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Febre na Coreia, ex-Galo já deixou Cristiano Ronaldo sem graça com imitação

Cesinha, do Daegu FC, costuma comemorar os gols como Cristiano Ronaldo - Divulgação Daegu FC
Cesinha, do Daegu FC, costuma comemorar os gols como Cristiano Ronaldo Imagem: Divulgação Daegu FC

Marcello De Vico

Colaboração para o UOL, em Santos (SP)

20/09/2021 04h00

O torcedor do Atlético-MG deve se lembrar de Cesinha, atacante campeão mineiro em 2015 que chegou ao clube depois de se destacar na Série B pelo Bragantino. Ele sofreu com uma lesão no tornozelo, ficou pouco no Galo e, em 2016, após passar pela Ponte Preta, fez as malas para a sua primeira aventura fora do Brasil —foi jogar pelo Daegu, da Coreia do Sul. Cinco anos depois, já é o maior ídolo do ainda jovem clube asiático —fundado em 2002.

A idolatria dos torcedores é tanta que Cesinha, hoje com 31 anos, sequer consegue sair direito de casa. O assédio ficou ainda maior quando ele pintou o cabelo de branco; reconhecido com mais facilidade nas ruas, precisou retomar a cor original, mas o disfarce durou pouco.

"Eles são muito carinhosos, me dão presentes, querem tirar foto, e às vezes só querem relar em mim, tocar na minha mão, é muito engraçado [risos]. Começou a ficar demais, não conseguia nem ir ao restaurante, e aí peguei e pintei o cabelo novamente de preto. Deu certo por um tempo, até eles perceberem que eu estava de cabelo preto [risos]", diverte-se Cesinha em entrevista exclusiva ao UOL Esporte.

Cesinha tem motivos de sobra para ser o principal "alvo" dos torcedores. Logo em seu ano de estreia, o atacante —que mais virou um meia na Coreia— marcou um golaço que garantiu o acesso do Daegu para a primeira divisão (veja o vídeo abaixo). Em 2018, foi o grande destaque do primeiro título do clube, a FA Cup, com gol do título, artilharia e melhor jogador. Já era suficiente para ele ser reconhecido nas ruas, mas o alvoroço ficou mesmo gigante depois do "episódio Cristiano Ronaldo".

Comemoração à la CR7: "Vi que ele ficou chateado"

Cristiano Ronaldo sempre foi a grande inspiração de Cesinha, a ponto de ele ir até uma lan house quando adolescente para assistir a vídeos do craque e tentar copiá-lo... "Sempre foi meu ídolo. Eu ia na lan house e procurava ver alguns vídeos dele, driblando, fazendo alguma graça, e depois, quando jogava com os amigos, tentava fazer a mesma coisa. Sempre tentei meio que imitá-lo".

Foi, então, que chegou o grande dia. Em 2019, uma seleção da liga coreana encarou a Juventus de CR7 em um amistoso de pré-temporada. Era o dia de conhecer o ídolo, mas poderia ficar ainda melhor, como ele mesmo conta.

Cesinha, brasileiro que atua na Coreia do Sul, cumprimenta Cristiano Ronaldo em amistoso - Arquivo pessoal/Cesinha - Arquivo pessoal/Cesinha
Imagem: Arquivo pessoal/Cesinha

"Foi um dia que eu não queria que acabasse nunca. Eu já tinha combinado com o brasileiro, o Éder [companheiro no Daegu], que se eu fizesse o gol iria fazer a comemoração do Cristiano Ronaldo, até porque aqui na Liga eu já fazia. E ele falou: 'vou junto'", conta o jogador, que passou pela base do Corinthians e defendeu times como Ponte Preta e Bragantino no profissional.

CR7 estava no banco de reservas na hora do bonito gol de Cesinha, e não fez uma cara muito animadora ao ver o adversário imitá-lo na comemoração (veja o vídeo mais abaixo).

"Aí aconteceu [o gol], a gente fez [a comemoração] juntos, e vi na hora que ele ficou meio chateado. Mas fui lá e o reverenciei, para ele perceber que não era ofender... Depois, na resenha, pedi a camiseta dele, né, sim, com certeza [risos]. Ele entendeu, e falei o tanto que eu era fã dele, que ele era meu ídolo e que aquele dia estava sendo um sonho realizado. Ele foi bem carinhoso, me disse que eu era um ótimo jogador, para acreditar sempre no potencial que posso chegar a lugares inimagináveis. Aquele dia não sai da cabeça. Foi 'o dia'", recorda.

Embalagem de bolacha, vitamina C etc.

Cesinha, brasileiro do Daegu FC, virou personagem de várias embalagens na Coreia do Sul - Arquivo pessoal/Cesinha - Arquivo pessoal/Cesinha
Imagem: Arquivo pessoal/Cesinha

Já imaginou se sua cara começasse a ilustrar embalagens de produtos pelos supermercados? Pois é, a idolatria por Cesinha na Coreia chegou a esse ponto, e o meia ainda se diverte quando se depara com o seu rosto espalhado pelas lojas.

"Meu rostinho feio aqui já saiu em uma vitamina C aqui da Coreia [uma espécie de refrigerante], tenho bolacha com meu rosto, um chocolate que eles gostam bastante que saiu [a imagem] de vários jogadores da Liga e fui o único estrangeiro. Os fãs compram o chocolate e me marcam [risos]. E eu guardo tudo, a gente fica feliz de ver o carinho do pessoal com a gente", acrescenta.

Leia outros trechos da entrevista:

Um breve resumo da carreira

Eu saí de casa com 17 pra 18 anos, comecei no América-SP, onde disputei a Taça São Paulo, e de lá fui para o Corinthians, onde fiquei um ano e meio na categoria de base. Depois comecei a rodar: Monte Azul, Barbarense, Audax, até chegar no Bragantino, onde consegui jogar bem. Voltei depois para o União Barbarense, consegui um acesso, voltei para o Bragantino e de lá fui para o Galão da Massa, em 2014. Em 2015 fui para a Ponte Preta e em 2016 vim para a Coreia.

Por que foi para a Coreia?

O que me chamou atenção foi a vontade de sair do Brasil, de ter a experiência de jogar fora do país. Não foi nem a questão financeira porque na época não mudava tanta coisa no que eu ganhava. Era mais a vontade de jogar fora, abrir um novo mercado.

As maiores dificuldades no país asiático

Minhas maiores dificuldades aqui, por ser a primeira vez saindo do país, foram o clima e a comida. Foi bastante complicado para mim por eu ser um pouco nojentinho para comer [risos]. Tive bastante problema com isso, eles gostam muito de pimenta. Não usam tempero como nós no Brasil. O tempero deles basicamente é a pimenta, e ponto [risos]. Até hoje é uma dificuldade extrema. Até hoje, sempre que vou pedir comida, peço para não colocar pimenta, ou para colocar bem pouco. E quando chega o frio, eu fico bastante irritado, dói o pé, dói o corpo, é complicado até para respirar [risos].

"Não tenho vontade de voltar ao Brasil"

Tenho contrato até 2024, e acredito que devo permanecer aqui, até porque chega proposta e o clube não me vende [risos]. Sinceramente, não tenho vontade de voltar para o Brasil. Se for para sair, talvez para ficar aqui pela Ásia... Japão, China, Qatar.

Como o Daegu está na temporada

Estamos em quarto lugar na K-League, na semifinal da FA Cup e fomos eliminados nas oitavas da Asia Champions League. Fiz um gol, mas perdemos para o Nagoya e fomos eliminados.

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