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Panorama e Marajó reforçavam time das peruas compactas 40 anos atrás

Rodrigo Mora

O blog Mora nos Clássicos contará as grandes histórias sobre as pessoas e os carros do universo antigomobilista. Nesse percurso, visitará museus, eventos e encontros de automóveis antigos - com um pouco de sorte, dirigirá alguns deles também.

Colunista do UOL

20/05/2020 05h00

(SÃO PAULO) - O Gol não é o único clássico nacional que acaba de chegar aos 40 anos - Fiat Panorama e Chevrolet Marajó também estreavam em 1980, renovando um segmento que começara em 1956 com a DKW Universal e fora dominado por Volkswagen Variant e Ford Belina na década de 1970.

A Panorama chegou primeiro, em abril. Derivada do 147 e desenvolvida para o mercado brasileiro - o que é algo importante de se lembrar, considerando que a Fiat estava aqui há apenas quatro anos -, tinha no porta-malas de 669 litros (ou 730 litros até o teto, segundo o fabricante; com o encosto traseiro rebatido, eram 1.440 litros) seu grande apelo. Até um ressalto no teto de função estrutural, da coluna B para trás, servia para ampliar ao máximo a capacidade para bagagens.

Contudo, não era melhor do que o hatch no bom espaço para os ocupantes, pois o entre-eixos se mantinha nos 2,22 metros. No comprimento, era 18 centímetros mais longa - e ainda assim era compacta, com 3,91 m de comprimento. Do ponto de vista mecânico, era diferente apenas na suspensão traseira reforçada e com nova geometria e nos 25 kg a mais, somando 835 kg.

Fiat Panorama - Divulgação  - Divulgação
Imagem: Divulgação

Pedra no sapato do 147, o câmbio manual de quatro marchas já estreava na perua com nova lubrificação dos carretéis, que pretendia suavidade nos engates.

Não era, como o 147, disponível com motor de 1 litro. Apenas o 1.3 de 61 cv e 9,9 kgfm de torque era oferecido, por razões óbvias. Três meses depois do seu lançamento, chegava no mercado a versão a álcool (62 cv e 11,5 kgfm de torque), que representava 25% da produção. E, como no hatch, a suspensão independente nas quatro rodas era uma incomum virtude naqueles tempos.

Fiat Panorama - Divulgação  - Divulgação
Imagem: Divulgação

Em 1983, a conhecida frente da série Europa foi substituída pelo conjunto do Spazio (o 147 reestilizado). Isolamento acústico reforçado e câmbio de cinco marchas acompanhavam a mudança estética.

Foram as últimas intervenções na Panorama, que em 1986 se aposentou para que a Elba, baseada no Uno, assumisse seu lugar.

Fiat Panorama - Divulgação  - Divulgação
Imagem: Divulgação

Mais para o final do ano, já como linha 1981, apareceu a Marajó, derivada do Chevette, lançado sete anos antes. E como a rival da Fiat, teve vida curta, sem muitas emoções.

Pouco maior que a Panorama - 4,2 m de comprimento, 1,57 m de largura e 2,39 m de entre-eixos, contra 3,91/1,54/2,22 m, respectivamente -, a Marajó levava menos bagagem: 469 litros com o encosto do banco traseiro em posição normal, ou 1.282 com ele rebatido.

Marajó 81 - Divulgação  - Divulgação
Marajó 1981
Imagem: Divulgação

Sob o capô, um motor 1.4 de 68 cv e 9,8 kgfm de torque acoplado a um câmbio de quatro marchas. Como na rival, a suspensão traseira era reforçada em relação à do sedã. Mas apenas a da Panorama era independente. Um 1.6 de 80 cv estreou em 1981.

Uma reestilização foi aplicada à perua em 1983, acompanhada por motor a álcool e quinta marcha. Outra, menos acentuada, viria em 1987, já no fim da vida. O interior deu uma refinada, mas ainda era despojado. Seu último ano foi 1989, quando a maior, mais moderna e potente Ipanema foi lançada.

Marajó 87` - Divulgação  - Divulgação
Marajó 1987
Imagem: Divulgação

Em um comparativo de maio de 1982, a revista Quatro Rodas emparelhou Panorama CL, Marajó SL, Belina LDO e Caravan Comodoro e concluiu: "a Belina e a Panorama têm tração dianteira, a Caravan e a Marajó obedecem ao esquema tradicional, com motor dianteiro e tração traseira. A Panorama e a Marajó são mais econômicas, e a Caravan a que mais consome. A escolha entre elas, portanto, deve depender basicamente da relação entre o preço e o uso que se pretende para o veículo escolhido".

Notem: o "esquema tradicional" da época era tração traseira, praticamente extinta atualmente entre os carros de passeio nacionais.

Nos testes da revista, a Panorama registrou consumo médio de 8,2 km/l na cidade e 15,02 km/l na estrada, enquanto a Marajó conseguiu 9,3 km/l e 13,3 km/l, respectivamente.