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Pesquisadores descobrem fóssil de réptil mais antigo do Estado do Rio

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, no Rio

15/01/2014 10h39Atualizada em 15/01/2014 12h18

Pesquisadores do CPRM (Serviço Geológico do Brasil) e da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) anunciaram nesta quarta-feira (15) a descoberta do réptil fóssil mais antigo do Estado do Rio de Janeiro.

A nova espécie, que ganhou a alcunha de "crocodilo guerreiro do Rio" --Sahitisuchus fluminensis--, foi encontrada há mais de 70 anos, porém somente agora foi possível descrevê-la. Os pesquisadores estimam que o animal tenha sido extinto há 56 milhões de anos.

O crocodilo guerreiro do Rio seria, de acordo com o estudo, um "parente distante dos jacarés", porém com características que o diferenciam totalmente das três famílias nas quais estão classificados os jacarés e crocodilos --Alligatoridae, Crocodylidae e Gavialidae.

NOME XAVANTE

  • Júlio César Guimarães/UOL

    O nome Sahitisuchus fluminensis, que significa, em latim, "crocodilo guerreiro do Rio", foi escolhido pelo paleontólogo do Museu Nacional Alexander Kellner. Segundo ele, a escolha se deu há cerca de 8 anos, depois de uma sugestão de uma amiga que pesquisava a cultura indígena xavante

"O focinho dele, que é mais alto em comparação com os crocodilos, e o formato do crânio, por exemplo, tornam o crocodilo guerreiro uma espécie única no Brasil e no mundo. Embora hajam fósseis de animais do mesmo grupo na Argentina e na Bolívia, mas não com essas características", afirmou o paleontólogo André Pinheiro.

O Sahitisuchus fluminensis representa, segundo o CPRM, uma linhagem que sobreviveu ao fim da Era dos Dinossauros, há 65 milhões de anos. "Isso é o que torna essa descoberta tão especial. Ele teve o seu reinado na época dos dinossauros e sobreviveu ao processo de extinção. A partir disso, poderemos avançar no sentido de entender as demais espécies sobreviventes", explicou o paleontólogo do Museu Nacional Alexander Kellner.

O fóssil foi localizado em um depósito de calcário situado em São José, no município de Itaboraí, na região metropolitana do Rio. Entre 1933 e 1984, o local foi explorado por uma empresa de cimento, e vários fósseis foram encontrados durante os trabalhos na mina, entre os quais o do crocodilo guerreiro do Rio.

"Quando esses fósseis apareciam, eles prontamente interrompiam a frente de trabalho e nos ligavam. Coletamos diversos fósseis em Itaboraí", explicou o professor e paleontólogo Diógenes de Almeida Campos.

Na avaliação do Serviço Geológico do Brasil, o fóssil se encontra em ótimo estado de preservação e está exposto no Museu de Ciências da Terra, na Urca, zona sul do Rio de Janeiro.

  • Divulgação

    Maior dinossauro carnívoro do Brasil foi descoberto em 2011; veja

Em vida, o animal --que pertence ao grupo dos sebecossúquios-- tinha aproximadamente dois metros de comprimento, e seu crânio foi considerado "moderadamente alto", com pelo menos 16 dentes na arcada superior. "Ele era um animal carnívoro, predador e muito oportunista. Se considerarmos que os últimos dentes não são muito afiados, observamos que ele tinha um perfil de alimentação variado, e se alimentava tanto das presas quanto de restos de animais mortos", declarou Pinheiro.

Todos os dentes têm os bordos serrilhados, o que seria, de acordo com o paleontólogo Diógenes de Almeida Campos, uma característica presente em outros sebecossúquios e que facilitava o ato de dilacerar a sua presa.

A pesquisa para descrever o Sahitisuchus fluminensis durou mais de dois anos, sendo um ano de preparação, seis meses de pesquisa e oito meses para publicação do artigo científico na revista Plos One. Segundo Kellner, os trabalhos custaram cerca de R$ 8 mil.

Local de descoberta do fóssil no Rio de Janeiro

  • André Pinheiro/UERJ