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Estudante trans posta antes e depois e viraliza: "Sou um privilegiado"

Estudante trans posta antes e depois: "Não sofri transfobia (comentários apenas)" - Reprodução/Instagram
Estudante trans posta antes e depois: "Não sofri transfobia (comentários apenas)" Imagem: Reprodução/Instagram

Luiza Souto

De Universa

27/01/2020 10h52

O desafio nas redes era que os universitários postassem fotos deles no primeiro e último períodos, para mostrar se —e o quanto— mudaram neste intervalo de tempo. O recém-formado em Educação Física Thomas Reis, que passou pela transição de gênero enquanto estudava, aceitou a proposta, e viralizou.

No post em seu Twitter, replicado mais de seis mil vezes e com mais de 110 mil curtidas, seguidores chegam a duvidar que se trata da mesma pessoa. "Era um homem de peruca", escreveu um. Thomas não deixou passar em branco.

Num outro post, uma seguidora diz acreditar que a transição de Thomas não deve ter sido fácil, e ele fala em privilégio por ter recebido apoio.

Outras pessoas trans também aproveitaram para mostrar suas mudanças.

Em entrevista para Universa, Thomas conta que sempre se sentiu no corpo errado. Aos 5 anos, por exemplo, recorda-se que não gostou da festa de aniversário, com temática da Cinderela, personagem da Disney. "Coloquei um vestido rosa horroroso, e troquei porque aquilo não era o que eu queria".

Mas somente enquanto estudava Educação Física na Universidade Estadual de Goiás, aos 20 anos, começou a ler pesquisas sobre a transição de gênero, ao mesmo tempo em que passou a ser acompanhado por uma psicóloga. Dois anos após esses estudos, ele diz, contou para os pais de sua decisão. A recepção não foi das melhores no início, mais por medo do preconceito, mas ele fala que no final a família ficou ao seu lado:

"Ouvi da minha mãe o que ela falou quando me assumi lésbica: 'dentro de casa posso te proteger, mas fora não, e o mundo é mau."

A faculdade, ele aponta, também o tratou com respeito, e hoje Thomas segue os estudos na Espanha, onde começará um mestrado:

"Quero que as pessoas trans enxerguem que é direito delas ocupar o espaço que quiserem. O mundo é delas também. Já escutei que não seria ninguém, e hoje estou na Europa estudando. Sou uma porcentagem mínima privilegiada, mas quero espalhar conhecimento e mostrar que é possível estar dentro de ambientes escolares".

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