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Política divide tridente que reina no tênis mundial

13/03/2019 16h39

Indian Wells, Estados Unidos, 13 Mar 2019 (AFP) - O espanhol Rafael Nadal, o suíço Roger Federer e o sérvio Novak Djokovic dominam o tênis mundial praticamente sem oposição e têm condições de reivindicar uma autoridade moral no esporte. Mas, fora das quadras, há uma divergência em suas opiniões, como exemplifica a eleição do novo presidente da ATP.

Após vencer os últimos três Grand Slams -Wimbledon e os Abertos dos Estados Unidos e Austrália-, Djokovic voltou a mandar dentro das quadras.

O sérvio, eliminado na terça-feira na terceira rodada do Masters 1000 de Indian Wells, é também autoridade fora delas, onde exerce o cargo de presidente do poderoso conselho de jogadores.

E Djoko conseguiu outra vitória antes do começo do torneio no deserto californiano, após a aprovação da decisão de não renovar o contrato do britânico Chris Kermode, presidente da ATP desde 2014.

Djokovic, com 15 títulos de Grand Slam no currículo e 128 milhões de dólares em premiação, se defendeu dos que o acusavam de ter planejado o fim do vínculo com Kermode, um popular ex-jogador de 54 anos cujo mandato à frente da ATP se encerra no fim de 2019.

"Preciso adotar a perspectiva de todos os integrantes da ATP: os jogadores, os torneios, os dirigentes, os representantes dos jogadores e dos torneios... todos formamos parte da mesma entidade", insistiu recentemente o sérvio.

- Aumento das premiações -De fato, a decisão de não renovar o contrato de Kermode foi tomada durante uma votação do conselho de administração da ATP, que contou com a presença de três representantes dos jogadores -mas não Djokovic-, três representantes dos organizadores de torneios e o próprio presidente.

Mas o sérvio nunca escondeu nos últimos meses que não considerava Kermode como o homem adequado para comandar o circuito masculino nem, principalmente, para aumentar os valores das premiações dos torneios.

Contudo, Nadal e Federer não gostaram da notícia, que teria sido tomada sem consultá-los.

"Os que comandam o conselho (de jogadores) não fizeram um bom trabalho já que, como nos representam, deveriam ter perguntado nossa opinião. Não para as decisões pequenas, mas sim para as importantes como essa", declarou o espanhol em Indian Wells.

"Sempre levo meu celular comigo e não recebi uma mensagem sequer sobre isso", lamentou o rei do saibro, 11 vezes campeão em Roland Garros.

Federer também não gostou de como o processo foi encaminhado.

"Tudo vai bem no tênis, menos quando falamos de política, então dizemos: 'Meu Deus, o que está acontecendo'", declarou o suíço, vencedor de 100 torneios da ATP, entre eles 20 Grand Slams.

- "Na mesma linha" -Federer revelou também que Nadal se aproximou recentemente para discutir o futuro do esporte, afirmando que os dois tenistas "estão na mesma linha".

O suíço, magoado por não ter sido consultado por Djokovic, alertou que queria ter novamente um "papel ativo" dentro do funcionamento da ATP, depois de ter sido o presidente do conselho de jogadores de 2008 a 2014.

As eleições para a renovação do conselho, composto por 10 membros, estão previstas para julho de 2020 e a batalha poderia ser maior que as vistas dentro das quadras.

Os representantes dos jogadores tentaram na noite de terça-feira fazer as pazes com Nadal, Federer e outros atletas descontentes.

Além disso, publicaram um comunicado no qual explicaram ter consultado a todos os jogadores e que "a decisão não foi tomada para defender uma ou duas pessoas nem tampouco para favorecer um projeto particular".

"Pensamos que um novo líder vai nos permitir reforçar nossos pontos fortes, nos desenvolver e fazer frente aos novos desafios que aparecerem".

"Mas nos parabenizamos porque vários ícones do tênis querem voltar às discussões políticas e isso nos ajudará na próxima fase de nosso crescimento", concluiu o texto.

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