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Mauro Cezar Pereira entrevista personagens de destaque do universo esportivo


Apolinho: Ataque dos sonhos no Flamengo jogou muito pouco tempo junto

Do UOL, em São Paulo

17/06/2021 15h33

Ícone do rádio esportivo carioca e brasileiro, Washington Rodrigues, o Apolinho, é apaixonado pelo futebol desde a infância devido ao Flamengo e depois de tantos anos trabalhando como repórter e comentarista, ele teve a oportunidade de treinar o time do coração em 1995, um período no qual seu ataque era formado por estrelas, com o trio Edmundo, Romário e Sávio, que acabaram não cumprindo a expectativa dos torcedores rubro-negros.

Em entrevista a Mauro Cezar Pereira no programa Dividida, no Canal UOL, Apolinho conta como foi a experiência de ser técnico do Flamengo, os fatores que ele levou para seu trabalho como comentarista, a vitória diante do campeão mundial Vélez Sarsfield, em sua estreia como treinador, na Supercopa, além de explicar os motivos que levaram o supertrio ofensivo a não funcionar como se esperava.

"Por que o ataque dos sonhos não funcionou? Nós tínhamos Romário, Edmundo e Sávio, três feras, três jogadores extraordinários, não tinha como dar errado. Só que o Romário estava com quilos a mais. Ele, na minha estreia, não jogou contra o Vélez porque caiu duro no campo no treino dois dias antes, ele foi internado no hospital dos servidores do estado, ficou lá internado enquanto nós fomos para a Argentina, estreamos sem ele, aí ele reapareceu no primeiro jogo meu pelo Brasileiro em Caxias do Sul, contra o Juventude, ganhamos de 2 a 0, dois gols do Sávio, ele reapareceu ali, mas fora do peso ideal dele", explica Apolinho.

"Ele tinha um problema pessoal que estava mal resolvido, ele estava fora do peso e cheio de problemas para resolver, não estava 100%. Tivemos o jogo Internacional e Flamengo lá no Beira-Rio, o zagueiro do Internacional era o Gamarra, aí o Edmundo resolveu dar uma caneta no Gamarra, ele se aborreceu e deu uma porrada. O Edmundo ficou na beira do campo sendo atendido pelo médico e disse 'eu vou voltar', o médico queria que ele fosse para o vestiário para ver melhor porque era no tornozelo, era 42 minutos, ia terminar o primeiro tempo, e ele 'não, eu vou voltar'. Voltou, foi dar uma porrada no Gamarra, o Gamarra deu outra porrada nele no mesmo pé, quebrou o pé dele", completa.

Apolinho conta que com a lesão de Edmundo, acabou dando espaço para Aloísio Chulapa, que mais tarde também atuaria pelo Paris Saint-Germain, além de ser campeão mundial e tricampeão brasileiro pelo São Paulo.

"O Edmundo ficou fora com o pé quebrado, tive que lançar o Chulapinha, o Aloísio Chulapinha. Aí o ataque dos sonhos passou a ser Romário e Sávio só, e o Chulapinha garoto. Aí passou. O dia em que o Edmundo tirou o gesso, ele foi lá, tirou o gesso e fez a fisioterapia, quando ele terminou a fisioterapia e seria liberado, ele sofreu o acidente de automóvel e aí ficou fora. Então eles praticamente jogaram muito pouco tempo juntos e em forma o Romário jogou muito pouco tempo", conta o radialista e ex-treinador do Flamengo.

Ele afirma que o período no qual comandou o time do Flamengo serviu como uma pós-graduação e mudou a forma de lidar com o futebol, até na forma de fazer os comentários, passando a não tratar os jogadores como se fossem máquinas.

"Para mim foi uma pós-graduação, porque você comentar futebol, você chega lá na cabine, bonitinho, banho tomado, você olha o campo e analisa a festa. Agora, você tem, como treinador, que fazer a festa, você tem que preparar os salgadinhos, você tem que fazer o bolo, botar a velinha, é você que tem que fazer isso, então eu descobri muita coisa, para mim foi fantástico, eu aprendi demais, muito mesmo, com os jogadores, eles me ensinaram muita coisa", diz Apolinho.

"Essas pessoas são seres humanos como nós e eles têm as mesmas sensibilidades, os mesmos medos, o pavor de fazer mal feito, o pavor de errar, o pavor da crítica. Então, quando você entra no vestiário e saca que ali não estão super-homens, estão seres humanos como qualquer um de nós, você sente a necessidade de começar a conversar com eles mais do que qualquer outra coisa, no sentido de que eles se sintam mais à vontade, mais confortáveis, sem aquela pressão", conclui.

O Dividida vai ao ar às quintas-feiras, às 14h, sempre com transmissão em vídeo pela home do UOL e no canal do UOL Esporte no Youtube. Você também pode ouvir o Dividida no Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts e Amazon Music.


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