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Jairo Bouer

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

O que os brasileiros mais quiseram saber sobre vacina: pode beber depois?

A informação mais buscada pelos brasileiro no Google sobre vacinação foi se "pode beber depois da vacina" - iStock
A informação mais buscada pelos brasileiro no Google sobre vacinação foi se "pode beber depois da vacina" Imagem: iStock
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Jairo Bouer

Jairo Bouer é médico psiquiatra formado pela Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) e pelo Instituto de Psiquiatria do HC-USP. Bacharel em biologia pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e mestre em evolução humana e comportamento pela University College London (UCL). Nos últimos 30 anos, trabalha com comunicação em saúde e sexualidade nos principais veículos de mídia do país.

Colunista do VivaBem

19/01/2022 04h01

A última segunda-feira (17) marcou o aniversário de um ano da primeira vacina contra a covid aplicada no país. Ao longo desse período, a imunização gerou uma série de dúvidas e curiosidades entre os brasileiros, que correram para a internet para tentar resolver essas questões. Um levantamento inédito do Google, obtido com exclusividade pelo portal G1 e divulgado essa semana, mostra que a pergunta mais frequente sobre vacinação nesses doze meses foi: "pode beber depois da vacina?"

A plataforma classificou as 100 frases mais pesquisadas e quase a metade delas se refere a aspectos mais práticos da vacinação, como "onde tomar vacina? ", "onde tem vacina? ", "quando vou ser vacinado? " etc. Para chegar aos resultados, o Google avaliou uma amostra de mil termos sobre o assunto.

A dúvida sobre a associação entre álcool e vacina foi 36% mais procurada que a segunda colocada ("qual a melhor vacina? "), o que sugere alguns aspectos importantes sobre o consumo de álcool e a imunização.

Pouca explicação, muita dúvida

Talvez a explicação mais óbvia é que se falou pouco sobre o tema (bebida e vacina) e as pessoas ficaram às escuras quando tinham dúvidas a esse respeito. Nas recomendações de uso das vacinas não constam maiores informações e a própria Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) não emitiu orientação. Boa parte das bulas de remédios traz informações sobre interações com o álcool. Para campanhas futuras de vacinação fica a lição de comunicar mais e melhor sobre eventuais impactos do álcool e de outras substâncias sobre os imunizantes.

Outro aspecto interessante de pensar é que o álcool está tão presente na vida dos brasileiros que um evento pontual (tomar uma dose da vacina) faz com que as pessoas fiquem muito interessadas em saber se poderiam beber ou não em seguida. Ou seja, muita gente bebe com alguma frequência e esse uso poderia coincidir com a data da vacinação.

Uma outra questão que também tem que ser levada em consideração é que algumas pesquisas mostram que, durante a pandemia, mesmo com bares e baladas fechados, o consumo de álcool aumentou. A ansiedade e o estresse podem estar por trás desse aumento. Mais gente passou a beber mais dentro de suas casas e isso também pode ter gerado um crescimento nas dúvidas: afinal de contas, pode ou não beber depois de vacinar?

Sem perda de eficácia no uso eventual

Em tempo, o consumo excessivo e crônico de álcool traz uma série de riscos para nossa saúde, como maior probabilidade de ter alguns tipos de câncer, prejuízos ao sistema digestivo e circulatório, impactos no cérebro e fígado, entre outros problemas. O abuso também pode prejudicar as respostas do nosso sistema imunológico (de defesa) e aumentar o risco de infecções respiratórias, por exemplo.

Mas esses riscos se limitam aos padrões de consumo nocivo de álcool. Já o uso eventual e moderado, mesmo logo antes ou logo depois da aplicação de uma dose da vacina, não prejudica o efeito do imunizante. Lembrando que as pessoas são diferentes em relação a sua resposta ao álcool e que não existe um padrão 100% seguro de consumo de bebida.

Moral da história: comemorar a vacinação completa ou a dose de reforço com um brinde não compromete a proteção e não vai fazer nenhum grande mal à sua saúde desde que, claro, você tenha mais de 18 anos, não se aglomere para essa celebração nem dirija depois de beber.