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Concessionárias pressionam por abertura imediata e citam perda de empregos

Mateus Bruxel/Folhapress
Imagem: Mateus Bruxel/Folhapress
Leandro Alves

Neste espaço a equipe de AutoData, sob a coordenação do diretor de redação Leandro Alves, trará os bastidores da indústria automotiva, que são de extrema importância para os negócios e o futuro do setor no Brasil e no mundo. Seu próximo carro pode passar primeiro por aqui. Antes mesmo dele existir! Conheça nosso trabalho em www.autodata.com.br

Colunista do UOL*

08/05/2020 04h00

Em meio à calorosa discussão sobre o fechamento de todas as atividades em grandes cidades do País, para conter o avanço do covid-19 na população, que insiste em sair de casa, os concessionários fazem coro para a abertura imediata das suas lojas. Os argumentos? Estão em risco muitos dos seus 315 mil empregos diretos. Pior: o presidente da entidade que reúne os revendedores de veículos afirma que 30% das 7,3 mil empresas do segmento não suportarão até o fim deste maio. E fecharão as portas. Definitivamente.

A solução passa necessariamente pelas montadoras, que também necessitam de fluxo de caixa para manter as suas operações. Ao mesmo tempo que a retomada das vendas pode ser uma alternativa - considerando que há consumidor para comprar carro 0 km - outros mecanismos estão sendo negociados para evitar uma quebradeira generalizada de empresas do setor automotivo, que oferecem bons empregos, com carteira assinada e que em última análise podem ajudar a economia como um todo nos próximos meses.

Porém o imbróglio traz à tona antigos conflitos, como dívidas do governo federal com as montadoras. AutoData apurou que estão em curso ferozes negociações do ministro Paulo Guedes com representantes das montadoras para definir uma equação que possa trazer liquidez às operações nos próximos meses.

Na quarta-feira, 6, a Anfavea teve a última reunião com Guedes e o BNDES. Segundo fontes de AutoData a par do assunto, uma proposta está na mesa: a indústria pede que os R$ 25 bilhões referentes a créditos de PIS e Cofins retidos nos cofres do governo sirvam como garantia para os bancos privados concederem empréstimos às montadoras.

As primeiras informações de bastidores dão conta de que não será tão fácil costurar um acordo que atenda aos interesses de ambas as partes. E também dos bancos privados, pois não se sabe se aceitariam os créditos do governo como garantia para empréstimos às montadoras. O valor necessário para essa operação, como já foi abordado nesse blog, gira em torno de R$ 50 bilhões.

Nesta sexta-feira, 8, a Anfavea divulgará o balanço da atividade automotiva no País em abril. A expectativa é a de que um entendimento sobre essa questão seja revelado. Ou então os próximos dias poderão vir com péssimas notícias para as empresas e seus funcionários, considerando esse cenário nefasto de lockdown imposto por causa da teimosia de milhares de brasileiros que não acreditam que a morte de pessoas e de grandes empresas está a caminho.

Corte de impostos. Ajuda ao governo pede, também, a Abeifa, que representa as importadoras de automóveis. São mais diretos: redução do imposto de importação de 35% para 20%, e corte também no IPI foram solicitados ao Ministério da Economia, segundo o presidente João Oliveira.

Preservar empregos. A entidade diz que suas associadas geram 17,5 mil postos de trabalho e teme quebradeira por conta da paralisação das operações da rede de concessionárias. A alta do dólar prejudica, e muito, a vida das importadoras.

Novo padrão Ford. Todas as 285 concessionárias Ford no Brasil foram certificadas nos novos padrões de higienização e atendimento seguro ao cliente desenvolvido pela companhia. Menos carros no showroom, higienização constante de itens em exposição e estações de trabalho individuais são alguns dos protocolos do novo padrão.

Clean. Além das medidas sanitárias e de precaução dentro das concessionárias a fabricante também anunciou um novo serviço: o Ford Clean, que higieniza os veículos dos clientes. Foram criados protocolos aqui no Brasil para atender as exigências dos órgãos de saúde e também garantir que o veículo esteja totalmente imune de focos de bactérias e vírus, como a covid-19. A higienização, inédita no País e válida somente para veículos Ford, custa R$ 129.

Para além do mercado brasileiro. Segundo o vice-presidente da Ford, Rogelio Golfarb, divisões da companhia em outras regiões ficaram interessadas no projeto, que tem DNA nacional. A começar pela Argentina, o sistema será adotado em revendas de outros países da América do Sul.

No Instagram. A BMW abriu uma loja na rede social Instagram, no qual possui, no Brasil, mais de 500 mil seguidores. O processo, porém, é o de geração de lead: ao demonstrar interesse o cliente passa a esperar o contato de um vendedor de concessionária. As vendas online de automóveis ainda enfrentam muitas barreiras.

Produção zero. Nenhum veículo foi produzido na Argentina em abril. As fábricas, lá, estão paradas desde 20 de março. Na Colômbia o mercado local caiu 99%. Em seu último balanço financeiro a FCA projetou vendas de 3 milhões de veículos na América Latina em 2020, ante os 4,3 milhões estimados inicialmente.

* Colaboraram André Barros, Bruno de Oliveira, Caio Bednarski e Marcos Rozen

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.