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Após efeito Bolsonaro aumentar casamentos gays em 2018, registros caem em 2019

Em 2019, foram registrados 9.056 casamentos entre pessoas do mesmo sexo - iStock
Em 2019, foram registrados 9.056 casamentos entre pessoas do mesmo sexo Imagem: iStock

Caio Sartori

Rio

09/12/2020 10h44

Os dois meses finais de 2018, após a vitória eleitoral de Jair Bolsonaro (sem partido), ficaram marcados pelo aumento radical no número de casamentos entre pessoas do mesmo sexo, que tinham medo de o então presidente eleito adotar medidas que dificultassem a união.

Após o aumento de 62% naquele ano em comparação com o anterior, os registros caíram em 2019, primeiro ano de Bolsonaro à frente do Palácio do Planalto. Apesar disso, continuam em patamar bem acima do registrado até 2017.

Divulgada hoje, a pesquisa Estatísticas do Registro Civil, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostra que, depois do pico de 2018, os números interromperam a trajetória de ascensão anual que vinha sendo consolidada.

Isso pode ser explicado pelo fato de muitos casais terem antecipado para antes de Bolsonaro assumir o cargo cerimônias que estavam marcadas para o ano seguinte.

Foram, no ano passado, 9.056 casamentos entre pessoas do mesmo sexo, ante 9.520 no ano anterior. Ao contrário dos vínculos entre sexos diferentes, esses casos cresciam ano a ano, na contramão da tendência geral de queda de casamentos.

Mesmo com a diminuição no ano passado, o número ainda é bem maior que os 5.887 observados em 2017 —o que mostra como os registros pós-eleição de Bolsonaro envergaram para cima a curva.

Quando são considerados todos os tipos de casamento, o Brasil voltou a observar uma diminuição. Foi a quarta queda consecutiva na comparação anual —desta vez, 2,7% de diferença negativa em relação ao ano anterior. Ao todo, pouco mais de 1 milhão de casais se formaram em 2019 no país.

Casamentos mais tardes

Outra mudança que vem ocorrendo é a idade com que as pessoas se casam —cada vez mais velhas. Aos poucos, começa a haver maior incidência nos casos de homens e mulheres com mais de 40 anos que decidem se juntar. No caso dos homens, um a cada quatro já está nessa faixa etária; entre as mulheres, cerca de uma a cada cinco.

"O próprio divórcio possibilita que as pessoas casem novamente. As pessoas, principalmente as mulheres, passaram a ter novas prioridades, como estudar mais ou ter um emprego melhor. Existe, sim, uma tendência a postergar o casamento para depois dos 40", aponta a analista do IBGE Klívia Brayner de Oliveira, gerente da pesquisa.

Essa mudança na vida das mulheres também tem levado a outra tendência: mães cada vez mais velhas. Atualmente, 37% das mulheres que dão à luz têm mais de 30 anos, sendo 3,4% acima dos 40.

O patamar das que se localizam na faixa etária dos 30 ao 34, inclusive, já é quase igual ao das de 20 a 24 —com 21% versus 24%. O que se vê, portanto, é uma linha quase achatada dos 20 aos 34 anos, intervalo de idade em que sete a cada dez brasileiras têm filhos.

O Norte é a área do Brasil que mais preocupa em relação a mulheres que dão à luz muito jovens. Enquanto o País tem 14% de mães com menos de 20 anos, a região apresenta cerca de 20% nessa faixa etária.

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