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Mais executivos são acusados de receber subornos para apoiar Rússia-2018 e Catar-2022

06/04/2020 21h22

Nova York, 7 Abr 2020 (AFP) - Dois ex-executivos da gigante americana Fox foram acusados de corrupção, fraude bancária e lavagem de dinheiro em Nova York nesta segunda-feira, em uma nova acusação que revelou mais detalhes sobre os supostos subornos pagos aos executivos da Fifa para que Rússia e Catar sediassem as Copas do Mundo de 2018 e 2022.

Dois ex-executivos da American 21st Century Fox, um executivo espanhol da empresa Imagina e a empresa uruguaia de esportes Full Play foram acusados nesta segunda no âmbito do escândalo da mega-corrupção da Fifa.

Os novos réus no Fifagate são os dois ex-executivos da Fox Hernán López, de 49 anos, e Carlos Martínez, 51; o empresário espanhol da Imagina, Gerard Romy, de 65 anos, e a empresa uruguaia de marketing esportivo Full Play, com sede em Buenos Aires e de propriedade dos réus argentinos Hugo e Mariano Jinkis, fugitivos da justiça americana.

A atualização do processo que tramita no tribunal federal do Brooklyn, em Nova York, especifica que os réus Ricardo Teixeira, ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), e o paraguaio Nicolás Leoz, ex-presidente da Conmebol, receberam propinas em troca de votar na candidatura Catar-2022 no Comitê Executivo da Fifa, realizado em dezembro de 2010.

Essa informação já havia sido divulgada durante o julgamento de três acusados em Nova York no final de 2017: o ex-presidente da CBF, José Maria Marín, o ex-chefe da Conmebol, o paraguaio Juan Ángel Napout e o ex-presidente da Federação Peruana, Manuel Burga.

Durante esse processo, o ex-esportista argentino Alejandro Burzaco, testemunha da acusação, disse que Teixeira, Leoz e o ex-chefe de futebol argentino Julio Grondona, já falecido, votaram em Catar-2022 em troca de subornos de mais de um milhão de dólares cada um.

A acusação, atualizada nesta segunda-feira, também garante que Jack Trinner, ex-presidente da Confederação de Futebol da América do Norte, América Central e Caribe (Concacaf), recebeu subornos de 5 milhões de dólares e que foi prometido ao ex-chefe do futebol guatemalteco Rafael Salguero um milhão em troca de seus votos a favor da Rússia para receber a Copa do Mundo de 2018.

Teixeira e Warner estão livres em seus respectivos países, onde nunca foram julgados. Salguero se declarou culpado, colaborou com a justiça dos Estados Unidos e, portanto, foi libertado da prisão quando condenado em dezembro de 2018.

- "Arrancar corrupção pela raiz" -Os dois ex-executivos da Fox e Gerard Romy foram acusados de pagar propinas milionárias a ex-dirigentes da Conmebol, Concacaf e da América Central em troca de contratos lucrativos para a transmissão de amistosos, Copa Libertadores, Copa América e eliminatórias para os mundiais de 2018 e 2022.

"As acusações divulgadas hoje refletem o compromisso contínuo da promotoria de erradicar a corrupção nos mais altos escalões do futebol internacional e em empresas comprometidas em promover e difundir o esporte", disse o advogado de Nova York Richard Donoghue em um comunicado.

Os dirigentes esportivos "precisam entender que serão levados à justiça se usarem o sistema financeiro americano para fins de corrupção", acrescentou.

Romy também é acusado de conspiração para cometer um crime por pagar suborno de 3 milhões de dólares ao ex-chefe da Concacaf Jeffrey Webb, em troca dos direitos de transmissão de eliminatórias para as Copas do Mundo de 2018 e 2022, de acordo com a promotoria.

Cada um dos crimes prevê uma sentença máxima de 20 anos de prisão.

A Full Play e os dois ex-executivos da Fox - ex-executivos seniores das afiliadas da Fox responsáveis pelo desenvolvimento de seus negócios na América Latina - deverão comparecer perante a juíza federal do Brooklyn, Pamela Chen, nesta quinta-feira, anunciou a promotoria de Nova York.

No âmbito do escândalo da Fifa, que eclodiu em 2015, o governo dos EUA acusou cerca de 45 pessoas e várias empresas esportivas de mais de 90 crimes e de pagar ou aceitar mais de 200 milhões de dólares em subornos.

Dos quase 45 acusados, cinco morreram, 26 se declararam culpados e desses, pelo menos seis foram condenados.

Doze ainda estão em seus países, onde foram processados pela justiça local ou são livres enquanto combatem a extradição.

Após o julgamento do Fifagate em Nova York, Marin e Napout foram condenados a penas de prisão. Burga foi absolvido.

lbc/cl/aam

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