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Tensão marcou a relação de Hamilton e a Mercedes em 2016. Entenda por quê

AFP / MOHAMMED AL-SHAIKH
Imagem: AFP / MOHAMMED AL-SHAIKH

Julianne Cerasoli

Do UOL, em São Paulo

30/11/2016 11h12

Se Lewis Hamilton terminou a temporada de 2015 voando pela Mercedes após dominar todo o campeonato, e confiando que as três derrotas para Nico Rosberg na fase final tinham acontecido apenas pelo relaxamento normal após um tricampeonato antecipado, um ano conturbado dentro do time alemão fez o cenário se transformar. O inglês, que tem mais dois anos de contrato com a equipe, não esconde discordar das “regras de conduta” adotadas em 2016. E os dirigentes também deixam claro que não estão prontos a aceitar a desobediência de seu piloto.

O resultado foram alguns momentos de tensão entre Hamilton e a Mercedes, que acabaram a temporada na prova decisiva em Abu Dhabi com um clima longe dos melhores. Aproveitando a brecha, o novo CEO da McLaren, Zak Brown, não perdeu tempo e disse que o time “está aberto” ao retorno do inglês.

Cobranças por falhas técnicas no início da temporada: o ano de Hamilton começou ruim, com duas más largadas, atribuídas à inconsistência do sistema de embreagem, e duas falhas de motores nas classificações da Rússia e da China. “Já estou usando meu segundo motor e ele teve a mesma falha em dois GPs”, lamentou o inglês, ainda que tenha desconsiderado qualquer teoria da conspiração na época. O resultado foram quatro vitórias de Rosberg e o início das tensões entre a equipe e o piloto.

Troca de engenheiros, acidente e crise após a Espanha: Uma das queixas de Hamilton no início da temporada era a mudança de seu grupo de mecânicos, que foi trabalhar para Rosberg a partir de março. “Eles não sabiam o que estavam fazendo”, afirmou o inglês sobre seu início da relação de trabalho. A insatisfação só aumentou pela forma branda como a equipe reagiu ao acidente entre os companheiros no GP da Espanha. O rumor é de que ele teria ameaçado deixar o time, acreditando que Rosberg deveria receber alguma sanção por ter causado a batida. Tanto, que a Mercedes se viu obrigada a substituir Esteban Ocon pelo mais experiente Pascal Werhlein de última hora no teste que foi realizado na semana seguinte à prova. Afinal, precisaria de um plano B caso Lewis realmente saísse.

Reação negativa às regras de conduta: Após batidas sucessivas entre seus pilotos na Espanha, Canadá e Áustria, a direção da Mercedes decidiu determinar regras que, se não fossem cumpridas, poderiam causar até a expulsão de um dos pilotos. O conteúdo das regras nunca foi divulgado, mas basicamente elas visam assegurar que o time tenha direito de intervir caso entenda que uma vitória esteja ameaçada. Na época, ainda em desvantagem no campeonato, Hamilton viu a adoção de tais medidas como um duro golpe em sua capacidade de reação, pois isso congelaria as estratégia e diminuiria as possibilidades dele bater Rosberg.

‘Por que só os meus motores quebram?’: em meio à frustração pela quebra do motor enquanto dominava o GP da Malásia, Hamilton alimentou as teorias da conspiração acerca das quebras que teve durante o ano. “Não posso acreditar que oito pilotos usem motores Mercedes e só os meus quebrem. Algo não está certo.”

Desobediência na decisão: Hamilton precisava vencer e torcer para que Rosberg não chegasse ao pódio no GP de Abu Dhabi para ser campeão. Como as Mercedes eram claramente superiores, o jeito era o inglês adotar um ritmo deliberadamente lento para colocar o rival sob pressão de quem viesse atrás. A estratégia deu certo, mas a Mercedes decidiu que o inglês estava desrespeitando as tais regras de conduta e pediu que ele acelerasse. Sem atender ao pedido, Hamilton peitou a direção e o clima ficou pesado novamente. “Desobedecer publicamente uma ordem quer dizer que você se coloca acima da equipe”, criticou o chefe Toto Wolff. Tanto, que Lewis não quis participar dos testes da Pirelli na quarta-feira após o GP. Acabou concordando no final e fez apenas algumas voltas, ainda que a versão oficial seja de que o piloto se sentiu mal.

Uma ruptura entre Hamilton e a Mercedes, contudo, não faria bem para nenhuma das partes. Afinal, desde que retornou à F-1, em 2010, a montadora conquistou 55 vitórias, sendo 32 com o inglês.

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