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Atletismo brasileiro 'perde' para natação, mas tem melhor projeção na elite

Darlan Romani no arremesso de peso dos Jogos Pan-Americanos de Lima - Luis Acosta / AFP
Darlan Romani no arremesso de peso dos Jogos Pan-Americanos de Lima Imagem: Luis Acosta / AFP

Demétrio Vecchioli

Do UOL, em Lima (Peru)

09/08/2019 04h00

O quadro de medalhas impressiona. Em quatro dias de finais a natação brasileira ganhou 19 medalhas, das quais cinco de ouro. Só em provas individuais são 12 nadadores diferentes no pódio. Um desempenho que pode impressionar, mas que não dá motivos, até aqui, para empolgar pensando em Tóquio-2020. Se o Pan é um estágio para a Olimpíada, quem tem razões para comemorar - e muito - é o atletismo. Das nove medalhas conquistadas até ontem, pelo menos cinco podem se repetir no Japão.

A comparação entre dois resultados ajuda a explicar esse cenário. Allan Wolski foi só o sexto no lançamento do martelo no Pan, desempenho que naturalmente passou batido em meio à avalanche de medalhas, mas que o faria ser 14º na Rio-2016. O festejado desempenho que deu o ouro a Fernando Schefer nos 200m livre o deixaria em 12º na última Olimpíada.

As ausências das equipes principais de Estados Unidos e Canadá não desvalorizam a campanha do Brasil nas provas de pista do atletismo, marcada por resultados relevantes internacionalmente. Mesmo abalado fisicamente por uma gripe que o deixou com 40º C de febre, Darlan Romani venceu o arremesso de peso no Pan com 22,07m, marca que o faria ser prata na Olimpíada do Rio.

No lançamento do disco feminino, os 65,98m que deram a Andressa de Moraes a prata em Lima valeriam bronze na Rio-2016. Alison Brendom, de apenas 19 anos, só não pegaria medalha na última final olímpica porque os 400m com barreiras no Engenhão tiveram nível muito acima do usual. Mas os 48s45 de Lima o deixariam em segundo no último Mundial.

E ainda há muito por vir em mais três dias de provas de estádio. O revezamento 4x100m masculino foi campeão mundial em maio, Thiago Braz é o atual campeão olímpico do salto com vara e Almir Gomes vem de prata no Mundial Indoor no salto triplo. Na marcha atlética, nem Caio Bonfim (prata) nem Erica Sena (bronze) ganharam suas provas de 20km, mas ambos estão indiscutivelmente na elite da modalidade: ele foi quarto na Rio-2016 e bronze no último Mundial, enquanto ela vem de uma quarta colocação no Mundial.

Enquanto isso, a seleção de natação brasileira repete o que fez nos Pans de 2007, 2011 e 2015, aproveitando as ausências do time principal dos Estados Unidos para acumular medalhas. Mas sem apresentar, até agora, nenhum resultado expressivo internacionalmente, em nível de ganhar medalha olímpica.

É verdade que a periodização foi pensada no Mundial da Coreia do Sul, que aconteceu em julho, mas também lá o desempenho não foi no padrão de quem pensa no quadro de medalhas olímpica. A exceção, como de costume, foi Bruno Fratus, medalhista (desta vez de prata) pelo terceiro Mundial consecutivo nos 50m livre - no Pan, a disputa dessa prova é hoje.

Na Coreia, o Brasil ainda fez finais nos 100m livre (Marcelo Chierighini em quinto e Breno Correia em oitavo), 100m costas (Guilherme Guido foi sétimo), 200m borboleta (Leo de Deus em sétimo) e nos revezamentos masculino 4x100m livre e medley, ambos em sexto. Hoje, o país parece ter três chances reais de medalha em Tóquio: Bruno Fratus, Marcelo Chierighini e o 4x100m livre. Já foi assim na Rio-2016, aliás, e o Brasil acabou não ganhando nenhuma.

Em Lima, era natural uma involução nos tempos do Mundial e ninguém do time masculino inverteu essa lógica até aqui. Marcelo Chierighini, Guilherme Guido, Fernando Scheffer, Breno Correia, Luiz Altamir, Leo de Deus, João Luiz Gomes Jr, Vini Lanza e o 4x100m livre masculino ganharam medalhas nadando pior do que na Coreia, quando já haviam passado longe do pódio. Dono do desempenho mais notável desse Pan na natação, 48s09 nos 100m livre, Chierighini teria sido sétimo na Olimpíada com esse tempo.

No feminino havia alguma expectativa para o Pan porque só Etiene Medeiros e Viviane Jungblut entraram na seleção do Mundial. As outras têm Lima como grande chance de dar as caras na temporada. Mesmo assim, as medalhas de Larissa Oliveira nos 100m e nos 200m livre, não a fariam ser sequer semifinalista do Mundial. Na Rio-2016 valeriam o 25º e 30º lugares das eliminatórias.

Vivi teria sido 19ª na Olimpíada com o tempo do bronze nos 800m. Mesmo Etiene, maior nome do time feminino, não pegaria nem semifinal no Mundial deste ano nos 100m costas. Na Coreia, ela optou por não nadar essa prova, que costumava ser sua principal.