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Neuroprótese cria sexto sentido em ratos que passam a "tocar" luz infravermelha em pesquisa de brasileiro

Acima à esquerda, um modelo da câmara de comportamento com três portas de recompensa separadas por um mesmo ângulo. O rato tem um detector de infravermelho afixada em sua cabeça, e o cone vermelho da imagem mostra a área em que ele irá responder a estímulos de infravermelho. A porta 3 emana o sinal infravermelho, como é visto pelas linhas semicirculares. Ao lado (b), há a indicação de como é cada porta, com uma luz infravermelha, porta para água e uma luz LED normal. Na imagem d, é possível ver onde os eletrodos foram colocados - Reprodução/Nature
Acima à esquerda, um modelo da câmara de comportamento com três portas de recompensa separadas por um mesmo ângulo. O rato tem um detector de infravermelho afixada em sua cabeça, e o cone vermelho da imagem mostra a área em que ele irá responder a estímulos de infravermelho. A porta 3 emana o sinal infravermelho, como é visto pelas linhas semicirculares. Ao lado (b), há a indicação de como é cada porta, com uma luz infravermelha, porta para água e uma luz LED normal. Na imagem d, é possível ver onde os eletrodos foram colocados Imagem: Reprodução/Nature

Do UOL, em São Paulo

12/02/2013 17h17Atualizada em 12/02/2013 18h16

Uma neuroprótese foi capaz de criar sexto sentido em ratos, que aprenderam a "tocar" luz infravermelha, em uma nova pesquisa da equipe do brasileiro Miguel Nicolelis, publicada na Nature Communications, nesta terça-feira (12).

Segundo o pesquisador, esta é a primeira vez que uma prótese cortical foi usada para aumentar a capacidade neurológica de animais adultos. Os mamíferos não são capazes de enxergar a luz infravermelha, mas após o experimentos os ratos conseguiram identificar localização e intensidade da luz pelo tato.

A neuroprótese acopla um sensor infravermelho ao córtex somatossensorial (relacionado ao tato) via microestimulação intracortical. Os animais facilmente aprendem a usar esta fonte de novas informações, e a gerar estratégias de exploração para diferenciar os sinais infravermelhos deseu ambiente.

Em testes percebeu-se que a prótese não desloca a representação original táctil. Assim, as próteses sensoriais corticais, além de restaurar funções neurológicas normais, podem servir para expandir as capacidades perceptivas naturais de mamíferos.

A neuroprótese foi usada para identificar a luz infravermelha, mas poderia ter sido usada para qualquer comprimento de onda, como ultrassom ou raio-x.

Como foi o experimento

Inicialmente seis ratos fêmeas foram treinadas na câmara com luz normal. Ao piscar a luz em uma das portas, o rato se aproximava e ao tocar a porta com o nariz, recebia água. Depois de aprendida a lição: luz = água, em aproximadamente 25 dias com 70% de acerto, foi colocada a prótese. 

Eles foram então recolocados na câmara, onde deveriam realizar a mesma tarefa, mas agora com a luz infravermelha, invisível para a visão deles. Estímulos elétricos aumentavam à medida que os ratos se aproximavam da fonte de luz ou orientavam suas cabeças para o local. A estimulação no mesmo local é conhecida por induzir sensações táteis em homens e macacos.

Os seis ratos demoraram cerca de 26 dias para aprender a nova tarefa com os 70% de acerto. No início, eles não conseguiam identificar os sinais sensoriais com a fonte de luz, chegando a, ocasionalmente, arranhar sua face em resposta à estimulação. Mas após alguns dias eles mudaram seu comportamento. No começo, as portas estavam separadas a 90º, mas os ratos conseguiram obter sucesso também com elas a uma distância inferior a 60º.

Teste com ratos seguindo luz infravermelha

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