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Crianças sabem quando os adultos estão mentindo, garante pesquisa

Mãe conversa com filho: os pais devem se esforçar para contar a verdade às crianças, pois elas percebem quando um adulto está omitindo informações, aponta um novo estudo - Getty Images
Mãe conversa com filho: os pais devem se esforçar para contar a verdade às crianças, pois elas percebem quando um adulto está omitindo informações, aponta um novo estudo Imagem: Getty Images

Do UOL, em São Paulo

12/06/2014 06h00

Contar uma mentira –seja daquelas cabeludas ou uma mentirinha branca—a uma criança é perda de tempo, pois elas conseguem identificar quando um adulto está mentindo, garante um estudo divulgado pelo Instituto de Tecnologia de Massachussetts (o consagrado MIT), nos Estados Unidos. De acordo com pesquisadores, as crianças também percebem quando um adulto não se dá ao trabalho de dar uma informação completa.

A pesquisa do MIT indica que sempre que um adulto não conta toda a verdade à criança, ela vai começar a “ligar os pontos” por conta própria.

“Determinar em quem devemos confiar é uma habilidade importante desenvolvida desde a infância”, afirma Hyowon Gweon, autora do estudo publicado no jornal Cognition. Segundo ele, a maior parte do conhecimento humano origina-se do contato com outras pessoas, por isso é tão importante dizer a verdade. “Quando alguém nos dá uma informação, aprendemos algo que não sabíamos até então e também algumas características daquela pessoa. Se a informação é correta e completa, a nossa tendência é confiar nessa pessoa no futuro”, diz a pesquisadora.

O contrário também é verdadeiro. “Se uma pessoa cometeu um erro e nos ensinou algo errado ou omitiu um dado importante, em geral deixamos de confiar nessa pessoa e buscamos outra que possa nos passar a informação correta”, afirma a pesquisadora do Laboratório de Neurociência Cognitiva Social.

O estudo tomou por base uma pesquisa realizada em 2011, que investigou o comportamento das crianças, quando um professor explicou apenas uma de quatro funções de um determinado brinquedo. Os pesquisadores descobriram que as crianças passaram a maior parte do tempo explorando apenas essa função.

Já as crianças que não receberam qualquer instrução se dispuseram a explorar todas as funções do brinquedo.

Reprodução/M. Scott Brauer
Imagem: Reprodução/M. Scott Brauer

No novo estudo, a equipe do MIT se propôs a investigar o comportamento de um grupo de crianças, após receberam pouca informação sobre os recursos de um brinquedo.

“Estudos anteriores sobre a construção de confiança das crianças em adultos, fossem professores ou não, foi centrado na capacidade de uma criança distinguir e aprender a diferenciar quando alguém está lhe contando uma mentira ou dizendo a verdade”, diz a dra. Hyowon Gweon.

O foco da nova pesquisa era a capacidade de uma criança identificar quando alguém não está lhe contando toda a verdade. Elas tinham de descobrir por conta própria as outras funções do brinquedo, ignorando a explicação do professor.

No primeiro experimento, crianças entre seis e sete anos receberam um brinquedo. Um grupo de crianças recebeu um brinquedo que tinha quatro botões, cada um ativando um recurso diferente. O outro grupo recebeu um brinquedo com apenas um botão. Usando um vídeo com bonecos, um professor demonstrava o funcionamento do brinquedo. Para os dois brinquedos, a instrução foi a mesma, de apenas uma função.

Após a demonstração, as crianças diziam se a informação era útil, usando uma escala de um a 20.

As crianças que sabiam que o brinquedo tinha três funções a mais do que a explicação em vídeo deram notas mais baixas do que aquelas que sabiam que o brinquedo só tinha um botão.

Na segunda fase, o mesmo boneco-professor apresentou um segundo brinquedo e repassou apenas uma das quatro funções existentes.

As crianças que anteriormente haviam visto a demonstração sabiam que a informação estava incompleta e exploraram todos os recursos do brinquedo, sugerindo que não confiavam na informação do professor.

“Isso demonstra que as crianças não apenas são sensíveis ao que é certo ou errado”, diz Hyowon Gweon, coordenadora do estudo. “Elas avaliam os outros baseadas em quem lhes dá a informação necessária ou quem não conta o que querem saber. As crianças também se adaptam rapidamente ao que podem aprender de um professor, dependendo dos erros que ele tenha cometido ou das omissões feitas.”

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