com regata por baixo quando estou em Recife, ou em um dia mais frio quando estou em São Paulo

Sempre fui adepto de mudanças no visual. De vez em quando raspo o cabelo todo, já deixei ele crescer até o ombro, já descolori, pintei, já pedi o corte da moda? Meu estilo de roupa também muda. Mas essa jaqueta está sempre comigo. Cresci em Recife com ela, me mudei para São Paulo e ela estava lá, já viajei com ela, usei ela em mil ocasiões.

Acho que ela faz com que eu me sinta que mesmo que o mundo e eu mudemos radicalmente, ainda assim eu vou continuar sendo o mesmo".

Marcos de Lima - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Por mais que tenha passado por diferentes fases em sua vida, jaqueta do avô o acompanhou em todas elas
Imagem: Arquivo Pessoal

No fim do ano passado, voltei a morar em Recife e nesse processo eu desapeguei de muita coisa. Outras roupas que tinham muita história foram embora, mas essa jaqueta quero levar para a vida toda. Ela já tem alguns buracos, faltam alguns botões, as divisas estão saindo? Mas até esse aspecto desgastado eu acho legal. Pretendo usar por muitos anos ainda, já até me imagino usando ela bem velhinho.

Como usar

Fora de serviço

Combinada à calça jeans, camiseta branca básica ou tênis, a jaqueta militar ganha ar descolado, perfeita para um look de dia de folga.

Soldado urbano

Para deixar a jaqueta militar menos dura e com mais cara de cidade, uma dica é apostar em patches e bordados customizados.