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Sem medo de Bolt, revezamento brasileiro faz planos e mostra certeza de medalha em Londres

Nilson André, Sandro Viana, Ailson Feitosa e Bruno Lins comemoram o ouro no Pan - AFP PHOTO ANTONIO SCORZA
Nilson André, Sandro Viana, Ailson Feitosa e Bruno Lins comemoram o ouro no Pan Imagem: AFP PHOTO ANTONIO SCORZA

Paula Almeida

Em São Paulo

02/11/2011 12h59

Embora os Jogos Pan-Americanos sejam apelidados de Olimpíadas das Américas, raramente os resultados alcançados na competição continental se repetem no maior evento esportivo do mundo. O fato de a maioria dos atletas de ponta rejeitar a participação no Pan mascara as conquistas e muitas vezes gera expectativas enganosas. Um ouro brasileiro em Guadalajara-2011, porém, confirmou a força do país: o revezamento 4x100 m masculino. E como se não bastasse sua tradição, sobretudo nos últimos 15 anos, uma das principais provas do atletismo verde-amarelo pode fazer sucesso em Londres-2012. Ao menos é nisso que acreditam os campeões do último Pan.

Com o tempo de 38s18 registrado no México, o revezamento brasileiro não teria conquistado medalhas em Pequim-2008, por exemplo, já que lá o bronze do Japão foi alcançado com 38s15. Os velocistas, porém, apostam que podem fazer um tempo bem inferior a esse.

“A gente estava esperando até fazer abaixo de 38s [no Pan]. Quando a gente entra na pista, vai com esse pensamento. O foco agora é Londres, e a gente quer trazer a medalha de ouro para o Brasil, não mais a prata. Sempre que eu falar, eu vou falar dessa medalha, e não vou descansar enquanto ela não estiver no meu peito”, afirmou ao UOL Esporte um entusiasmado Bruno Lins, que garante: não tem medo dos fortes concorrentes jamaicanos.

“Pode ser [Usain] Bolt, [Yohan] Blake, quem for. A gente tem sempre que acreditar. Se eu não acreditar em mim, no meu time, eu não posso fazer atletismo, eu paro de treinar, paro de praticar, vou fazer outra coisa. A gente tem que acreditar até o último instante que vai ter a melhor corrida, a melhor passagem [de bastão] e que a gente vai ganhar esse revezamento”.

Outro que diz não temer os jamaicanos e, principalmente, os norte-americanos é Sandro Viana. Mais experiente entre os atletas que conquistaram o ouro no revezamento do Pan, ele fala com propriedade sobre as metas ousadas do time brasileiro para a Olimpíada do ano que vem.

“Os Estados Unidos não terminam uma prova de revezamento desde 2008. Por quê? Excesso de velocidade. Eles não têm a mesma capacidade que a gente. Eles são muito grandes, mas não têm precisão nenhuma. Eles não têm a noção tridimensional que o Brasil não tem”, avaliou Sandro. “Eu falo pros meninos: ‘nós temos que treinar para bater o recorde do mundo. Se a gente errar, a gente já vai bater o sul-americano, o pan-americano’. Num dia de sorte, num dia de luz, naquele dia mágico que todo atleta passa, a gente pode correr abaixo de 37s50. Correndo nesse nível, a gente vai jogar a responsabilidade pra Jamaica. Porque é fácil correr muito na frente, mas correr, olhar pro lado e ver uma equipe que eles consideram inexpressiva, aí complica”.

Em busca do ouro olímpico inédito para o Brasil, os atletas do revezamento esperam chegar perto da marca de 37s40 registrada pelos Estados Unidos nos Jogos de Barcelona, em 1992, o segundo menor tempo da história. Para tanto, eles confiam no entrosamento que a equipe tem mostrado ao longo dos últimos anos e na perfeição técnica que o time está alcançando. A preocupação agora é evitar os obstáculos causados por más provas dos adversários, como aconteceu no Mundial de Daegu, quando o revezamento brasileiro foi eliminado após ser atrapalhado pelo time de Portugal.

“Eu nunca vi um treinador dizer ‘vocês não precisam treinar’. Mas aconteceu. Como não houve erros em várias semanas de adaptação, não só em Daegu [Mundial de atletismo] como também em Guadalajara, a gente chegava pra treinar e o técnico dizia que não precisava treinar a passagem. Nós temos que aproveitar isso”, afirmou Sandro. “A preocupação do Brasil não é mais superar os obstáculos dele mesmo, é superar fatores externos que possam vir a nos atrapalhar. Nós treinamos, usamos bonecos, usamos cones nos lugares onde podem estar os atletas. Nós já estamos treinando pensando nisso”.

A Olimpíada de Londres será disputada em julho do ano que vem, e como os atletas brasileiros estarão de folga no final deste ano, o primeiro semestre de 2012 será todo o tempo disponível para a preparação voltada especialmente para os Jogos. Para conquistar uma medalha, o revezamento brasileiro pretende disputar provas e encontros internacionais, entre eles o Penn Relay, famosa competição na Pensilvânia (EUA) apenas com provas de revezamento. O Brasil nunca esteve no torneio masculino, e a ideia é causar “frisson”, como relatou Sandro, logo na primeira participação, em abril.

“A nossa intenção é, em vez de ficar esperando aqui as Olimpíadas, sair e desafiar eles [adversários] em suas casas. Nós temos a proposta para ir pro Penn Relay. A gente deve ir pra lá três semanas antes pra fazer adaptação. Depois, a gente quer ir pra América Central encontrar os países que são pequenos, mas têm provas muito fortes, e a gente quer se medir. Se a gente já chegou 40 m à frente dos outros nos Jogos Pan-Americanos, que são um grau abaixo da Olimpíada e do Mundial, é porque a gente está com uma reserva de gordura muito grande. A gente quer realmente se medir, se testar e saber qual a nossa força”.

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