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Salvador

Preta defende Carnaval sem abadás: "É como grito de gol, pertence a todos"

Preta Gil comanda o oitavo desfile do Bloco da Preta, no Centro do Rio - Fernando Souza/Bloco da Preta
Preta Gil comanda o oitavo desfile do Bloco da Preta, no Centro do Rio Imagem: Fernando Souza/Bloco da Preta

Do UOL, em São Paulo

22/02/2017 04h00

Preta Gil está animadíssima. Pela primeira vez, a cantora vai levar seu tradicional bloco, que arrasta multidões por onde passa no Rio de Janeiro, para o Carnaval de Salvador.

"Passei todos os carnavais da minha vida na Bahia, apesar de ter nascido no Rio. Quando levei o bloco para a cidade maravilhosa, eu quis levar a forma mais democrática do Carnaval baiano, que é o bloco para o povo sem abadá", diz ela em entrevista ao UOL.

A filha de Gilberto Gil, que se prepara durante quase um ano para sair com seu cortejo pelas ruas do Rio, vê como principal responsabilidade retribuir o carinho de um público fiel e incansável.

"A maior de todas [as responsabilidades] é devolver o amor que recebo da galera. É garantir a alegria e dar condições para que seja um Carnaval tranquilo para o folião", afirma.

O Bloco da Preta na capital baiana vai manter sua característica principal, que é proporcionar a festa para os foliões sem distinção por abadás. Para a cantora, o aumento de trios sem corda não deve ser ignorado.

O Carnaval é a festa da diversidade onde tudo cabe. Sempre fui livre e hoje comemoro que esse padrão da maioria das pessoas está finalmente sendo reconhecido como natural
Preta Gil

"O Carnaval é do povo, é a válvula de escape e um momento de descontração dos problemas do dia a dia. É como a praia, como grito de gol, pertence a todos, de todas as classes, de todas as cores. Esse será o primeiro ano do Bloco da Preta em Salvador e levaremos para lá a mesma forma democrática de cantar para o povo como fazemos no Rio", garante.

Ela, que adora uma festa, também é engajada e levanta a voz quando se trata de defender a bandeira de um Carnaval cada vez mais inclusivo. O padrão de beleza de mulheres saradas que desfilam nos sambódromos do Rio e São Paulo, afirma, "não pode desrespeitar o fato de que ninguém é igual a ninguém".

"Fui rainha de bateria da Mangueira há dez anos sendo como sou. Lembro das mulheres da comunidade me abraçando dizendo que eu era como a maioria. Ninguém é mais ou menos animado por ter esse ou aquele tipo de corpo. O Carnaval é a festa da diversidade onde tudo cabe. Sempre fui livre e hoje comemoro que esse padrão da maioria das pessoas está finalmente sendo reconhecido como natural. As lindas, musas e gostosas também fazem parte da festa e tem o mesmo direito de ser feliz como todos", declara.

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Preta Gil ainda nem estreou em Salvador, mas quer muito mais. Ela ainda pretende realizar um antigo sonho e chegar, no ano que vem, em São Paulo.

"Há muitos anos o pessoal de São Paulo quer ver o bloco passar e eu também. Temos vontade de levá-lo a várias partes do Brasil. Sampa é um sonho antigo e será concretizado no próximo ano em parceria com a prefeitura, assim como  Salvador foi viabilizado nesse Carnaval", afirma. "Sampa, não vejo a hora de estarmos juntos", completa.