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Não foi só Felipão: quais foram os técnicos que definiram o Brasileirão?

Técnico do Palmeiras teve aproveitamento superior a 80% no Brasileirão - Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação
Técnico do Palmeiras teve aproveitamento superior a 80% no Brasileirão Imagem: Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação

Emanuel Colombari

Do UOL, em São Paulo

13/12/2018 04h00

O melhor técnico do Campeonato Brasileiro é o que leva o título, certo?

Pelo menos nos números de 2018, sim. Ao longo do Brasileirão, nenhum técnico teve um aproveitamento tão bom quanto o de Luiz Felipe Scolari à frente do Palmeiras, considerando o número de jogos nos quais ele trabalhou. Invicto, Felipão superou a marca de 80% dos pontos conquistados, ficando atrás apenas de treinadores interinos que realizaram (e venceram) poucas partidas.

Mas o ex-técnico da seleção brasileira esteve em boa companhia no topo da lista dos bons trabalhos ao longo do Brasileiro. Trabalhos competitivos colocaram Odair Hellmann, Dorival Júnior, Renato Gaúcho, Maurício Barbieri, Diego Aguirre, Tiago Nunes, Enderson Moreira e Mano Menezes nas primeiras colocações da lista de melhores treinadores do campeonato.

Com base em dados das súmulas do Campeonato Brasileiro, disponíveis no site da CBF, e do site ZeroZero, o UOL Esporte levantou os números de todos os 48 técnicos (efetivos e/ou interinos) que trabalharam nas 380 partidas do torneio. Com isso, calculou os treinadores que tiveram melhores (e piores) aproveitamentos, os que somaram mais (e menos) pontos, quem brilhou e quem decepcionou.

Treinador sozinho não decide jogo, mas os números indicam que podem dar um toque decisivo - para bem ou para mal - aos trabalhos dos clubes.

QUEM MAIS SOMOU PONTOS

Você sabe quem é o técnico que mais somou pontos no Campeonato Brasileiro?

Se sua resposta foi Luiz Felipe Scolari, enganou-se. Embora o treinador palmeirense não tenha sofrido derrotas em seus 22 jogos, somou "apenas" 54 pontos - o que, diga-se de passagem, supera a marca de 13 dos 20 times do Brasileirão ao longo de todo o torneio. Entre os primeiros colocados, foi quem trabalhou em menos jogos.

O posto de técnico que mais somou pontos ao longo do campeonato pertence a Odair Hellmann. No comando do Internacional em 38 rodadas, foram 69 pontos. Renato Gaúcho (66 pontos em 38 jogos com o Grêmio) e Diego Aguirre (58 pontos em 33 jogos com o São Paulo) completam o pódio.

A surpresa fica com o quinto colocado da lista: Enderson Moreira. Ao longo de 37 jogos, sendo 12 com o América-MG e 25 com o Bahia, foram 50 pontos na conta do treinador.  

QUEM TEVE O MELHOR APROVEITAMENTO

Com 16 vitórias e seis empates em 22 jogos, Felipão destoou da concorrência e teve um aproveitamento de 81,82% nos jogos em que comando o Palmeiras pelo Brasileirão de 2018. Para efeito de comparação, o Arsenal que foi campeão inglês invicto na temporada 2003/2004 teve aproveitamento de 78,94% (26 vitórias e 12 empates em 38 rodadas).

No frio rigor dos números, porém, o aproveitamento de Felipão não foi o melhor do Brasileirão. Dois treinadores terminaram o torneio com 100% de aproveitamento em seus jogos: Wesley Carvalho e Fábio Moreno, que comandaram Palmeiras e Fluminense, respectivamente, em um jogo cada. Embora pouco representativos no geral, os números de ambos foram fundamentais para os dois times.

Abaixo de Felipão, dono do melhor aproveitamento entre técnicos que tiveram pelo menos cinco jogos, o segundo lugar ficou com Dorival Júnior, que somou 24 pontos em 12 jogos à frente do Flamengo (66,667%). Maurício Barbieri, seu antecessor no Fla, e Tiago Nunes, do Atlético-PR, completam o pódio com estatísticas iguais: 48 pontos em 26 jogos (61,54%). Fábio Carille (Corinthians), com 11 pontos em seis jogos (61,11%) completa o Top 5.

JAIR VENTURA, MÉDIA DE REBAIXADO

O fim do ano no Corinthians desgastou a imagem de Jair Ventura com o clube, mas os números do treinador ao longo de todo o Campeonato Brasileiro não foram dos mais animadores - inclusive pelo Santos, clube no qual começou a temporada.

Ao longo da competição, foram 27 partidas (13 pelo Santos e 15 pelo Corinthians), com aproveitamento de 34,52%. Para efeito de comparação, o aproveitamento do Sport (17º colocado e rebaixado com 42 pontos) foi de 36,84% dos pontos.

Não é só: entre os 48 técnicos que trabalharam no Campeonato Brasileiro, apenas 16 tiveram aproveitamentos inferiores aos de Jair. Da lista, porém, somente Claudinei Oliveira fez mais jogos na competição: foram 36, à frente de Sport, Paraná Clube e Chapecoense.

Não foi o ano de Jair Ventura.

Jair Ventura cabisbaixo - Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians - Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians
Somando as passagens por Santos e Corinthians, Jair Ventura teve aproveitamento do time rebaixado no Campeonato Brasileir
Imagem: Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians

QUEM FOI O TÉCNICO MÉDIO DO BRASILEIRÃO?

O Brasileirão teve 48 jogos técnicos em atividade durante seus 380 jogos. Na ponta do lápis, cada técnico durou 15,83 partidas - menos de um turno -em cada equipe. Cada um teve aproveitamento médio de 45,18% dos pontos.

Alguns profissionais se aproximam bastante desses números. Na permanência, Vágner Mancini comandou o Vitória em 16 jogos, enquanto Roger Machado esteve à frente do Palmeiras em 15.

Já no aproveitamento, quem fica mais perto da média do Brasileirão é Enderson Moreira, que somou 45,05% dos pontos que disputou. Mano Menezes, do Cruzeiro (46,46%), e Cláudio Prates, com três jogos pelo Bahia (44,44%), também não ficam longe.

MUITO BADALADOS COM POUCO X POUCO BADALADOS COM MUITO

Você já se acostumou a ver o debate a respeito do mercado de treinadores, de figurões perdendo espaço diante de novos nomes, certo? Neste ano, é bem verdade que nem todo nome vingou. No entanto, alguns nomes menos badalados deram resultados surpreendentes.

Odair Hellmann, por exemplo. Guindado ao cargo de técnico do Inter no fim de 2016, o ex-meio-campista passou por uma prova de fogo em 2018, ano que marcou o retorno do time à Série A. E respondeu bem: com 69 pontos em 38 jogos (60,52% de aproveitamento), levou o clube ao terceiro lugar do Brasileirão.

A concorrência ali pelo topo é grande. Maurício Barbieri, no Flamengo, conquistou 61,54% dos pontos que disputou - mesmo aproveitamento de Tiago Nunes, no Atlético-PR. No Atlético-MG, Thiago Larghi contabilizou 52,87%.

Enderson Moreira também não decepcionou. Embora tenha passado praticamente toda a competição à frente de América-MG e Bahia, duas equipes que frequentaram a segunda metade da classificação, fechou o Brasileiro com 13 vitórias, 11 empates e 13 derrotas, somando 50 pontos (45,05% de aproveitamento).

Por outro lado, nomes conhecidos tiveram um Brasileirão para se esquecer. Em um ano conturbado do Fluminense, Abel Braga contabilizou apenas 38,89% dos pontos que disputou. Levir Culpi conquistou 48,15% dos pontos nos jogos que fez à frente do Atlético-MG - o aproveitamento do time na competição foi de 51,75%.

Entre novos nomes, Jorginho (com passagens por Ceará e Vasco) teve aproveitamento de apenas 23,33%. Já Fernando Diniz, uma aposta do Atlético-PR, somou 25% dos pontos que buscou.

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