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Cientistas descobrem por que mulheres têm maior risco de doenças autoimunes

O estrógeno, hormônio produzido pelos folículos do ovário, está relacionado ao maior risco de doenças autoimunes em mulheres - Getty Images
O estrógeno, hormônio produzido pelos folículos do ovário, está relacionado ao maior risco de doenças autoimunes em mulheres Imagem: Getty Images

Do UOL, em São Paulo

17/04/2018 15h00

As mulheres correm risco maior de desenvolver uma doença autoimune, e a explicação para isso pode estar em um receptor de estrógeno localizado em células de defesa do corpo. Um estudo publicado nesta terça-feira (17) na revista "Science Signaling" mostra que esse componente intensifica a ação do estrógeno que leva o sistema imunológico a atacar o próprio organismo.

Doenças como artrite reumatoide, lúpus eritematoso e esclerose múltipla são fruto da ação anormal do sistema imunológico, que atacam células saudáveis. Elas acometem até nove vezes mais as mulheres em comparação com os homens. Muitas pesquisas já tinham indicado que o estrógeno contribui para o desenvolvimento de doenças autoimunes, mas faltava uma explicação sobre a razão disso.

Um grupo de cientistas liderados por Imran Mohammad, da Universidade de Turku, na Finlândia, estudou como células T de camundongos são afetadas pelo estrógeno. As células T compõem um grupo de glóbulos brancos responsáveis pela defesa do organismo contra agentes desconhecidos. E o estrógeno está ligado ao controle da ovulação e ao desenvolvimento de características femininas.

Para entender o efeito do estrógeno sobre as células T, os cientistas geraram camundongos geneticamente modificados que possuíam células T sem o receptor específico do hormônio, chamado ERα. Eles então observaram se esses ratos desenvolviam colite, uma inflamação na mucosa interna do cólon, no intestino grosso, e que pode ser causada por uma reação autoimune.

Foi possível verificar que os camundongos com as células T deficientes em ERα tinham menos inflamação no cólon em comparação com os camundongos que tinham células T normais. As células T sem o receptor ERα também se proliferaram menos em cultura e expressaram menor quantidade de compostos pró-inflamatórios em comparação com células normais.

Para os pesquisadores, o estudo permitiu identificar qual é o papel do estrógeno na autoimunidade mediada pelas células T. Com esse resultado, é possível pensar em tratamentos para doenças autoimunes com base na inibição do receptor de estrógeno em células de defesa do corpo.