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Principais cidades sofrerão com aquecimento dramático em 2050

10/07/2019 19h28

Washington, 10 Jul 2019 (AFP) - Um total de 77% das cidades do mundo experimentarão uma "mudança notável" nas condições climáticas, enquanto 22% viverão condições que nunca antes haviam conhecido, adverte um estudo científico divulgado nesta quarta-feira.

Em 2050, o clima de Londres se parecerá com o de Madri hoje, Paris se assemelhará a Camberra, Estocolmo a Budapeste e Moscou a Sofia, aponta o documento, elaborado por pesquisadores do ETH Zurich e publicado na revista PLOS ONE.

As mudanças serão mais significativas para as principais cidades tropicais do mundo, como Kuala Lumpur, Jacarta e Singapura, que experimentarão condições climáticas sem precedentes, o que resultará em fenômenos meteorológicos extremos e secas intensas.

Os cientistas examinaram o clima das 520 principais cidades do mundo utilizando 19 variáveis que refletem a variabilidade de temperaturas e precipitações.

As projeções futuras foram estimadas utilizando um modelo intencionalmente otimista, o que significa que partiu do princípio de que as emissões de dióxido de carbono se estabilizariam em meados de século por meio da implementação de políticas "verdes", com um aumento médio da temperatura global de 1,4 grau Celsius.

Em todo o hemisfério norte, as cidades se assemelharão em 2050 a lugares que se encontram a mais de 1.000 km ao sul do equador.

As que estão mais perto do Equador não verão um aquecimento drástico, mas provavelmente sofrerão períodos mais extremos de seca e chuvas.

Na Europa, os verões e os invernos se tornarão mais quentes, com aumentos de em média 3,5 e 4,7 graus centígrados, respectivamente.

Embora o modelo utilizado para a análise não seja novo, o propósito do documento era organizar a informação de modo a incitar os responsáveis políticos a agirem.

"O objetivo deste documento é tentar fazer com que todos possam compreender melhor o que está acontecendo com a mudança climática", disse à AFP o autor principal do trabalho, o belga Jean-Francois Bastin.

O cientista considera que não é certo que em 2060 seu país experimente temperaturas abaixo de zero no inverno, uma condição necessária para que as sementes de trigo se ativem.

À medida que aumentarem as temperaturas no verão, mais pessoas no norte da Europa comprarão ares-condicionados, o que aumentará a tensão nas redes elétricas e possivelmente criará um círculo vicioso, acrescentou.

"Há mais de 30 anos que a maioria de nós estamos de acordo em que existe uma mudança climática causada pela atividade humana, mas ainda assim não podemos transformar isso realmente em ações globais", disse.

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