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Ar-condicionado de escritórios foi ajustado para homens, aponta estudo

Do UOL, em São Paulo

04/08/2015 12h08Atualizada em 04/08/2015 13h13

Todas as mulheres que sofrem com o frio do ar condicionado nos escritórios enquanto os homens ficam confortáveis não estão com disfunção hormonal. Os padrões de ar condicionado e de aquecimento nos ambientes foram originalmente criados com base na taxa metabólica de repouso -- quantidade de energia que uma pessoa gasta quando está parada -- para o sexo masculino, segundo um novo estudo publicado na revista Nature Climate Change.

Segundo os pesquisadores, os padrões foram desenvolvidos na década de 1960 para acomodar a taxa metabólica de repouso de um homem de 40 anos de idade e 70 kg. Por conta disso, o ar fica com uma temperatura desconfortável para as pessoas com diferentes tipos de corpo, em especial as mulheres.

Ao ajustar os termostatos, os administradores prediais podem ajudar a tornar o ambiente mais confortável para os funcionários e, ao mesmo tempo, diminuir os custos de aquecimento e resfriamento, segundo o pesquisador Boris Kingma, um biofísico da Universidade de Maastricht, na Holanda, em entrevista para o site Live Science.

Kingma e seus colegas examinaram a fisiologia de 16 mulheres enquanto trabalhavam em um escritório montado em uma câmara climática. Os instrumentos da câmara calcularam as taxas metabólicas, medindo o consumo de oxigênio e produção de dióxido de carbono das funcionárias. Os pesquisadores também mediram a temperatura da pele das mulheres e a temperatura do ar e umidade da câmara.

Os cientistas descobriram que as taxas metabólicas das mulheres foram significativamente menores do que os valores padrão com base no homem de 40 anos de idade. Uma razão é que as mulheres são geralmente menores do que os homens e têm um percentual maior de células de gordura, de acordo com Kingma. As células de gordura produzem menos calor do que as células musculares, o que explica em parte por que as mulheres tendem a ter taxas metabólicas mais baixas em comparação com os homens.

"Os atuais padrões metabólicos devem ser modificados (...) para reduzir o viés discriminatório de gênero nas previsões de conforto térmico", escreveram os pesquisadores no estudo.

De acordo com a publicação, os novos padrões de aquecimento e refrigeração devem levar em conta a idade, sexo e tamanho corporal médio dos trabalhadores.

A temperatura do ambiente não é um mero capricho, já que um estudo da Universidade Cornell (EUA) de 2004 descobriu que funcionários tendem a cometer mais erros quando eles estão em escritório frios. A pesquisa mostrou que quando a temperatura ambiente aumentou de 20ºC para 25ºC, erros de digitação caíram em 44% e a produtividade aumentou 150%.

No entanto, às vezes pode ser bom para o corpo usar um pouco de energia durante o dia. Segundo Kingma, muitos funcionários passam a maior parte de seus dias sentados à mesa de trabalho e poderia ser benéfico se seus corpos queimassem algumas calorias para se manter quente. Mas a temperatura de um espaço compartilhado, como um escritório, não deve ser muito fria ou muito quente para deixar as pessoas desconfortáveis, disse ele.