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Cavani e Neymar: cruz e espada no primeiro clássico do trio "MCN"

Benoit Tessier/Reuters
Imagem: Benoit Tessier/Reuters

23/10/2017 15h52

Marselha, 23 Out 2017 (AFP) - O uruguaio Edinson Cavani salvou o Paris Saint-Germain nos acréscimos do clássico contra o Olympique de Marselha, no domingo, mantendo o time invicto na Ligue 1. A partida foi marcada por um ataque de nervos de Neymar e pelo sumiço do jovem Kylian Mbappé dentro de campo.

O craque brasileiro foi expulso no final do primeiro dérbi francês por conta de dois cartões amarelos, que recebeu depois de responder às provocações dos anfitriões.

"Neymar pode fazer muito, sabemos disso, mas se os adversários buscam onde sente cócegas ou pontos fracos, ele pode explodir. Foi o que vimos", comentou Jocelyn Angloma, ex-zagueiro de PSG e Olympique, ao jornal L'Equipe desta segunda-feira.

Neymar lembrou Ronaldinho em algumas jogadas, como nos dribles do início de jogo e no gol de empate, mas o camisa 10 não foi o protagonista da partida. Os 222 milhões de euros pagos ao Barcelona para contar com seu futebol não foram vistos como em outros jogos.

O craque precisa ser, e tem sido, o principal jogador do time nos grandes duelos. Mas no clássico acabou deixando o PSG com um a menos por não conseguir controlar os nervos.

"Jogaram de tudo em cima de mim, lanche completo, baguete, suco de laranja. Não faz parte do futebol. Foi um lance que tentei continuar depois que sofri a falta, mas levei um golpe por trás e fiquei revoltado", disse Neymar após o jogo.

Além disso, criticou as condições de jogo: "o gramado estava seco e alto, mas o Olympique jogou bem. Ficamos abaixo do nosso verdadeiro nível".

- Mbappé desaparecido -É verdade que o árbitro poderia ter marcado pênalti após Jordan Amavi colocar a mão na bola em jogada de Mbappé. Mas o jovem francês jogou abaixo do esperado para a partida. Os protestos exagerados nesta jogada mostraram fraqueza de um jogador que normalmente é sereno dentro de campo.

"Em poucas ocasiões fez boas escolhas", indicou ao L'Equipe o ex-atacante do PSG, Amara Simba.

O atleta perdeu 15 das 32 bolas que tocou. Foi um dos piores jogos de sua promissora carreira, ao lado da decisão da Copa da Liga em abril, quando o Monaco perdeu por 4 a 1 pelo PSG. Agora companheiro de time, o brasileiro Thiago Silva dominou os duelos naquela oportunidade.

Após tentar atribuir a má atuação aos árbitros, Mbappé reconheceu a má atuação: "perdi muitas vezes a bola e não soube definir nos últimos metros. Talvez não tenhamos sabido medir a importância do jogo, simplesmente".

Foi a maneira encontrada de reconhecer um problema de comunicação da equipe. Durante a semana, o PSG disse que o clássico era um jogo mais como os outros. No entanto, quando os atletas pisaram no estádio Velodrome se deram conta do próprio erro.

O único integrante do trio que esteve a altura das expectativas foi Cavani. Na ausência de Neymar nos últimos cinco minutos, o uruguaio sofreu falta e cobrou com maestria para garantir o ponto fora de casa. Além disso, o camisa 9 demonstrou o habitual espírito de entrega e sacrifício.

Cavani também cometeu erros, mas não se escondeu dentro de campo: "fez a diferença. Apesar de aparecer pouco em campo, que é sua força, fez a grande jogada no momento certo", indicou Angloma.

'El Matador' permitiu o PSG encontrar espaços nas defesas fechadas que o time da capital enfrenta na Ligue 1.