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Paola Machado

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Pensando em sair do sofá? Saiba como prevenir lesões e preparar o corpo

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Paola Machado

Paola Machado é formada em educação física, mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício e imunologia) e doutora em ciências da saúde (foco em fisiopatologia da obesidade e fisiologia da nutrição) pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre exercícios, nutrição e saúde. CREF: 080213-G | SP

Colunista do UOL

19/05/2021 04h00

Geralmente o primeiro contato com o esporte começa na infância, quando os pais matriculam seus filhos em escolas de iniciação de futebol, natação, artes marciais ou a escola oferece aulas extracurriculares com o intuito de desenvolver as habilidades motoras e sociais da criança.

No Brasil, de acordo com pesquisas, os esportes mais praticados são futebol, voleibol, tênis de mesa e natação. E não à toa, nosso país é chamado de "país do futebol", já que mais de 30 milhões de brasileiros praticam esse esporte como forma de lazer. Vale reler essa matéria com um ranking dos esportes que mais lesionam.

A prática de esportes traz diversos benefícios ao seu corpo e a sua mente:

  • redução ou controle do peso, ansiedade e estresse

  • autoconfiança

  • concentração e atividades cognitivas (reflexo e tomada de decisão)

  • condicionamento físico

Além dos benefícios físicos e psicológicos, o esporte possui a capacidade de promover a integração social, aproximando as pessoas e desenvolvendo competências de trabalho em equipe, se a prática for em grupo.

Em adultos, é comum ouvir histórias de pessoas que eram muito ativas na infância ou adolescência, e que com o passar do tempo, por inúmeros motivos, como trabalho e estudos, abandonaram a prática e hoje estão sedentárias.

Quero voltar ao esporte ou quero começar a praticar um esporte novo

Para sedentários, há a redução da capacidade física para reiniciar e iniciar, ou seja, o corpo certamente não está preparado para praticar esportes de uma forma realmente segura.

Seja devido ao sobrepeso, fraqueza dos músculos, saúde cardiovascular e todo o impacto que a sobrecarga gera em suas articulações, há o risco de se lesionar no primeiro mês. Sim, o corpo sente e a conta chega para todos, mesmo que você tenha sido uma criança extremamente ativa.

Já foi abordada aqui a memória muscular e como ela pode, sim, te auxiliar a retomar um esporte ou qualquer outra prática física, mas que ela sozinha não é capaz de garantir que em seu primeiro jogo de retorno você tenha a mesma performance do dia que parou de treinar.

Também já foi falado sobre lesões comuns que ocorrem em atletas de final de semana, e você deve ter um amigo que engordou e que, como brilhante solução, encontrou na corrida a melhor forma de perder peso, mas que no final das contas acabou se lesionando e hoje se encontra mais sedentário e com uma dor crônica que parece piorar tudo.

Por que a corrida se tornou tão popular nos últimos anos? Simples, pois a princípio a pessoa só precisaria de um tênis e por ser um esporte individual, não depende de terceiros para praticar. Mas, atenção, geralmente essa corridinha pode custar caro e é importante ter um suporte médico e preparo muscular antes de se jogar em qualquer tipo de atividade.

Por que eu deveria preparar o corpo para começar ou recomeçar?

Usando o exemplo da corrida acima: você está sedentário, alimentando-se mal e acima do peso e, do nada, em uma bela segunda-feira, decide sair correndo pelas ruas do seu bairro.

Vale fazer uma analogia e imaginar o seu corpo como se fosse um carro velho e com atraso nas manutenções, está lá na garagem parado há anos e, do nada, você se programa para fazer uma viagem off-road com ele no fim de semana.

Certamente você não confiaria em pegar uma estrada sem antes fazer uma revisão para, no mínimo, calibrar os pneus, correto?

Mas vamos imaginar que ainda assim você se arriscou e decidiu cair na estrada e, por sorte e sem nenhum problema, conseguiu chegar ao destino, porém na volta seu carro pifou e te deixou na mão no meio da estrada! Essa analogia é exatamente o que pode vir a acontecer com o seu corpo.

Vamos visualizar as manutenções do carro, como as atividades de cuidado de saúde como o acompanhamento do seu médico cardiologista, a alimentação adequada e o fortalecimento muscular. Elas são a sua proteção para garantir que todo o maquinário te leve com segurança onde você precisa chegar.

E como o carro do vizinho mesmo sem revisão conseguiu chegar ao destino e voltar sem pifar?

É importante ressaltar que a lesão depende de vários fatores internos e externos e não há como prever, ela pode ocorrer nos primeiros dias ou nos primeiros meses.

Outro ponto é lembrar que cada corpo traz sua própria genética e bagagem. Se deu certo com o vizinho, não necessariamente pode ser uma ideia boa para você seguir. Portanto, a melhor opção continua sendo uma boa preparação antes de iniciar para que não haja nenhuma surpresa negativa.

A importância da musculação

A musculação está presente em todos os esportes, sejam individuais ou coletivos, com o intuito de aumento de performance e prevenção de lesões.

Para um atleta profissional, o treino de força e potência é obrigatório, e está presente na rotina diária. Mas, atenção, para amadores e aqueles que consideramos atletas de final de semana, a musculação básica traz questões que vão além da maior performance e permeia a integridade física.

Há o benefício do aumento de massa e força muscular que irá proteger suas articulações, tendões e ligamentos, evitando que você sofra algum tipo de lesão por esforço e impacto.

Procure sempre pelo profissional de educação física para ser devidamente orientado. Pratique a atividade que escolher pelo seu bem-estar e com segurança para ter vida longa em qualquer esporte.

*Colaboração Rodrigo Kenzo, personal trainer gestor na Clínica La Posture e Juliana Satake, fisioterapeuta especializada na Clínica La Posture

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL