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5 doenças que são perigosas quando envelhecemos, mas vacinas nos protegem

Imagem: iStock

Bárbara Therrie

Colaboração para VivaBem

15/09/2021 04h00

Manter a vacinação em dia é importante para qualquer pessoa independentemente da idade, mas no caso dos idosos é ainda mais devido a um processo chamado de imunossenescência, isto é, o envelhecimento imunológico que está associado a mudanças da função imunológica.

Em outras palavras, o sistema imunológico pode ficar mais suscetível a infecções, doenças autoimunes, câncer, e há uma redução da resposta vacinal.

O organismo de um idoso tolera menos estresse do que o organismo de um jovem, demora mais tempo para se recuperar e pode ter mais complicações.

Um exemplo: o neto gripado transmite o vírus da gripe para seu avô que não foi vacinado. Devido a alterações em seu sistema imunológico, esse idoso pode sofrer complicações mais graves, como uma pneumonia viral, que pode ainda evoluir para uma pneumonia bacteriana.

Ao ficar internado, o idoso poderá perder massa muscular e ficar fragilizado. Ele precisará de uma reabilitação e poderá demorar para atingir o estado anterior à contaminação decorrente do contato com o neto.

Vale reforçar que um envelhecimento saudável inclui mais do que ter bons hábitos alimentares, praticar atividades regularmente, não fumar e nem ingerir bebida alcoólica em excesso. De fato, tudo isso contribui para uma vida longeva com mais qualidade, mas cuidar da imunização também é fundamental.

A seguir, três especialistas listam cinco doenças que são perigosas para os velhos e as velhas, mas que as vacinas protegem.

Gripe

Imagem: iStock

A gripe é uma infecção respiratória causada pelo vírus influenza, transmitida por meio da aspiração de gotículas liberadas no espirro, na tosse, durante a fala de pessoas contaminadas, ou ao encostar em superfícies contaminadas e levar as mãos aos olhos, boca e nariz. Os principais sintomas são febre, calafrios, dor de cabeça, tosse seca, dor muscular, cansaço e falta de apetite.

Em geral, a gripe tem evolução benigna e autolimitada, isto é, passa sem tratamento específico em poucos dias. Porém, é possível haver complicações, que são mais comuns em extremos de idade (muito jovem ou muito velho) e indivíduos com algumas condições clínicas, como doença crônica pulmonar, doença renal crônica, imunodeficiência ou imunodepressão, entre outros. As complicações pulmonares mais comuns são as pneumonias virais e bacterianas.

As vacinas são constituídas por vírus inativados e fragmentados, portanto, sem risco de infectar o paciente. Elas induzem a formação de anticorpos que vão combater o vírus quando o organismo for infectado.

O vírus influenza tem uma alta taxa de mutação, por isso a vacinação deve ser anual. Ela é a medida mais eficaz para prevenir a gripe, no entanto, vale ressaltar que mesmo um indivíduo vacinado pode ser acometido, mas o quadro tende a ser mais leve, porque a imunização diminui o risco de complicações, hospitalizações e de morte.

Pneumonia

Pneumonia é uma infecção que se instala nos pulmões e pode ser causada por vírus, bactérias e fungos. Umas das bactérias mais relacionadas às pneumonias é o pneumococo, também chamada de Streptococcus pneumoniae. Ele mais é mais comum nos extremos da vida, em menores de 2 anos e maiores de 65.

Em comparação com adultos saudáveis, pessoas com doenças cardíacas, pulmonares crônicas ou diabetes mellitus têm risco de três a seis vezes maior de serem acometidas pela pneumonia.

Existem três tipos de vacina contra o Streptococcus Pneumoniae: a vacina polissacarídica 23 valente (VPP23), que atua contra de 23 tipos dessa bactéria; a vacina pneumocócica conjugada 13-valente (VPC13), que atua contra 13 tipos; e a vacina pneumocócica conjugada 10-valente (VPC10), que atua contra 10. No caso dos idosos, as indicadas são a VPP23 e VPC13.

As vacinas funcionam estimulando o sistema imunológico através dos antígenos vacinais para produzirem anticorpos contra esses agentes, para que no caso de um possível contato com eles, evite que a pessoa fique doente ou evolua para uma doença grave. As doenças causadas pelo pneumococo são as principais causas de morbimortalidade (risco de complicações e de morte) no mundo em todas as faixas etárias.

Herpes zoster

Herpes zoster é uma doença causada pelo mesmo vírus da varicela ou catapora em crianças. A varicela ocorre com maior frequência na infância e resulta da infecção primária. Já o herpes zoster é mais comum no idoso, e tem origem na reativação do vírus após a primeira ocorrência de varicela.

Várias condições estão associadas ao aparecimento do herpes zoster, como baixa imunidade, câncer, trauma local, cirurgias da coluna e sinusite frontal.

A frequência de casos está aumentando devido ao crescimento da expectativa de vida em quase todo o mundo. Calcula-se que 10% a 20% da população global apresentará a doença, chegando a 50% entre os que atingem os 85 anos de idade.

Mais de dois terços dos casos são registrados após os 50 anos. E é justamente nos grupos etários mais elevados que ocorre com maior frequência a neuralgia pós-herpética —inflamação do nervo que permanece na pele suprida mesmo após o término da infecção— em que a dor pode persistir por meses ou até anos.

A vacina está indicada acima dos 50 anos e age no estímulo do sistema imunológico a produzir anticorpos neutralizantes da multiplicação deste vírus no organismo da pessoa que recebe a dose.

Hepatites

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Hepatites são infecções virais que provocam a inflamação do fígado, causando alterações leves, moderadas ou graves. Na maioria das vezes são infecções silenciosas, ou seja, não apresentam sintomas. Entretanto, quando presentes, elas podem se manifestar como cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras.

No Brasil, as hepatites virais mais comuns são causadas pelos vírus A, B e C. O avanço da infecção compromete o fígado, sendo causa de fibrose avançada ou de cirrose, que pode levar ao desenvolvimento de câncer e à necessidade de transplante do órgão. Em adultos e idosos, a hepatite A pode ser grave e sintomática.

As vacinas são importantes, pois promovem anticorpos neutralizantes e ajudam a evitar o adoecimento com evolução de uma doença crônica e potencialmente letal.

Coqueluche

A coqueluche é uma doença infecciosa aguda e transmissível, que compromete o aparelho respiratório, a traqueia e os brônquios. Ela é causada pela bactéria Bordetella pertussis.

Não existe uma vacina única contra a coqueluche. A vacina chamada dTpa (tríplice bacteriana acelular do tipo adulto) que combinada ajuda a proteger contra algumas doenças, como a coqueluche, difteria e tétano. Ela é recomendada logo após a 20ª semana de gestação, em que a mãe irá transmitir anticorpos para o seu bebê ainda dentro do útero.

Quando nasce, a criança recebe as doses nas idades indicadas. No adulto, ela está indicada para todos os profissionais de saúde e contatos próximos de recém-nascidos, como avós, irmãos não vacinados e cuidadores.

A coqueluche é uma doença grave, imunoprevenível por vacina que pode levar o doente a necessidade de internação em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) ou até matar.

É importante ressaltar que, excetuando-se a vacina da gripe, todas as outras citadas só estão disponíveis aos idosos em serviços privados de vacinação. A SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações) têm um calendário de vacinas indicados aos idosos em seu site, vale conferi-lo: https://familia.sbim.org.br/seu-calendario/idoso.

Fontes: Lorena de Castro Diniz, coordenadora do Departamento Científico de Imunização da Asbai (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia); Mateus da Costa Machado Rios, imunologista do serviço de imunologia clínica do Hospital das Clínicas da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) e membro do Departamento Científico de Alergia e Imunidade no Idoso da Asbai; e Maurício de Miranda Ventura, diretor do serviço de geriatria do Hospital do Servidor Público Estadual (SP) e presidente da SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia), seção São Paulo.

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