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Luiz Gomes: 'Revelando talentos'

21/10/2017 08h30

Há boas notícias para o futuro do futebol tupiniquim. A criação pela CBF do Campeonato Brasileiro de Aspirantes e as mudanças do regulamento do Paulistão 2018, valorizando as categorias de base, são medidas acertadas e promissoras. Ter divisões inferiores sólidas, bem estruturadas e conectadas com um projeto de longo prazo - como há anos vem sendo feito na Alemanha, em Portugal ou no Uruguai - é um passo fundamental para modernização que tanto defendemos por aqui.

Houve um tempo em que grandes clássicos do futebol brasileiro começavam duas horas mais cedo. Quando os estaduais ainda eram fortes - as principais competições de então - boa parte das federações promovia seus campeonatos de aspirantes. Eram as preliminares dos jogos da divisão principal e muita gente - acreditem - chegava antes ao estádio para assistir a essas partidas. A prática foi se perdendo com o tempo. Mas a categoria de aspirantes promete ressurgir agora, precisa ser incentivada e ganhar força.

Hoje à noite Botafogo x Atlético-MG abrem a primeira edição do novo Brasileirão de Aspirantes. A competição vai reunir 10 clubes, divididos em dois grupos de cinco, em que todos jogarão contra todos, em ida e volta. Além de Galo e Fogão, Atlético/PR, Botafogo, Coritiba, Cruzeiro, Figueirense, Grêmio, Internacional, Santos e São Paulo estarão na disputa. Os dois melhores classificados de cada grupo jogam semifinais e finais também em dois confrontos. A partir do ano que vem a ideia é aumentar para 14 o número de participantes. A escolha tem por base o ranking da CBF.

A categoria de aspirantes é fundamental. Pelo regulamento atual - que segue em linhas gerais o que vigorava em tempos passados - a idade de corte dos jogadores será de 23 anos. No entanto, será permitida a escalação, em cada jogo, de até quatro atletas - um deles o goleiro - com idade superior a essa. A ideia é que, disputando uma vaga no time principal, eles possam ganhar ritmo de jogo e competitividade, permitindo uma observação mais segura pelos treinadores.

Antigamente, isso funcionou muito bem. Vários nomes que viraram ídolos em seus clubes já chegavam ao time de cima conhecidos pela torcida a partir dos jogos de aspirantes. Hoje, além de serem negociados muito cedo para o exterior, esses garotos perderam a vitrine. Casos como o de Vinícius Junior, dublê de ídolo no Flamengo, embalado por uma negociação milionária com o Real Madrid, são cada vez mais raros.

Já no Paulistão de 2018, a estratégia de valorização da base seguira outro caminho. Os 16 times poderão inscrever duas listas de jogadores: uma com 26 nomes (sendo três goleiros) e outra com número ilimitado, mas formada apenas por atletas das categorias de base. A condição é que sejam nascidos até 1997 (sub-21, portanto), estejam há pelo menos um ano no clube e já tenham participado de torneios promovidos pela Federação. Cada time poderá contar com até cinco jogadores da base em campo por partida. Era uma antiga reivindicação dos clubes, este ano limitados a inscrever 28 jogadores, independentemente da idade.

O aumento da participação dos garotos na divisão principal de São Paulo é uma medida adequada, especialmente num ano em que a pré temporada não vai durar mais do que 15 dias, aumentando o risco de contusões. Além disso, vai permitir que o Paulistão, como todos os estaduais cada vez mais irrelevante, sirva pelo menos para que treinadores possam dar experiência e avaliar os jovens talentos, reforçando os elencos para os torneios ao longo do ano, no sacrificante calendário brasileiro. É um exemplo que poderia se espalhar por outros estados.

Ambas as medidas vão abrir novas portas para a garotada. O Brasileirão de Aspirantes já nasce com transmissão ao vivo de todos os jogos pelo Esporte Interativo, o que faz a diferença nesses tempos, pode ajudar a recriar o hábito do torcedor se voltar para a base - como já vem acontecendo com os campeonatos brasileiros de categorias inferiores. Mas, para que os tempos de fato sejam outros, e preciso que os clubes façam a sua parte, invistam cada vez mais na formação de talentos e na estruturação de suas bases. É o mapa da mina.

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