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Fernando Calmon

REPORTAGEM

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Por que Citroën abriu mão de chamar novo C3 de SUV no Brasil

SUV ou hatch? Este é o novo Citroën C3, que será lançado em 2022 no Brasil com produção em Porto Real (RJ) - Divulgação
SUV ou hatch? Este é o novo Citroën C3, que será lançado em 2022 no Brasil com produção em Porto Real (RJ) Imagem: Divulgação
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Fernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Colunista do UOL

22/09/2021 16h08Atualizada em 22/09/2021 18h38

A crescente procura pelos SUV vem impulsionando as vendas e o avanço de participação de mercado. Mesmo quando se trata de apenas um hatch com a "decoração" externa típica (incluindo indefectíveis barras de teto) e altura de rodagem elevada, as fabricantes preferem enquadrá-lo como SUV.

Houve, porém, um posicionamento diferente por parte da Citroën, ao mostrar por videoconferência o novo C3 na semana passada. O modelo exibe estilo típico de SUV, inclusive um interessante e incomum efeito visual (vincos largos e côncavos), na parte superior dos quatro para-lamas, que deixa a impressão de ser ainda mais alto. A marca francesa, no entanto, preferiu apresentá-lo como hatch compacto (segmento B).

Há uma razão, obviamente não revelada. Tudo indica que se trata de um posicionamento de mercado da Stellantis, dona da Citroën, para suavizar a "concorrência" interna. Nos filmes revelados até agora do Pulse, cuja carroceria tem características semelhantes às do novo C3, aparece o termo "SUV Fiat". O lançamento deste modelo está previsto até o próximo mês de novembro. Já o novo C3, com mais aspecto de SUV do que o C4 Cactus, só chega em março de 2022.

Embora apresentado de corpo inteiro, inclusive a parte interna, nenhuma dimensão e motorização do novo "hatch" foi antecipada pela Citroën. Mas, como o modelo também será fabricado na Índia, já se sabe que tem entre-eixos de 2,54 m e comprimento de 3,99 m.

O C3 hatch "antigo" parou de ser fabricado aqui em julho do ano passado e foi vendido no Brasil até o começo deste ano. Ele era bem menor por dentro (2,46 de entre-eixos) e pouco menor por fora (3,94 m). O motor da nova geração será o já conhecido de 1,6 litro e 118 cv (E)/115 cv (G), porém está prevista para até um ano depois a chegada do propulsor turbo flex de 1 litro que estreará antes no Fiat Pulse.

Além de espaçoso internamente, oferece tela multimídia de 10,1 polegadas e, ao seu lado, um útil suporte no painel para encaixar o telefone celular. A conexão pode ser feita sem fio, mas o carregamento não. Há dois pequenos ganchos no centro do painel em que se pode fixar o fio para não ficar solto. Solução simples e efetiva.

O projeto batizado de C-Cubed inclui outros dois lançamentos da Citroën, em 2023 e 2024, todos produzidos em Porto Real (RJ). A expectativa é por um sedã e outro SUV, de maior porte, provavelmente de dimensões entre Jeep Renegade e Volkswagen T-Cross.

Oferta de 100% elétricos avança: Volvo e JAC

Volvo XC40 Recharge - Divulgação - Divulgação
Volvo XC40 Recharge
Imagem: Divulgação

Por preços competitivos no Brasil, a Volvo passou a dar ênfase total aos modelos híbridos recarregáveis em tomada. O resultado reflete-se em vendas crescentes. Agora, a empresa entra no mercado de elétricos com o XC40 Recharge, que apresenta visual praticamente igual ao do híbrido plugável homônimo, salvo a grade dianteira sem entrada de ar.

O elétrico custa R$ 389.950, valor 45% superior ao do híbrido plugável. A linha atual da marca sueca fica assim totalmente concentrada em modelos parcial ou totalmente elétricos. Uma estratégia diferenciada frente aos concorrentes diretos e indiretos. Só do elétrico pretende entregar 450 unidades e assim assumiria a liderança desse nicho de mercado.

Apesar dos 2.118 kg de massa (500 kg só de baterias), o SUV é bastante ágil. Há um motor em cada eixo. Juntos entregam 408 cv e nada menos de 67,3 kgfm de torque. Isso garante aceleração de zero a 100 km/h em 4,9 s, de acordo com o fabricante. Alcance declarado (norma WLTP) é de até 418 km, mas na estrada é difícil de conseguir. Durante a apresentação no Rio Grande do Sul, depois de rodar em rodovias por cerca de 200 km, restavam só 33% de carga restante.

Em circuito urbano, com a forte regeneração automática durante as frenagens, o alcance referido é possível. No tráfego em cidade, raramente se usa o pedal de freio. O pacote de assistência de segurança ao motorista é completo, como todo Volvo. Os faróis de LED, no entanto, não dispõem de comutação automática alto/baixo como o Jeep Commander fabricado aqui, por exemplo.

No outro extremo da escala de preço está o subcompacto chinês JAC e-JS1, elétrico mais barato à venda por R$ 149.900.

JAC e-JS1 - José Antonio Leme/UOL - José Antonio Leme/UOL
JAC e-JS1
Imagem: José Antonio Leme/UOL

O modelo é o primeiro desenvolvido depois que a VW comprou 50% da empresa chinesa. Seu desenho mostra um hatch de linhas ousadas, teto alto pintado em cor contrastante à carroceria e apenas 3,65 m de comprimento. No interior de aspecto minimalista destacam-se tela do multimídia de 10,25 pol., console amplo (inclui botão para freio de imobilização elétrico, bom espaço para recarregar o celular por indução) e uma pequena alavanca na coluna de direção para controlar avanço e ré.

O motor entrega só 62 cv, mas os 15,3 kgfm de torque garantem agilidade em uso urbano. Suspensões bem firmes e precisão ao volante indicam a "mão" da VW no projeto. A bateria tem apenas 30 kWh e alcance declarado de até 300 km.

Essa distância é 50% menor em rodovias. Em estrada, apesar de limitado a 110 km/h, dá para guiar sem sustos. Porém, a sensação de pisar um pouco mais no acelerador para uma ultrapassagem rápida e o motor não responder é desagradável. Porta-malas não carrega estepe (há bolsa com kit de reparo) e oferece apenas 121 litros de capacidade.