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Cinco motivos "boleiros" que influenciam na renovação de Neymar com o PSG

Neymar comemora gol do PSG contra o Guingamp - Anne Christine Poujoulat/AFP
Neymar comemora gol do PSG contra o Guingamp Imagem: Anne Christine Poujoulat/AFP

João Henrique Marques

Do UOL, em Paris (FRA)

11/04/2019 04h00

No treino coletivo do Paris Saint-Germain, Neymar costuma ser o único jogador vestindo colete. Essa diferenciação permite ao brasileiro atuar nos dois times, variando entre eles de acordo com a posse de bola. O exercício constante sem a responsabilidade de marcação, e todo direcionado para a sua criatividade, empolga o brasileiro. Esse tratamento personalizado não chegou a acontecer nos tempos de Santos, Barcelona ou na seleção.

A liberdade de atuação na rotina do PSG é um dos fatores que pode pesar para Neymar e seu estafe na hora de decidir o futuro.

O UOL Esporte ouviu de amigos próximos de Neymar alguns motivos que fazem o craque trabalhar com a opção de permanência no PSG. São aspectos quase todos relacionados ao universo boleiro, já que o jogador não considera os altos pagamentos em contratos com o clube, ou com patrocinadores, decisivos para a escolha.

Atuar no Real Madrid, ou um eventual retorno ao Barcelona, ainda fazem parte dos planos do brasileiro, mas são alternativas que perderam força com a expectativa do camisa 10 de passar pela primeira temporada completa com o clube francês (sem lesões) e o levar o PSG ao patamar de melhor da Europa.

No Paris Saint-Germain, todos dão como certa a permanência de Neymar para a próxima temporada. O ídolo prefere não se posicionar com garantias de longo prazo, embora o pai do jogador, Neymar da Silva Santos, disse que já negocia uma renovação com o clube francês.

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O UOL Esporte listou abaixo os cinco principais motivos que influenciam o ídolo a decidir por Paris.

Sem responsabilidade defensiva

A decisão de sair do Barcelona passou muito por uma bronca no vestiário do treinador Luis Enrique na derrota para a Juventus por 3 a 0, nas quartas de final da Liga dos Campeões, em 2017. Neymar ouviu fortes críticas por não acompanhar a todo momento as investidas ofensivas da dupla Daniel Alves e Cuadrado naquela partida. Foi o estopim para quem não aguentava mais tanta responsabilidade defensiva no time.

Neymar nunca se opôs a marcar, mas mirava a liberdade de Messi no quesito como algo necessário para a pretensão de ser melhor do mundo. No PSG encontrou a condição desejada, e realiza a marcação por vontade própria. Nos jogos da Liga dos Campeões, por exemplo, é comum ver o brasileiro realizando funções de apoio defensivo.

A relação com Thomas Tuchel

O treinador alemão negocia a renovação com o PSG até julho 2021. E o ânimo de Neymar com a presença de Tuchel mudou na comparação com seu antecessor, o espanhol, Unai Emery. Os relatos são de relação próxima com o atual chefe, sendo privilegiado nos treinamentos e ainda ganhando dias de folga quando o cansaço é grande.

O posicionamento em campo é sempre discutido entre os dois, tendo a função mais central escolhida pelo técnico na temporada sendo considerada o atual rumo da carreira.

As conversas entre Neymar e Tuchel acontecem até mesmo pelo aplicativo WhatsApp, quando o brasileiro está distante do clube. O relacionamento entre os dois é comparado pelos amigos do jogador com o convívio com Tite.

"É amistosa (relação), ao mesmo tempo, tem muito respeito mútuo. Eu o respeito como treinador, porém quando tem que falar com sinceridade, ele fala. Desde a primeira vez que conversamos, desenvolvi muito afeto com ele. Quando tem tanta confiança com seu treinador, você dá a vida em campo. Por ele, farei o possível para ganhar daqui em diante", comentou Neymar em entrevista ao Canal Plus, da França, em janeiro.

A permanência de Mbappé

Neymar já sabe que Mbappé vai permanecer no PSG, ao menos, por mais uma temporada. Essa certeza ajuda o brasileiro na hora de decidir, visto que o respeito pelo futebol do francês é grande. Em campo, a parceria entre os ataques é cristalina, já que constantemente se procuram para a troca de passes.

A presença do francês é um fator que anima o brasileiro não só pelo aspecto técnico. A amizade entre eles tardou a aparecer, já que o relacionamento foi mais distante na primeira temporada. Agora, Mbappé já é convidado por Neymar para eventos em casa e entrou para o grupo de "parças" do brasileiro.

Os brasileiros do PSG

Thiago Silva e Marquinhos já asseguraram que ficam no Paris Saint-Germain. Daniel Alves tem proposta de renovação para mais uma temporada - contrato termina em julho - e além deles, existem três brasileiros no departamento médico do clube: os fisioterapeutas Bruno Mazziotti e Rafael Martini e o preparador físico Ricardo Rosa.

Conviver com os brasileiros é algo que alegra Neymar. Para o clube, o camisa 10 já sugeriu as contratações de Lucas Paquetá - antes da transferência ao Milan - e agora é favorável à vinda do volante Alan, do Napoli.

O plano pela Bola de Ouro

Neymar ainda considera possível ganhar a Bola de Ouro, premiação de melhor do Mundo, atuando no PSG. O pensamento é de que se o clube francês conquistar a inédita Liga dos Campeões, a glória pessoal será atingida.

O camisa 10 confia que precisa de uma temporada completa para conseguir a façanha inédita em sua carreira. Nas duas primeiras, o PSG caiu nas oitavas de final da Liga dos Campeões, estando o brasileiro fora por conta de lesões.

Na concorrência interna, a expectativa é de que Mbappé seja o coadjuvante, assim como foi Neymar no Barcelona. No ano do seu único título na Liga dos Campeões, em 2015, a Bola de Ouro foi para o companheiro de equipe Lionel Messi.

FRANCK FIFE / AFP
Imagem: FRANCK FIFE / AFP

Mas o que pode fazer Neymar sair?

Lesões repetidas

Neymar está desapontado com o que julga ser a violência do futebol francês. As sérias lesões no pé direito são atribuídas ao receio de levar pancadas dos marcadores e já foram consideradas como um argumento principal para deixar o PSG. Os três meses de ausência são perturbadores, e como está previsto que atue nos jogos finais da temporada, uma nova lesão poderiam mudar os planos de permanência, relatam os amigos.

A estrela brasileira promete não alterar o estilo de jogo com a posse de bola e dribles. Ele espera ver os árbitros franceses mais rigorosos com seus marcadores.

A relação com a torcida

Ao ser vaiado intensamente no Parque dos Príncipes em jogo na temporada passada, Neymar relatou aos próximos a falta de vontade de seguir no PSG. O tempo fez a situação ser amenizada, e o jogador voltar a ser aplaudido de forma unânime no estádio em Paris.

Com a longa ausência, a reação dos torcedores em seu retorno parece depender dos resultados em campo. Uma nova perseguição deixa o risco de Neymar ter o seu humor, e consequentemente os planos, alterados.

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