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Por que hidrogênio é considerado o futuro da mobilidade na Europa

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Imagem: Divulgação
Leandro Alves

Neste espaço a equipe de AutoData, sob a coordenação do diretor de redação Leandro Alves, trará os bastidores da indústria automotiva, que são de extrema importância para os negócios e o futuro do setor no Brasil e no mundo. Seu próximo carro pode passar primeiro por aqui. Antes mesmo dele existir! Conheça nosso trabalho em www.autodata.com.br

Colunista do UOL*

18/09/2020 08h01

A urgência para levar o país e sua principal indústria, a automotiva, a atender os inevitáveis requisitos de emissões na Europa trouxe para o mesmo palco, esta semana, o principal representante do governo alemão para a área de transportes e o CEO da Daimler AG.

Na pauta da convenção híbrida - autoridades, executivos e poucos órgãos de imprensa reunidos em um estúdio para a transmissão do evento pela internet - a apresentação do primeiro caminhão, ainda um protótipo, movido a hidrogênio da Mercedes-Benz, o GenH2.

Mas antes da revelação desse pesado, que promete revolucionar o transporte de longas distâncias a partir da segunda metade dessa década, o que se ouviu foi o compromisso do governo alemão de apoiar o desenvolvimento dessa que pode ser A matriz energética da Europa nos próximos anos.

Andreas Scheuer, o ministro dos Transportes e da Infraestrutura da Alemanha, disse que o hidrogênio é uma ótima alternativa para o transporte rodoviário e anunciou que o país vai investir € 4,1 bilhões no desenvolvimento de pontos de abastecimento de hidrogênio verde em forma líquida, que será usada como combustível: "O hidrogenio é mais adequado para longas distâncias e, por isso, além de caminhões e ônibus, temos um planejamento para usar em trens e já estamos discutindo como utilizar em aviões".

Não pareceu em nenhum momento um discurso com protocolos de intenções ou rapapés da corte política, mas de ações concretas do governo e da indústria para combater as emissões dos combustíveis fósseis e transformar a mobilidade.

A primeira meta desse ambicioso projeto é definir que o hidrogênio verde, originado a partir de fontes como a hidrelétrica, eólica, solar ou de biomassa, será a única matriz para os veículos a células de combustível.

Martin Daum, CEO da Daimler Trucks, ao demonstrar o caminhão GenH2, apresentado mundialmente como o pontapé inicial da propulsão por célula de combustível, disparou: "Essa tecnologia só funcionará com hidrogênio verde e não com o hidrogênio cinza, originado do gás natural. Por isso precisamos da infraestrutura para que o produto tenha sucesso".

O ministro dos Transportes garantiu que está definido como política de Estado a promoção do hidrogênio na matriz alemã classificando a iniciativa como "chave para o bem estar social na Europa e na Alemanha".

Scheuer acredita que seu país está começando a escrever uma histsória de sucesso com o hidrogênio e em tom de desabafo concluiu: "Já era hora de uma resposta [à contribuição dos combustíveis fósseis no aquecimento global] usando a tecnologia. As esferas governamentais promovem as políticas setoriais e também cobram das empresas iniciativas como a da Daimler".

O governo alemão está dedicando parte do seu orçamento para o hidrogênio. São € 9 bilhões à disposição. "A política incentiva, mas também exige", foi um dos comentários finais de Andreas Scheuer.

Imaginem se assim fosse com o etanol e diversas outras vantagens encontradas nessa terra como a água, o vento e o sol? Ou ainda pensar em gerar riqueza explorando as oportunidades escondidas na biodiversidade brasileira? Mas preferimos acreditar que queimada é normal.

64 bilhões. Essa é a perda de faturamento das montadoras com as paradas nas fábricas e medidas de isolamento social provocadas pela pandemia da covid-19. O cálculo é da Anfavea.

Virando o discurso. Sindicatos e Volkswagen transformaram a pauta de corte de 35% no quadro de trabalhadores em manutenção, por cinco anos, dos empregos.

Sai quem quer. Serão abertos PDVs nas quatro fábricas: São Bernardo do Campo, São Carlos e Taubaté, SP, e São José dos Pinhais, PR. A meta não foi divulgada, mas a Volkswagen e os sindicatos falam em 35% de excedente no quadro, produção e administrativo.

Condições vantajosas. A Volkswagen oferece até 35 salários, dependendo do tempo de casa, a quem aderir, afora os direitos garantidos pela Constituição. Muita gente considera aderir ao programa. Uma nova etapa será aberta, depois, em condições menos atrativas - e, se ainda houver excedente, serão aplicados lay offs.

Acordo fechado? Aprovaram os termos do acordo, em assembleia, funcionários de São Bernardo do Campo, Taubaté e São José dos Pinhais. A votação em São Carlos, a última, agendada para a tarde de quinta-feira, 17, também foi pela aprovação.

Reconhecimento. A Petronas foi eleita Fornecedor do Ano da CNH Industrial, fabricante das máquinas Case e New Holland, caminhões Iveco e motores FPT.

* Colaboraram: André Barros, Bruno de Oliveira e Caio Bednarski

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.