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Filho de Maurício de Sousa relata ameaça ao se assumir gay: 'Tive medo'

Mauro Sousa e o pai, Maurício de Sousa - Foto: Reprodução
Mauro Sousa e o pai, Maurício de Sousa Imagem: Foto: Reprodução

Colaboração para Universa, em São Paulo

05/05/2020 16h59

Mauro Sousa, filho do cartunista Maurício de Sousa, escreveu um longo texto em seu Instagram para falar sobre uma ameaça de morte que recebeu quando sua sexualidade foi exposta à imprensa.

A situação aconteceu logo depois que seu pai publicou uma foto com ele e o marido tomando café na casa do criador da Turma da Mônica. Mauro disse ter sofrido discriminação pelas redes sociais, sendo ameaçado de agressão física. No texto, ele confessou que teve medo de morrer.

"Sabe, eu já pensei como você. Eu também achava que ser gay era supernormal. Levantar bandeira pra quê, se eu estou bem e seguro no meu mundo burguês? Já que não acontece comigo, então é mimimi. Até que, no ano passado, a minha sexualidade foi amplamente exposta. De repente, todo mundo sabia que eu era gay. E sem que eu tivesse controle, estavam falando sobre mim", disse ele no começo do texto, onde mostrou o print de uma crítica que recebeu por usar uma máscara colorida.

O diretor, de 33 anos, continuou: "Recebi mensagens, das mais amorosas às mais odiosas. Estas, foram cruéis e assustadoras: me xingavam de tudo quanto é nome e ameaçavam a minha integridade física. Meu nome foi parar até em boca de político! Eu e meus pais cogitamos contratar um segurança pessoal pra andar ao meu lado. Eu tinha medo de sair de casa, de ir ao supermercado? Tinha medo de morrer. Eu queria ser invisível. Eu fiquei doente. Foi um choque de realidade", desabafou.

"Mas também, foi o gatilho que eu precisava para o meu amadurecimento. É claro que eu não desejo isso a ninguém, mas todo esse episódio me tirou de um estado de alienação e me ampliou horizontes: o mundo era muito maior do que o meu umbigo. E eu tive duas opções, Israel [nome do internauta que o criticou]: ou eu continuava na minha ignorância egoísta ou eu tomava uma atitude", disse.

Mauro, então, relatou que fez sua escolha. "E eu escolhi. Eu escolhi defender a causa por que como minha família é conhecida e me respeita, eu podia representar uma possibilidade àquele LGBT que se acha um fardo. Usar a máscara colorida simboliza a esperança de poder viver sem medo e, pra mim, acima de tudo, ela expressa a minha transformação em uma pessoa muito mais empática".

"Israel, não faça como eu e não espere um baque acontecer pra se conscientizar da importância de sair da sua zona de conforto. Mas faça como eu e opte pelos outros. Tem muito LGBT+ por aí e eles precisam da gente. Porque acredite, Israel, o que eu sofri virtualmente é fichinha perto do que muitos LGBTs sofrem na vida real. Situações que um hétero jamais vai vivenciar. Espero, de verdade, que você e quem ler este texto, seja LGBT ou não, reflita sobre o quanto "em si mesmados" nós estamos, em um mundo que está urgentemente precisando de mais solidariedade", finalizou.

Recebi essa mensagem referente a foto que postei ontem, com a máscara LGBT+. Compartilho minha resposta com vocês: "Oi, Israel! Sabe, eu já pensei como você. Eu também achava que ser gay era supernormal. Levantar bandeira pra quê, se eu estou bem e seguro no meu mundo burguês? Já que não acontece comigo, então é mimimi. Até que, no ano passado, a minha sexualidade foi amplamente exposta. De repente, todo mundo sabia que eu era gay. E sem que eu tivesse controle, estavam falando sobre mim. Recebi mensagens, das mais amorosas às mais odiosas. Estas, foram cruéis e assustadoras: me xingavam de tudo quanto é nome e ameaçavam a minha integridade física. Meu nome foi parar até em boca de político! Eu e meus pais cogitamos contratar um segurança pessoal pra andar ao meu lado. Eu tinha medo de sair de casa, de ir ao supermercado? tinha medo de morrer. Eu queria ser invisível. Eu fiquei doente. Foi um choque de realidade, mas também, foi o gatilho que eu precisava para o meu amadurecimento. É claro que eu não desejo isso a ninguém, mas todo esse episódio me tirou de um estado de alienação e me ampliou horizontes: o mundo era muito maior do que o meu umbigo. E eu tive duas opções, Israel. Ou eu continuava na minha ignorância egoísta ou eu tomava uma atitude. E eu escolhi. Eu escolhi defender a causa porque como minha família é conhecida e me respeita, eu podia representar uma possibilidade àquele LGBT que se acha um fardo. Usar a máscara colorida simboliza a esperança de poder viver sem medo e, pra mim, acima de tudo, ela expressa a minha transformação em uma pessoa muito mais empática. Israel, não faça como eu e não espere um baque acontecer pra se conscientizar da importância de sair da sua zona de conforto. Mas faça como eu e opte pelos outros. Tem muito LGBT+ na por aí e eles precisam da gente. Porque acredite, Israel, o que eu sofri virtualmente é fichinha perto do que muitos LGBTs sofrem na vida real. Situações que um hétero jamais vai vivenciar. Espero, de verdade, que você e quem ler este texto, seja LGBT ou não, reflita sobre o quanto "em si mesmados" nós estamos, em um mundo que está urgentemente precisando de mais solidariedade. Um abraço, Mauro Sousa"

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É assim: protegido e com orgulho. #pride

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