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Globo, projeto social e malhação pesada. A nova vida de Daiane dos Santos

Fábio Aleixo

Do UOL, em São Paulo

05/05/2015 06h00

Quem se encantou ao ver Daiane dos Santos brilhando nos tablados ao som do “Brasileirinho” e vibrou com as suas apresentações irá aos poucos se acostumar com a nova Daiane, que tem presença confirmada na Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro.

Mas, desta vez, ela não dará saltos, piruetas ou brigará por medalhas. A gaúcha de 32 anos estará lá para analisar e passar seu conhecimento para o público como uma das integrantes do Time de Ouro da Globo, grupo de comentaristas montado pela emissora com atletas e ex-atletas.

O treinamento começou no ano passado e seguirá até o próximo ano. Desde que foi contratada pela emissora em agosto de 2014, Daiane já passou por aulas de português, sessões com fonoaudiólogas, workshops e, aos poucos, vai fazendo aparições em programas e transmissões. Seu primeiro grande teste foi no último final de semana, durante a etapa de São Paulo da Copa do Mundo de Ginástica Artística. Na sexta e no sábado, comentou no SporTV. No domingo, esteve ao lado de Glenda Kowlowski para a exibição das finais no Esporte Espetacular, da Globo.

“Foi a primeira vez que fiz um evento ao vivo, no local. No começo deu aquele friozinho na barriga. Mas está sendo muito bacana esta experiência com o Time de Ouro da Globo. Me sinto privilegiada de estar em um grupo seleto. Estou me acostumando aos poucos a comentar e tenho tentado estudar bastante, pois o código (de pontuação) está sempre mudando e não conheço tanto a parte masculina. Ali, com o microfone, você tem um dever sério, que é o de levar informação para as pessoas. Tomo muito cuidado para usar uma linguagem simples e evitar os erros. Mas eles podem acontecer, porque somos humanos. Porém, tenho muito cuidado na hora de falar”, disse Daiane em entrevista ao UOL Esporte.

“Tenho muita sorte de poder seguir trabalhando com o esporte que amo e ainda seguir recebendo o carinho das pessoas. Hoje, muitos já me conhecem como a Daiane da ginástica e da Globo”, completou a ex-ginasta.

Aposentada desde o término dos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, Daiane se diz feliz com o momento vivido agora e garante não sentir tanta saudade da época em que era atleta.

Daiane posa para foto ao lado de ginasta argentina durante a etapa de São Paulo da Copa do Mundo - Ricardo Bufolin/CBG - Ricardo Bufolin/CBG
Daiane posa para foto ao lado de ginasta argentina durante a etapa de São Paulo da Copa do Mundo
Imagem: Ricardo Bufolin/CBG

“Não é fácil ser um atleta de alto rendimento. Você treina de oito a nove horas por dias, mas a dedicação tem de ser durante as 24 horas. É uma rotina complicada. Durante 19 anos foi assim. A rigidez é muito grande. Disso eu não sinto falta nenhuma. Se pudesse seguir competindo sem treinar, ficaria na ginástica por muito tempo. Mas infelizmente isso não é possível”, disse Daiane, que contou sentir falta das competições e da convivência com treinadores e companheiros de equipe.

Isso tudo, porém, já é passado. Mas nem por isso a rotina da ex-ginasta deixou de ser puxada. Além de trabalhar como comentarista da Globo, Daiane também cuida do projeto social “Brasileirinhos”, que busca a inclusão social de crianças e adolescentes matriculados em escolas da rede pública. O primeiro núcleo foi aberto no ano passado em Mesquita, cidade na Baixada Fluminense. Um segundo será inaugurado em Botafogo, no Rio de Janeiro, nas próximas semanas e, no segundo semestre, será a vez de São Paulo receber um núcleo.

“É um projeto social não voltado ao alto rendimento, mas sim para a qualidade de vida. Levar esta oportunidade para áreas mais carentes, onde temos muito talento, muitos diamantes brutos a serem lapidados”, diz Daiane, que vive em São Paulo, mas faz viagens frequentes ao Rio de Janeiro para poder dar conta de todos os seus compromissos.

E desde o início deste ano, Daiane arrumou mais uma atividade para a sua tão ocupada agenda. Começou a praticar crossfit - modalidade de exercícios funcionais inspirada em treinamentos militares com o objetivo de otimização de todas as capacidades físicas como resistência cardio-respiratória, resistência muscular, força, flexibilidade, potência, velocidade, coordenação, agilidade, equilíbrio e precisão.

“Demorei muito até achar uma atividade física que me fizesse feliz. O crossfit não é como a ginástica, mas é parecido e tem um embasamento nela que é muito forte. Estou tentando fazer todos os dias, seguir com uma atividade física, que é muito importante. Mas a minha rotina está tão corrida que estou precisando pegar alguns treinos por e-mail. E estou pensando em voltar a fazer ginástica”, contou Daiane.

A ex-ginasta também já faz planos para se casar. Há quase três anos mantém relação com o lutador de MMA Ramon Martins, com quem já havia namorado em 2002. A data do casamento, entretanto, ainda não foi definida.


Daiane quer ver o “Brasileirinho” de volta
Responsável por tornar popular o chorinho “Brasileirinho” na ginástica, Daiane disse que gostaria de ver alguma atleta da nova geração utilizando a música em suas apresentações. Foi com ela que a ex-ginasta obteve as principais conquistas de sua carreira.

“Para ser bem sincera, eu ia adorar se alguém usasse de novo. É uma música linda, carismática, que as pessoas adoram. Passa bem o espírito da cultura brasileira. Seria feliz se alguma menina fizesse o ‘Brasileirinho’. Me deu tanto sorte, porque não poderia dar para elas”, disse.

Por questões contratuais com a Globo, Daiane não pode opinar sobre o momento atual da ginástica brasileira e as jovens atletas, como Flávia Saraiva e Rebeca de Andrade. Por isso, fez apenas um comentário sucinto.

“São garotas de futuro, talentosas.  Estão buscando o espaço delas e não é legal que haja comparação com quem já passou. Cada uma é cada uma”. 

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