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Críticas por gol de braço magoam Jô e unem Corinthians contra "deslealdade"

Gol de Jô recolocou Corinthians no caminho das vitórias, mas rendeu polêmica - Ale Frata/Código 19/Estadão Conteúdo
Gol de Jô recolocou Corinthians no caminho das vitórias, mas rendeu polêmica Imagem: Ale Frata/Código 19/Estadão Conteúdo

Dassler Marques

Do UOL, em São Paulo

19/09/2017 04h00

O gol anotado por Jô com a ajuda do braço direito se tornou o principal assunto do futebol brasileiro nos últimos dois dias e, naturalmente, não passou despercebido no Corinthians. As críticas ao atacante de 30 anos, que acabou por ser decisivo no triunfo de 1 a 0 sobre o Vasco, provocaram reações das mais diversas no clube. Quase todas elas em apoio ao jogador, que foi tão criticado fora dos muros alvinegros. 

Entre aqueles que demonstram apoio ao centroavante, o diretor de futebol Flávio Adauto saiu em defesa do jogador que, de fato, é atualmente um dos mais queridos e importantes do grupo líder do Brasileirão. "Foi algo desleal com o Jô. O Corinthians teve momentos mais prejudiciais, dois gols legais anulados. Um contra o Flamengo, outro contra o Coritiba, mas eu nem sabia o nome do árbitro [Elmo Alves] até chegar ao estádio. Não são coisas que damos importância", comentou em contato com o UOL Esporte.

"O Jô é um dos maiores exemplos de comportamento que temos. Ele tem dado exemplo de dedicação, de comprometimento. É um jogador que dá acolhimento a todos que entram no time, recepciona os jogadores novos, principalmente os mais jovens, e vai perder tudo isso em um ano? Por um lance em que ele se jogou na bola e a bola bateu no braço dele? Acho um exagero", contestou ainda Adauto. 

A repercussão negativa sobre o gesto, e principalmente sobre não ter reconhecido um toque de mão, deixou o atacante Jô chateado. Ao longo da segunda-feira, o próprio jogador chegou a tomar a iniciativa de preparar um vídeo a ser divulgado em suas redes sociais, mas depois recuou. No vestiário do estádio, a companheiros e dirigentes, ele repetiu o que também disse na beira do gramado, aos microfones, e ao pai, Dário Assis. Na visão do atacante, ele se atirou na bola e não sentiu o toque no braço.

Na chegada a Buenos Aires, Jô resolveu fazer um pronunciamento ao lado do diretor Flávio Adauto e do gerente Alessandro. Apoiado por ambos, o centroavante deu nova versão sobre o gol depois de assistir a vídeos.

"Quem me conhece sabe que sou uma pessoa só, não tenho duas personalidades. Depois que saio do jogo, não tinha visto a imagem, o gol, depois em casa, com tranquilidade, pude ver que a bola bateu no braço. Mas quis dizer que não quis trapacear", declarou ainda.

O episódio ainda serviu para acirrar relações entre as direções de Corinthians e Vasco. Eurico Brandão, vice de futebol do clube e filho de Eurico Miranda, tentou acessar o gramado após o apito final e foi impedido por funcionários da Federação Paulista e seguranças corintianos. Euriquinho, como é conhecido, fez acusações duras nos microfones e também nos corredores do estádio, o que irritou corintianos. 

O fato de reclamar da recepção em Itaquera, em especial, gerou desagrado. Funcionários do Corinthians se lembraram de tumultos ocorridos em São Januário em partida do primeiro turno, vencida por 5 a 2 pelos visitantes, em que houve arremesso de cadeiras, briga de torcedores e gás de pimenta. Por confusões em clássico contra o Flamengo, o mesmo estádio está suspenso. 

A omissão do presidente corintiano Roberto de Andrade, por outro lado, gerou críticas dentro do Corinthians. Mesmo em meio a muitas críticas ao centroavante Jô e insinuações contra o clube, Roberto não se manifestou publicamente, o que rendeu comparações aos ex-presidentes Andrés Sanchez e Mário Gobbi, mais afeitos a reagir em situações desse tipo. 

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