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Guardiola protege Sterling: "O racismo está em todas as partes"

Catherine Ivill/Getty Images
Imagem: Catherine Ivill/Getty Images

11/12/2018 16h26

O técnico espanhol Pep Guardiola deu apoio a Raheem Sterling, nesta terça-feira, e pediu o combate diário ao racismo depois de o jogador ser agredido verbalmente no confronto entre Manchester City e Chelsea.

"As pessoas se concentram no futebol, mas não está só no futebol. No futebol daria para pensar que estamos seguros, mas o racismo está em todas as partes", declarou o comandante.

"Temos de brigar pelos direitos humanos para criar uma sociedade melhor para o futuro. Hoje é perigoso, não só na Inglaterra, em toda a Europa. A mensagem para os políticos é que devem ser firmes com os direitos humanos e que temos de defender a democracia", acrescentou Guardiola antes do confronto contra o Hoffenheim pela Liga dos Campeões.

No sábado, as câmeras de televisão flagraram torcedores aparentemente atacando o jogador com insultos racistas. O incidente gerou grande consternação no país, marcado pela lembrança sombria das torcidas inglesas dos anos 1970 e 1980.

Em sua conta no Instagram, Sterling acusou vários jornais britânicos de "alimentarem o racismo" pela maneira como se referem aos jogadores negros. O jogador do City recebeu apoio da Associação de Jogadores Profissionais (PFA), que aplaudiu a ação.

"Raheem decidiu falar alto e forte, nós estamos ao seu lado contra a discriminação", disse a PFA em comunicado. Na segunda-feira, o Chelsea anunciou a suspensão temporária de quatro torcedores. O City apoiou a decisão.

Guardiola já foi acusado de racismo

Na mesma entrevista em que defendeu Sterling das supostas ofensas racistas, Guardiola causou polêmica ao dizer que seus filhos vão à escolha com pessoas "indianas, negras e normais". A internet, então, passou a questionar se negros e indianos não seriam "normais".

Além disso, em junho deste ano, Yaya Touré fez graves acusações contra Guardiola. Em entrevista à France Football, o marfinense disse que desejava "acabar com o mito", afirmando que o técnico sentia "ciúmes" dele e o transformou em um rival.

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Imagem: Reuters

"Eu tentei entender. Eu até perguntei em voz baixa sobre minhas estatísticas aos preparadores físicos. E quando eu percebi que elas eram tão boas ou melhores, tanto no treino como no jogo, do que daqueles que jogavam e eram mais novos que eu, entendi que não era uma questão física", disparou.

O marfinense relembrou os problemas com Guardiola desde a época em que estavam no Barcelona. "Ele foi cruel comigo. Você realmente acha que o Barcelona poderia ter feito isso com Iniesta? Cheguei a me perguntar se não era por causa da minha cor."

"Eu não sou o primeiro a falar sobre essas diferenças no tratamento. No Barça, alguns também fizeram a pergunta. Talvez os africanos nem sempre sejam tratados por algumas pessoas da mesma forma que os outros. Ele tem problemas com os africanos onde quer que vá", disse.

Quando questionado sobre o suposto racismo de Guardiola, Touré foi irônico e propôs um desafio: "Ele finge não ter [preconceito] porque é inteligente demais para ser pego. Nunca vai admitir isso. Mas quando escalar um time com cinco africanos não naturalizados, prometo que enviarei um bolo".

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