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Encontrado diário de explorador da Antártida um século depois

Diário do pesquisador George Murray Levick, que integrou a expedição do explorador Robert Scott à Antártida, foi encontrado sob o gelo mais de 100 anos após a viagem. O caderno foi enviado para a instituição Antartic Heritage, na Nova Zelândia, onde as folhas foram separadas uma a uma e recuperadas - Divulgação/Antartic Heritage Trust
Diário do pesquisador George Murray Levick, que integrou a expedição do explorador Robert Scott à Antártida, foi encontrado sob o gelo mais de 100 anos após a viagem. O caderno foi enviado para a instituição Antartic Heritage, na Nova Zelândia, onde as folhas foram separadas uma a uma e recuperadas Imagem: Divulgação/Antartic Heritage Trust

Em Wellington

23/10/2014 22h10

O diário de um membro da expedição do explorador Robert Scott à Antártida foi encontrado sob o gelo mais de 100 anos após a viagem, anunciou nesta quinta-feira (23) uma instituição neozelandesa.

As anotações pertenciam ao pesquisador George Murray Levick e foram encontradas nas proximidades da base Terra Nova, estabelecida por Scott em 1911, durante o degelo de verão.

Apesar dos danos sofridos após um século enterrado sob o gelo (e degelo), o diário de Levick ainda é legível, garantiu o diretor da fundação neozelandesa Antarctic Heritage, Nigel Watson.

"É um achado incrível. O diário é uma parte do registro oficial da expedição. Estamos encantados em encontrar ainda novos objetos após sete anos tentando conservar o último prédio e a coleção da expedição de Scott".


As páginas do diário foram enviadas à Nova Zelândia para tratamento e nova encadernação, sendo devolvidas à Antártida, onde a fundação trabalha para preservar cinco locais utilizados pelos exploradores Scott, Ernest Shackleton e Edmund Hillary.

A expedição de Scott se dividiu em dois grupos ao chegar à Antártica. Ele atingiu o Polo Sul no dia 17 de janeiro de 1912, um mês após o norueguês Roald Amundsen.

Scott e seus companheiros morreram pouco depois, de frio e fome.

Levick estava no outro grupo, que viajou ao longo da costa para realizar observações científicas e ficou retido no campo base por causa do gelo.

Os seis homens conseguiram sobreviver ao inverno antártico comendo o que encontravam, incluindo pinguins e focas.

A fundação também encontrou garrafas cheias de whisky da expedição de Shackleton (1907-08) e negativos perdidos de sua incursão no Mar de Ross (1914-17).

Uma destilaria escocesa analisou o whisky de Shackleton e ficou surpresa com sua delicadeza, recriando a bebida para uma edição limitada de 50.000 garrafas, ao preço de 100 libras (pouco mais de R$ 400) cada.

Após sobreviver à Antártica, Levick participou da sangrenta batalha de Galípoli, durante a I Guerra Mundial, e trabalhou para a Inteligência militar britânica na II Guerra Mundial.

Levick faleceu em 1956.